72% dos jovens não guardam dinheiro, diz pesquisa

72% dos jovens não guardam dinheiro, diz pesquisa

Se guardar dinheiro é uma grande dificuldade para a população brasileira, para a parcela mais jovem não seria diferente. É o que mostrou uma pesquisa do banco Neon, que apontou que 72% dos entrevistados não poupam.

Segundo o levantamento – feito com 1.000 pessoas de 18 a 35 anos –, 55% dos jovens disseram que não sobra dinheiro para investir. É o caso da securitária Camila Alves Lopes, 25 anos, que tem enfrentado dificuldades para dar conta de pagar tudo por conta do aumento geral de preços. “De um ano para cá, não tem sobrado nada. Inclusive, tive que usar até mesmo minhas economias para que eu pudesse me manter”, diz.

Por que poucos jovens guardam dinheiro?

A falta de dinheiro é a causa mais comum, mas não a única. Nessa fase da vida, a renda ainda é baixa e prefere-se dar prioridade a investimentos em si mesmo, como cursos para alavancar a carreira ou até mesmo viagens.

“Também não podemos negligenciar o fato de que os jovens, muitas vezes, desconhecem suas despesas, e privilegiam o consumo no presente frente às possibilidades de consumo no futuro, o que torna difícil gerenciar gastos e efetuar reservas”, afirma Juliana Inhasz, professora de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

A falta de conhecimento técnico é o motivo pelo qual 22% dos entrevistados não investem. Já 15% afirmam não contar com uma solução adequada de planejamento financeiro.

Além de todos estes fatores, muitos especialistas também creditam o fenômeno à pouca disciplina que o brasileiro têm para poupar dinheiro. “As gerações anteriores não tinham este hábito por causa de acontecimentos como a hiperinflação, que deixaram a visão financeira muito voltada para o curto prazo. Então, o costume de poupar não foi passado aos mais jovens, e isso só pode ser mudado com educação financeira”, explica Rodrigo Okimura, professor da Faculdade Fipecafi.

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Disciplina é algo que a designer Maristela Caires, de 31 anos, tem de sobra. Por ser freelancer, sua renda varia muito, impedindo que ela guarde uma quantia fixa. “Depois de pagar as contas, vejo o que sobra e guardo um pouco. Isso pode ser R$ 100, R$ 50 ou mesmo R$ 20”, relata.

Para ela, a melhor parte de conseguir guardar dinheiro sendo freelancer é estar mais próxima da estabilidade financeira que ela tinha quando era trabalhadora CLT. “Como minha renda não é fixa, sempre tenho medo de não ter dinheiro para pagar todas as contas. Mas, com essa reserva, o risco de passar perrengue é bem menor”, garante.

Poupança ainda é a favorita

A mesma pesquisa apontou que, dos poucos jovens que juntam dinheiro, 58% utilizam a poupança. “É mais fácil para efetuar resgate caso eu precise do dinheiro para uma emergência”, justifica a auditora Graciane Oliveira, de 27 anos. Ela é fiel ao costume de guardar dinheiro todo mês – apesar de estabelecer um valor fixo, acaba se permitindo a certa flexibilidade quando tem gastos extras.

O que Graciane experimenta na prática é confirmado por especialistas: por ser atrelada à conta corrente, é muito fácil aplicar e resgatar os valores, já que sua liquidez é praticamente imediata. “Juntou-se a facilidade de aplicar ao perfil conservador que o brasileiro tem quando se fala em investimentos. Ela passa segurança, mesmo para os mais jovens”, aponta Okimura.

A falta de conhecimento sobre as alternativas mais rentáveis também tem grande papel na preferência nacional. “As pessoas ainda acreditam que os investimentos mais rentáveis são, no geral, muito mais arriscados e não possuem liquidez alguma no curto prazo, por exemplo. Ou ainda que, para se investir em algo diferente da poupança, é necessário que o capital inicial seja muito elevado, o que são verdadeiros mitos”, assegura Juliana.

Como incentivar os jovens a guardar dinheiro

A pesquisa ainda analisou os pontos que estimulariam os entrevistados a se organizar financeiramente: 29% poupariam para obter uma vida financeira saudável, 18% para não se endividar, 14% para diminuir dívidas atuais e 10% para comprar algo muito desejado.

“Ter um plano de médio ou longo prazo sempre facilita no planejamento. A aquisição do carro, uma viagem nas férias, um período de intercâmbio fora do País, ou mesmo decidir morar sozinho ou com os amigos, tudo isso estimula os jovens a guardarem um pouco da sua renda no presente para planejar melhor o futuro”, expõe Juliana.

Além disso, é preciso facilitar a vida para que os jovens adotem de vez o hábito de guardar dinheiro. “A população, em geral, é carente de soluções práticas que ofereçam uma experiência mais agradável. Por isso, é necessário elaborar produtos que ajudem neste sentido”, afirma Alexandre Alvares, CMO do banco Neon.

Felizmente, cada vez mais as novas gerações têm acesso a informações, plataformas digitais e aplicativos que ajudam na tarefa. “Existe um movimento no mercado para que se dê acesso a produtos que vão, de fato, facilitar os investimentos, ajudar na questão da disciplina e também difundir a educação financeira”, finaliza Okimura.

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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