A agressão a uma mulher que repercutiu no mundo inteiro

A agressão a uma mulher que repercutiu no mundo inteiro

Nós não sabemos quantas de vocês gostam ou se interessam por futebol americano, mas acredito que todas devem concordar que qualquer esporte deve trazer um bom exemplo para a sociedade como um todo, principalmente aqueles com grande apelo popular. Bom, o esporte pode não ser tão popular no Brasil, mas nos Estados Unidos produz praticamente o mesmo efeito de massa que o nosso futebol aqui. E um escândalo envolvendo um jogador de futebol americano em um grave caso de violência doméstica trouxe consequências que merecem ser repercutidas no mundo inteiro.

Para quem ainda não acompanhou o assunto, no início desta semana o jogador Ray Rice, da equipe do Baltimore Ravens, time que faz parte da NFL (National Football League), foi demitido e suspenso da liga por tempo indeterminado, como punição por ter agredido a mulher dentro do elevador de um hotel. A agressão aconteceu em fevereiro deste ano, mas somente na última segunda-feira veio a público um vídeo em que o atleta aparece dando um soco no rosto da mulher depois de uma discussão entre os dois. Ela desmaiou logo em seguida e foi arrastada para fora do elevador por Rice.

Até então, a NFL havia punido o jogador com somente dois jogos de suspensão, reação que foi criticada de forma veemente pelos fãs do esporte e também por outros jogadores da liga.

Com o surgimento do vídeo, a equipe do Baltimore Ravens anunciou a demissão do jogador e a NFL emitiu nota dizendo que o vídeo não tinha chegado ao conhecimento da Liga até segunda-feira. Com base no episódio, a NFL também aumentou o rigor das punições para qualquer jogador que se envolver em casos de violência doméstica. As penalidades podem variar de seis jogos de suspensão até a expulsão definitiva do agressor da Liga.

Repercussão do caso

A gravidade da situação fez com que a Casa Branca se manifestasse publicamente a respeito do fato. Na noite de segunda-feira, o porta-voz do presidente Barack Obama, Josh Earnest, publicou a seguinte nota: “O presidente é pai de duas filhas. E como qualquer americano, ele acredita que violência doméstica é desprezível e inaceitável em uma sociedade civilizada. Bater em uma mulher não é algo que um homem de verdade faça, e isso é válido independente da violência vir à tona em público ou, entre portas fechadas, como acontece com mais frequência. Acabar com a violência doméstica é algo maior do que o futebol e todos nós temos responsabilidade em colocar um fim nisso”.

A liga de futebol canadense também apoiou a decisão da NFL e afirmou publicamente que o jogador não poderá jogar profissionalmente no país vizinho.

Logo após a decisão da NFL ter sido anunciada, várias lojas receberam devoluções de artigos esportivos relacionados ao nome do jogador, como camisas com o nome dele. Uma pizzaria de Baltimore fez inclusive uma ação promocional em protesto contra violência doméstica, oferecendo aos clientes trocar camisas do jogador por pizzas.

 

O exemplo dado

Observar uma punição rigorosa e a repercussão entre diversos setores a respeito de um episódio triste como este é como ver uma luz começando a surgir no fim do túnel. Na semana passada, a decisão do  Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD)  de excluir o Grêmio da Copa do Brasil –  como punição às ofensas racistas feita pela torcida gremista ao goleiro Aranha –  foi vista com bons olhos.

Da mesma forma como ocorreu no caso de racismo, o mínimo desejável seria que observássemos no Brasil punições rigorosas a jogadores de futebol ou quaisquer figuras públicas envolvidas em casos de violência contra mulheres, a exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos. Dados da campanha federal Compromisso e Atitude mostram que cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos no Brasil. O ponto aqui é perceber a proporção que os atos cometidos por alguém com vida pública tem sobre a sociedade como um todo, é uma mensagem com grandes proporções.

Assim como nós enaltecemos o jogador de futebol Daniel Alves por dar uma resposta à altura quando foi ofendido com uma banana em campo, é preciso que tenhamos um exemplo para dar quando a questão for punir alguém que agride uma mulher. O caso que repercutimos hoje aconteceu em outro país, mas a visibilidade da questão ultrapassou fronteiras. Que o exemplo dado por lá sirva de norte para uma mudança de cultura a respeito do tema também por aqui. Dizem que o povo brasileiro tem memória curta, mas com uma realidade tão alarmante, não cabe esquecimento para este tema.

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