A força feminina para mover a economia

A força feminina para mover a economia

Você já imaginou qual é o peso da força feminina no mercado de trabalho? Se é uma questão que não lhe passa pela cabeça, vale a pena gastar um tempinho lendo com calma uma matéria recentemente publicada pela revista Exame, sobre a falta que estão fazendo as mulheres no Japão e na Coreia do Sul.

Veja bem, se por um lado a Coreia do Sul demonstrou dinamismo ao sair do patamar de subdesenvolvimento na década de 1970 para tornar-se um país rico na atualidade, por outro a economia do país enfrenta um problema urgente: nenhum país tem envelhecido tão rápido. Já a partir de 2018 a Coreia vai começar a perder sua força de trabalho. Diante deste difícil contraste, vem o maior dos absurdos: apesar do alto nível de escolaridade da população, metade das mulheres coreanas  de 15 a 64 anos não trabalham.

Por questões culturais, elas continuam em casa, enquanto poderiam estar ajudando uma economia com enorme potencial de crescimento. A situação de desigualdade de salários na Coreia do Sul é uma das maiores entre os países ricos, as mulheres chegam a ganhar 40% menos que os homens.

Tentativas de mudanças

No Japão a situação não é muito diferente. Também sob a pressão da rapidez do envelhecimento da população, o primeiro-ministro Shinzo Abe pretende criar cerca de 400 mil vagas em creches até 2017. Cientes do problema que precisam atacar, os dois países adotaram políticas para incentivar a participação das mulheres no mercado de trabalho.

Só que neste caso não estamos falando em equivalência de salários entre os sexos, mas algo que é fundamental para que a maioria das mulheres se disponham a trabalhar fora de casa: a garantia da manutenção do emprego durante o período de licença maternidade. Algo tão primordial é recente nos dois países, que precisam ainda superar as rígidas amarras culturais que também prejudicam o posicionamento do público feminino no mercado de trabalho.

Se fizermos uma comparação, no Brasil a situação é um pouco melhor, mas ainda longe do desejável. A garantia da licença maternidade pelo período de cinco meses surgiu apenas ao fim da década de 1980, com a constituição de 1988. Antes disso, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garantia apenas três meses de licença. Somado a isso, está ainda o fato de que apenas 60% das brasileiras estão inseridas no mercado de trabalho e que ainda temos um longo caminho a percorrer quando o assunto é educação e capacitação – quesitos que os países asiáticos em questão tiram de letra.

a força feminina no mercado de trabalho

Outra realidade

Para dar uma noção da gravidade do tema, uma pesquisa citada na matéria, elaborada pela consultoria Booz&Co., o PIB japonês poderia chegar ao patamar de 9% até 2020 se a participação feminina no mercado de trabalho fosse igualada à dos homens, uma verdadeira mina de ouro em um país que tem uma economia de US$ 5 trilhões.

Tanto no Brasil quanto nos dois países asiáticos, o ideal seria seguir o modelo adotado pela Holanda, que em 30 anos ampliou de 35% para 80% a participação das mulheres no mercado de trabalho.

O que podemos concluir é que, no fim das contas, é alto o preço de manter a cultura engessada e usar deste argumento para manter as mulheres fora da economia. Se a mudança não vem por vontade própria de cada governo, elas acabam sendo impostas pelo contexto. Pelo visto, os problemas demográficos serão o impulso para que as mulheres japonesas e coreanas sintam-se motivadas superarem as questões culturais e ingressem de vez para o mercado de trabalho.

 

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