12 cientistas que você precisa conhecer

12 cientistas que você precisa conhecer

Imagine uma sala cheia de cientistas extremamente competentes e que dedicam suas vidas para estudarem campos revolucionários e pouco explorados. Se logo lhe veio à mente a imagem de um monte de homens com jalecos brancos, esqueça isso. Estamos falando de um grupo de mulheres sensacionais que desenvolvem pesquisas nas mais diversas áreas. Assim como em outras áreas de atuação, o estereótipo no ramo das ciências é sempre focado no universo masculino. Se existem tantas mulheres incríveis contribuindo para novos campos da ciência, nada mais justo que reconhecer o trabalho delas.

Pensando nisso, o TED-Fellows trouxe uma minibiografia de grandes cientistas da atualidade, conteúdo que resumimos e traduzimos neste post. Além da trajetória delas, o site traz alguns dados que reforçam a importância de dar mais destaque às mulheres em campos científicos. Jovens cientistas homens recebem mais que o dobro de recursos para suas pesquisas do que suas colegas mulheres no Instituto de Pesquisas Biomédicas de Boston, um centro de referência global. Somente 30% dos pesquisadores do mundo inteiro são mulheres e uma pesquisa recente apontou que 67% dos entrevistados europeus e 93% dos chineses responderam que não acreditam que as mulheres tenham habilidades para trabalharem como cientistas. Tim Hunt, bioquímico que já ganhou um prêmio Nobel, já chegou a afirmar em certa ocasião que mulheres causam “problemas” no laboratório.

1) Renée Hlozek – cosmologista

A cosmologista sul-africana Renée Hlozek estuda o fundo em microondas cósmico, radiação que restou do Bing Bang, para entender as condições iniciais do universo e como isso cresceu em estruturas, como as galáxias que vemos hoje.

“Meu campo é questionar o surgimento e a evolução do universo, fundamental para o entendimento de nós mesmos. Enquanto existe um histórico de tantas mulheres no campo da astronomia, ainda existem muito poucas atuando em minha área. Eu percebo que sou notada como uma ‘estrangeira’, porque não existem muitas de nós neste campo. Eu tenho orgulho de ser um exemplo para jovens mulheres interessadas em ciências e espero ansiosamente o dia em que teremos um número igual de mulheres e homens cientistas nos segmentos de cosmologia e astrofísica”, relatou ao TED-Fellows.

2) Janet Iwasa – animadora molecular

Sabemos que existem processos moleculares, mas é impossível observá-los diretamente. O trabalho da animadora molecular Janet Iwasa é criar animações coloridas em 3D para ilustrar como moléculas são, se movimentam e interagem. A tecnologia permite que cientistas visualizem suas hipóteses e transmitam informações científicas complexas de um modo mais prático e visual. Ela usa tecnologia de ponta para criar os próprios trabalhos, mas também contribuiu para a comunidade científica, com a criação do Molecular Flipbook, um software gratuito e aberto de animação 3D que permite que cientistas criem modelos de hipóteses moleculares.

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3) Katie Hunt – paleo-oncologista/arqueóloga

Diagnosticada com câncer de ovário aos 22 anos, a doença despertou nela uma curiosidade mais profunda sobre suas origens. Através de suas pesquisas, Hunt descobriu a presença do câncer na antiguidade, há cerca de 1.500 anos antes de Cristo, além de restos mortais de 6 mil anos antes de Cristo em que há indícios da presença da doença nestes tempos remotos, mas ainda não existiam ferramentas com rigor científico para essa comprovação. Em parceria com as também cientistas Casey Kirkpatrick, Jennifer Willoughby e Roselyn Campbell, Hunt lançou a Organização de Pesquisa Paleo-Oncológica, que consiste em uma rede de arqueólogos, oncologistas e pesquisadores do câncer trabalhando para desenvolver padrões e técnicas de pesquisa científica neste sentido.

A organização conta com uma base de dados aberta de evidências físicas da existência do câncer em diferentes eras e regiões do planeta. Este tipo de pesquisa trará interesse e questões sobre como biologia, cultura e ambiente afetam o desenvolvimento da doença, caminho que levará a entender melhores prevenções e tratamentos.

4) Kristen Marhaver – bióloga de corais

Residente em Curaçao, a bióloga marinha Kristen Marhaver pesquisa como corais se reproduzem e o que os mais jovens precisam para sobreviver nos recifes de hoje. Corais batalham para suportar poluição, excesso de pesca e mudanças climáticas. Através da coleta de ovas e a criação das larvas em laboratório, Marhaver e seus colegas analisam as preferências de corais e analisam o que é preciso para construir ambientes favoráveis para o estabelecimento de corais na vida selvagem.

