3 impactos diretos do aumento dos juros em nosso cotidiano

3 impactos diretos do aumento dos juros em nosso cotidiano

Recentemente nós acompanhamos que o governo novamente aumentou a taxa básica de juros do país (agora em 12,75%), com a intenção de tentar segurar a inflação alta. Nós sabemos que a economia não vai bem e que medidas como essa acabam gerando um impacto em nossos bolsos, mas será que estamos vendo de forma clara como esses efeitos acontecem no dia a dia?

Os juros altos acabam impactando nos preços de um jeito claramente visível ou de forma oculta, como mostra o professor de economia da IBE-FGV, Paulo Grandi. Um dos exemplos em que o peso dos juros fica claro, é no caso de qualquer tipo de empréstimo ou financiamento. “Quando a pessoa financia algo, ela precisa ter em mente que está comprando um bem e o financiamento também. Quando você separa os juros, dá para ver qual é o peso deles dentro do orçamento”, explica.

Crédito mais caro

Para quem está com o orçamento muito apertado ou no vermelho com as contas, este é o momento de levar ainda mais a sério a renegociação o quanto antes. No início de março o SPC Brasil divulgou uma pesquisa com o perfil do brasileiro inadimplente, o qual tem mais de sete vezes o valor de sua renda comprometido com dívidas atrasadas. O estudo mostrou que, em média, os inadimplentes demoram cerca de dois anos para buscarem uma renegociação, prazo que faz com o que o valor inicial da dívida aumente em cerca de 70%.

Com os juros mais altos, todo o comprometimento com parcelas de empréstimos, financiamentos, etc, acaba saindo mais caro. A situação é ainda mais grave para quem cai na cilada do pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito, que cobra juros extremamente altos. No início do ano, a média de juros cobrados pelos cartões era de 11,22% ao mês, ou seja, 258% ao ano!

Alimentos, serviços e importados

Um outro exemplo que acaba impactando nossos bolsos diariamente é a forma como os juros altos afetam os preços dos alimentos, como detalha o professor. “Para o produtor de alimentos, até que sua safra dê resultados, ele precisa de insumos e deixar o dinheiro investido na produção. Neste período, diversos fatores podem influenciar na qualidade da safra e ocasionar perdas. Por isso, ele precisa ser remunerado por este risco que corre e a forma mais comum de fazer essa remuneração é através dos juros”, detalha.

Para quem percebe os preços mais caros nas gôndolas, isso não é perceptível. Mas a explicação é plausível, por exemplo, se você imaginar o preço do tomate muito caro influenciado por uma colheita ruim – em função de fatores climáticos – aliado ao contexto de juros altos.

Da mesma forma, alguns serviços que utilizamos no cotidiano dependem indiretamente do crédito. Por exemplo, o preço que você paga por um corte de cabelo pode incluir o custo que o cabeleireiro tem para arcar com as despesas de um empréstimo tomado para abrir o salão de beleza. Se o crédito fica mais caro em função dos juros altos, esse aumento nos custos é repassado nos preços cobrados aos consumidores.

O professor destaca ainda que 25% do mercado brasileiro é composto por produtos importados. O preço final desses produtos ao consumidor é afetado não só pelo aumento do dólar, mas também pela elevação dos juros.

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Juros nas compras

Quem cai naquela cilada de X parcelas sem juros, pode abrir os olhos porque os preços não ficam imunes ao aumento da taxa. “Existem duas formas de cobrar esses juros, divulgado isso abertamente ou imbutindo no valor final, mas toda compra a prazo sofre influência do aumento dos juros”, ressalta o especialista.

Neste sentido, quem tem condições de comprar algum produto à vista – visando garantir algum desconto – precisa fazer as contas na hora de negociar para saber se realmente está conseguindo uma redução de preço ou se está apenas descontando os juros cobrados por aquele produto.

Mudança de comportamento

Tendo em vista o contexto e a forma como os juros afetam os preços no dia a dia – as vezes de forma perceptível, em outras de forma oculta – é preciso reforçar a cautela na hora de lidar com os gastos. “Quem está com o orçamento apertado não pode mais tomar nenhuma decisão sobre compras usando a emoção, agora só cabe a razão. É frear o consumo e pensar sempre no dinheiro que é preciso manter como reserva, porque imprevistos sempre podem acontecer”, finaliza o especialista.

 

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