8 homens têm a mesma riqueza que metade da população do planeta

8 homens têm a mesma riqueza que metade da população do planeta

Apenas 8 homens, os mais ricos do mundo, têm controle sobre a mesma riqueza que a metade mais pobre do planeta. Eles detêm uma riqueza líquida de US$ 426 bilhões. Apresentados no relatório “Economia para os 99%”, da Oxfam, confederação de ONGs de 94 países que atuam pelo fim da pobreza, esses dados escancaram o nível de desigualdade de renda no mundo.

O mais preocupante disso tudo, entretanto, talvez seja o fato de que essa desigualdade só tem se intensificado: em janeiro de 2014, a Oxfam estimou que 85 pessoas detinham a riqueza da metade mais pobre do mundo. No ano passado, esse número caiu para 62. E, neste ano, chegou a 8.

Outros dados mostram que, desde 2015, o 1% mais rico do mundo detêm o mesmo volume de riqueza que os demais 99%, e que a renda dos 10% mais pobres aumentou cerca de US$ 65 por ano entre 1988 e 2011, enquanto a dos 1% mais ricos aumentou 182 vezes. Na perspectiva da instituição, esses cálculos ilustram “o nível obsceno de desigualdade” ao qual chegamos.

“Se nada for feito para combatê-la, a desigualdade crescente pode desintegrar nossas sociedades. Ela aumenta a criminalidade e a insegurança e mina o combate à pobreza. Ela gera mais pessoas vivendo com medo do que com esperança”, diz o estudo.

Entre as causas apontadas para intensificação da concentração estão: o empenho das empresas em trabalhar pelos mais ricos, o arrocho salarial de trabalhadores e fornecedores, a priorização do retorno dos acionistas, a evasão fiscal e sonegação de impostos.

O estudo afirma, ainda, que “o desenho e a estrutura das nossas economias e os princípios que dão base a decisões econômicas nos levaram a essa situação extrema, insustentável e injusta” e que “nossa economia precisa parar de recompensar excessivamente os mais ricos e começar a funcionar em prol de todas as pessoas”.

Mulheres são as mais prejudicadas
Um dos paradigmas que o relatório se propõe a quebrar é de que “o nosso modelo econômico é neutro em relação ao gênero”: a conclusão é de que, no mundo, as mulheres tendem a se concentrar na metade inferior da distribuição de renda.

“Um número desproporcionalmente mais alto de mulheres ocupa empregos menos seguros e mais mal remunerados e elas também ficam responsáveis pela maior parte do trabalho não remunerado de cuidar de filhos e de outras pessoas no lar – que não é contabilizado no PIB, mas sem o qual nossas economias não funcionariam”, afirma o estudo.

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Os dados mostram que cortes nos serviços públicos, na segurança, no emprego e em direitos trabalhistas afetam mais as mulheres. No mundo, as chances de mulheres participarem do mercado de trabalho ficam quase 27 pontos percentuais abaixo das observadas para os homens. Quando entram no mercado, a probabilidade de não serem protegidas pela legislação trabalhista é maior do que a dos homens. Em empregos formais, as mulheres ganham de 31 a 75% menos do que os homens.

O estudo mostra também que essas diferenças permanecem inclusive em economias avançadas, nas quais, embora as disparidades de escolaridade tenham desaparecido, os homens continuam a dominar grupos de renda superiores.

E como chegar lá?
Para a Oxfam, a construção de uma sociedade mais justa passa pela criação de uma economia humana, que beneficie a população como um todo e não apenas o grupo mais privilegiado de cada país.

“Uma economia humana teria alguns ingredientes fundamentais concebidos para eliminar os problemas que contribuíram para a crise de desigualdade que enfrentamos atualmente”, diz o estudo. O relatório aponta alguns desses “ingredientes”:

1. Os governos trabalharão para os 99%.
2. Os governos cooperarão, ao invés de apenas competir.
3. As empresas trabalharão em benefício de todos.
4. A extrema riqueza será eliminada para que a extrema pobreza possa ser erradicada.
5. A economia operará em favor de homens e mulheres igualmente.
6. A tecnologia será colocada a serviço dos 99%.
7. A economia será movida por energias renováveis sustentáveis.
8. O que realmente importa será valorizado e mensurado (mensurar o progresso humano com base em diversas medidas alternativas disponíveis, além do PIB).

 

Fotos: Shutterstock
Foto Mark Zuckerberg: Frederic Legrand – COMEO / Shutterstock, Inc.

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