5) Marcela Uliano da Silva – bióloga computacional 

Mexilhões dourados trazidos para a América do Sul por uma corrente aquática asiática ameaçam destruir o ecossistema do Rio Amazonas. A bióloga computacional Marcela Uliano da Silva está sequenciando o genoma do mexilhão para desenvolver uma solução genética que previna os mexilhões de se prenderem a substratos. O trabalho dela é uma corrida contra o tempo. Os mexilhões chegaram à América do Sul nos anos 1990, asfixiando o rio, alterando o ecossistema do rio e prejudicando indústrias e infraestruturas locais. Eles estão há somente 150 quilômetros do primeiro rio da bacia amazônica, se chegar até lá, pode se espalhar e isso tornar-se um verdadeiro desastre para a Amazônia e a saúde do planeta.

“Enquanto meu trabalho como cientista não tornou-se conhecido eu senti, em alguns momentos, o precoceito: a objetificação, o discrédito. A única coisa que eu conseguia pensar é que esse tipo de comportamento acontecia baseado em insegurança. As pessoas têm medo de mudança, enquanto mudança é o que faz a humanidade evoluir de formas extraordinárias. A ciência já nos mostrou que cada indivíduo, independente de origem ou gênero, tem potencial para ser criativo como qualquer outro”, afirmou.

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6) Jedidah Isler – astrofísica

A cientista estuda buracos negros supermassivos e hiperativos. O objeto de estudo dela tem uma capacidade mil vezes maior de devorar materiais cósmicos do que um buraco negro supermassivo médio. “Nesta foto, eu vejo o futuro. Eu vejo diversas exploradoras, formadoras de opinião, construtoras, conquistadoras que estão usando seu incrível intelecto para melhorar o mundo no qual vivemos. Como uma mulher negra na comunidade científica, eu vejo a oportunidade de acrescentar a minha voz no coro de mulheres que estão redefinindo o que significa ser cientista ou fazer trabalho científico. É uma honra e privilégio estar ao lado dessas mulheres, mas ainda mais, de estar aqui como exemplo para a próxima geração. Eu espero que todas as jovens mulheres do mundo todo se vejam representadas de alguma forma nesta imagem”, afirmou a astrofísica.

cientistas-mulheresCrédito: Shutterstock

7) Laura Boykin – bióloga computacional

Pequenos fazendeiros da África dependem da mandioca para sustento próprio e como fonte de renda, mas a raiz está ameaçada pela mosca branca, inseto que transmite um vírus fatal para a planta. A bióloga computacional Laura Boykin usa conhecimento sobre genoma, supercomputação e filogenética para identificar espécies de moscas brancas, reunindo as informações necessárias para os pesquisadores modificarem a mandioca para resistir aos insetos e ao vírus. Para acelerar o progresso, Boykin lançou o Whitefly Database- a primeira base de dados com informações genéticas sobre moscas brancas – na esperança de erradicar o inseto e trazer mais segurança para a alimentação no leste da África.

“Ser uma mulher na ciência pode ser solitário. Quando eu vejo essa imagem, eu percebo que nunca estarei sozinha de novo. Eu também penso a respeito de jovens mulheres na ciência que podem crescer conosco, pois estamos criando essa escada, não puxando-a, como tantos outros já fizeram”, acrescentou.

8) Patricia Medici – bióloga conservacionista 

A conservacionista brasileira dedicou sua vida em favor da preservação da vida e habitat da anta, o maior mamífero terrestre da América do Sul. Apesar de não ser muito conhecida, a anta é importante para o seu ecossistema por ser uma espécie de guarda-chuva para as espécies. Protegê-los implica em resguardar também queixadas, onças-pintadas e pardas. Antas também ajudam a distribuir sementes dos alimentos que eles comem, moldando e mantendo a estrutura das florestas. Infelizmente, o animal está ameaçado pelo desmatamento, caçadas e ainda lidam com o revés de serem animais muito vulneráveis, em função do longo período gestacional.

“Eu comecei meu trabalho com antas em 1996, quando foi lançado um trabalho pioneiro e nós não tínhamos praticamente nenhuma informação sobre o animal. Eles são extremamente difíceis de estudar, principalmente porque têm hábitos noturnos, são solitários. Era o que mais me fascinava. Não é fácil ser uma mulher no mundo da conservação e requer um nível significativo de comprometimento para passar longos períodos em campo, longe de casa e da família. Também requer força física e psicológica para lidar com as dificuldades do trabalho e da vida selvagem – sem falar nos mosquitos, carrapatos e moscas”, relatou.

