A escritora que tem feito o mundo enxergar os direitos femininos

A escritora que tem feito o mundo enxergar os direitos femininos

“O problema do gênero é que ele descreve como devemos ser em vez de reconhecer quem somos”. A frase é da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Aliás, ela vai além e sugere ainda um questionamento: Imagine como poderíamos ir mais além se o gênero não ditasse quem deveríamos ser?

Reconhecida como um grande nome da literatura africana, Chimamanda vem ganhando notoriedade por trazer a discussão dos ideais feministas de uma forma mais abrangente, sem estereótipos e destacando a importância de homens e mulheres abrirem a mente para a mudança de posturas culturais que atrapalham no processo de equiparação de direitos entre os dois gêneros.

Em palestra sobre o assunto, ela conta como percebeu sua inclinação ao feminismo em discussões sobre situações cotidianas na conservadora sociedade nigeriana. Situações que sofrem adaptações de um continente para o outro, mas em geral acabam afetando a vida de mulheres do mundo inteiro.

Entre os exemplos citados, ela fala desde situações que acontecem no dia a dia, como o recepcionista de um restaurante dirigir-se somente ao homem para conduzir a uma mesa, acreditando que será ele o responsável pela despesa, até situações ainda mais complexas, como as diferenças na criação de meninos e meninas e as disparidades que acontecem no mercado de trabalho.

Espalhando a palavra

As palavras de Chimamanda realmente têm força. E o mais importante é que suas ideais vem ganhando popularidade. Prova disso foi o que aconteceu durante a apresentação da cantora pop Beyoncé no MTV Video Music Awards. Bem como já havia feito em outras apresentações, a diva pop cantou a música “Flawless” com trechos do discurso da nigeriana sobre o femininismo (a partir de 10m).

No telão do palco, para uma enorme plateia presente, fora os milhões de espectadores que viram o show pela TV ou internet, Beyoncé deu destaque ao seguinte trecho de um discurso de Chimamanda:

“Nós ensinamos as garotas que elas não podem ser sexuais da mesma forma como são os garotos. Nós ensinamos as garotas a se encolherem, a se diminuírem. Nós dizemos para as garotas: vocês podem ter ambição, mas não muita. Vocês podem ser bem sucedidas, mas não tão bem sucedidas, caso contrário vocês vão ameaçar os homens. Feminista: a pessoa que acredita na igualdade política, econômica e social dos sexos”. O episódio também foi comemorado pelas meninas do Lugar de Mulher.

A importância de tudo isso

O alcance das palavras de Chimamanda é uma vitória para todas nós, por isso achamos importante dedicar este espaço para tratar do assunto. Fica aqui o convite para assistir a palestra em que ela fala sobre o tema e faz uma interessante proposta: e se nós focássemos a educação das nossas crianças nas habilidades e interesses que elas têm, em vez de priorizarmos as determinações de gênero?

Quer um exemplo de como essa correlação interfere em nossa vida como um todo? Quando pequenas, as meninas são incentivadas a brincar de casinha, a usar brinquedos que tenham relação com tarefas domésticas. Já na adolescência, são incentivadas a dominar atributos culinários e afazeres domésticos para que, futuramente, saibam cuidar da casa quando se casarem. O grande problema é que mais tarde, já formada e preparada para o mercado de trabalho, ela e o homem vão ocupar o mesmo cargo dentro de uma empresa, porém em grande parte dos casos ela ainda se sente responsável por fazer isso e continuar cuidando do lar.

Os homens e mulheres que fogem desse padrão infelizmente ainda não são maioria, mas é discutindo este tema com frequência que as mudanças vão aparecendo. E se as tarefas domésticas forem ensinadas da mesma forma para meninos e meninas desde cedo, para que futuramente eles dividam as responsabilidades de um modo mais igualitário? E se pararmos de rotular brinquedos e deixarmos às crianças completamente à vontade para escolher entre carrinhos e bonecas? Todas essas mudanças lhe parecem difíceis demais? Pois lembre-se que há algumas gerações as mulheres de sua família também não imaginavam que teriam direito ao voto, mas conseguiram essa conquista.

Para fechar a reflexão, deixo mais uma contribuição de Chimamanda. Quando pensarmos que algo é difícil demais para mudar, lembremos sempre dessas palavras: “A cultura não faz pessoas, as pessoas fazem cultura”.

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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