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9) Lucianne Walkowicz – astrônoma

A astrônoma estelar Lucianne Walkowicz trabalha com informações para a missão Kepler da Nasa, estudando estrelas que hospedam planetas fora de nosso sistema solar, e de que forma a radiação estelar influencia como a vida pode prosperar nesses lugares. Lucianne também monitora conjunto de dados astronômicos, em busca de sinais de vida inteligente no fora da Terra, além de ser líder em um projeto que pretende escanear o céu todas as noites por dez anos, com o objetivo de criar um enorme filme cósmico do Universo.

“Procurar por mundos habitáveis e vida no Universo realmente me fazem valorizar o nosso planeta. Nossos desafios e oportunidades são tão grandes, nós precisamos das mentes mais brilhantes para criar o futuro da forma que nós queremos enxergá-lo, e isso significa tornar a ciência aberta e acessível a todos”, acrescentou.

10) Julie Freeman – artista e cientista da computação

A britânica cria esculturas cinéticas, composições e animações gerados de uma base da natureza, como movimento dos peixes nadando, ou o barulho do movimento de mariposas. “Eu uso tecnologia digital como uma ponte de comunicação entre a natureza e nós mesmos. Faço arte que me permite ser curiosa sobre a natureza em diferentes maneiras e posso compartilhar essa curiosidade. O que existe nos sistemas naturais que os tornam tão atraentes? Como podemos compreender o fenômeno que existe além da nossa experiência sensorial? Tecnologia nos permite adentrar em elementos escondidos de sistemas biológicos, e nos permite experimentar as coisas de uma nova maneira”, explicou.

“Uma das coisas que eu estou cada vez mais consciente é a multiplicidade de papeis que desempenhamos. Sou uma artista e uma cientista. Uma nadadora e uma porta-voz. Uma consultora e uma empresária. Eu sou tímida e eloquente. Eu não acredito que nenhuma de nós representa somente um papel ou gênero. Nós queremos receber respeito e oportunidades iguais para fazer tudo aquilo que somos boas, sem as brigas, sem as justificativas que nós involuntariamente damos”.

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11) Michelle Koppes –  glaciologista

A cientista viaja para os lugares mais gelados do planeta para estudar geleiras: como elas se movimentam, formam vales e montanhas e respondem a atmosferas mais quentes, oceanos e rochas. Além disso, ela avalia como essas mudanças afetam terras firmes, recursos aquáticos e biodiversidade. Sua pesquisa única no Himalaia preenche lacunas da falta de registros de mudanças glaciais e pode ajudar populações vulneráveis a se adaptarem a mudanças de padrões climáticos.

“Como mulher, eu constantemente preciso provar que não sou só cientificamente capaz, mas dura o suficiente para ir a campo, nos ambientes hostis da minha pesquisa. Fazer ciência do jeito certo inclui lidar com várias tentativas fracassadas e, além disso, mulheres ainda precisam se impor para ocuparem um lugar legítimo à mesa. Chegou a hora de mulheres e homens descartarem os estereótipos culturais do que um cientista deve ser. Todos nós podemos ser curiosos, creativos, inteligentes, racionais, motivados, bem-sucedidos, parceiros e pais amorosos, brincalhões, colegas de trabalho engajados e cidadãos”, finalizou.

12) Sheila Ochugboju KaKa – virologista

Criada na região rural da Nigéria, a virologista forçosamente passava muito tempo dentro de casa, em consequência de um ambiente selvagem e hostil. O contexto aguçou sua curiosidade em conhecer essas coisas invisíveis que podiam matar uma criança com muita facilidade: vírus, bactérias ou escorpiões na areia. Essa curiosidade a levou a estudar o baculovírus em uma pesquisa de pós doutorado da Universidade de Oxford, investigando a engenharia genética como um modo de produzir comercialmente biopesticidas.

Atualmente, ela é uma comunicadora de ciências e uma especialista internacional em desenvolvimento, promovendo a interseção entre arte e ciência. “É incrível estar entre um grupo tão diverso de mulheres cientistas, que nelas mesmas exemplificam o poder que diferentes perspectivas, habilidades, experiência e herança cultural trazem para qualquer disciplina. Também me sinto encorajada por depois de quase 20 anos depois de ter conquistado meu PhD em bioquímica, a imagem da mulher na ciência está finalmente mudando. Que mudança maravilhosa isso faz”.

Foto de destaque: Bret Hartman/TED

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