A memorável trajetória da CEO mulher mais bem paga dos EUA

A memorável trajetória da CEO mulher mais bem paga dos EUA

A coragem para explorar o mundo ignorando a existência de padrões vem tornando a história de Martine Rothblatt cada vez mais memorável. Um extenso perfil a respeito da trajetória dela foi publicado recentemente na New York Magazine, espaço mais que justificável, tendo em vista a relevância de tudo que ela já conquistou.

Filósofa, escritora, advogada e empresária, ela começou a carreira advogando sobre direito espacial, posteriormente fundou a Sirius Rádio Satélite e em outro momento ingressou na indústria farmacêutica, ao fundar a United Therapeutics, companhia hoje avaliada em US$ 5 bilhões. A união entre ciência e tecnologia é a grande motivação de Martine, hoje considerada a CEO mulher mais bem paga dos Estados Unidos, superando o patamar de outros grandes nomes no mundo corporativo, como Marisa Mayer (CEO do Yahoo), e Meg Whitman (CEO da Hewlett-Packard). Somente no ano passado, Martine faturou US$ 38 milhões. A diversidade de caminhos tanto no âmbito profissional quanto pessoal destacam ainda mais a história da poderosa empresária. Martine é uma mulher transexual e transumanista. Para quem ainda conhece não o último termo, o transumanismo é uma linha filosófica contemporânea que incentiva o uso da ciência e da tecnologia para superar limitações do corpo humano.

Carreira

À reportagem do New York Magazine, Martine conta que desde criança teve um ávido interesse por tudo que era diferente. Membro da única família judia em uma comunidade hispânica no subúrbio de São Diego, sempre se interessou por todo tipo de leitura e chegava a passar todo o período das férias escolares lendo livros diversos. Na escola, no entanto, não era exatamente uma pessoa entusiasta. Pouco tempo depois de ingressar na Universidade da Califórnia (UCLA), trancou o curso porque sentia a necessidade de viajar e explorar o mundo. E foi exatamente o que fez, mesmo com pouco dinheiro no bolso. No período em que passou fora, conheceu as ilhas Seychelles, viagem que foi fundamental para sua carreira.

Foi nesta oportunidade, ainda em 1974, que conheceu uma estação da Nasa e se encantou com a possibilidade de explorar a comunicação via satélite. De volta à UCLA, formou-se em direito e administração e seguiu para Washington D.C., onde especializou-se em direito espacial, até então uma área pouco explorada. A expertise no assunto levou ao nascimento da Sirius, empresa que lhe enriqueceu e hoje é uma gigante no mercado de rádio por satélite.

Martine-Rothblatt/reprodução twitter

A transição sexual e para o mercado farmacêutico

No mesmo período em que se preparava para a transição sexual, Martine enfrentou um grave problema familiar. Jenesis, a mais nova de seus quatro filhos desenvolveu uma rara doença pulmonar, que exigia um tratamento agressivo e com poucas possibilidades de diversificação. Por um lado, o total apoio que recebeu da esposa Bina Aspen quanto à questão da cirurgia de mudança do sexo masculino para o feminino fortalecia ainda mais Martine. Em contrapartida, a doença grave da filha colocou a família em uma fase muito turbulenta.

Nesta época, a menina já sabia da personalidade astuta de Martine e foi a própria criança que incentivou a empresária a tomar uma atitude. Ela resolveu vender parte das participações da Sirius – que já estava bem consolidada no mercado – para investir em uma alternativa para o tratamento da filha. Durante muito tempo levou a filha constantemente para a biblioteca do Congresso e participou de vários congressos nacionais ligados à área da saúde.

Nesta árdua trajetória, conseguiu encontrar o nome de um farmacêutico aposentado que havia desenvolvido o único remédio disponível ao tratamento da doença. Depois de muita insistência, conseguiu reunir-se com ele e descobriu que existia a possibilidade de desenvolver um tratamento menos agressivo, combinado com outros tipos de remédio, mas que isso ainda não havia sido feito por falta de interesse de grandes laboratórios, tendo em vista a raridade da doença. Não foi preciso dizer mais nada. A partir deste parecer, Martine decidiu fundar a United Therapeutics, com o auxílio do farmacêutico que lhe indicou a luz no fim do túnel. A companhia desenvolveu o remédio que foi crucial para manter Jenesis saudável. Hoje com 30 anos, ela auxilia Martine na administração da companhia, que hoje desenvolve pesquisas para tratamento de hipertensão arterial pulmonar, câncer e outras doenças virais mais complexas.

Visão de mundo

Com todas as experiências que acumula até hoje, Martine possui uma visão de mundo à frente de nosso tempo. Assim como vislumbrou a possibilidade de explorar os avanços tecnológicos em uma época em que haviam uma série de limitações, ela acredita em um mundo em que as máquinas vão evoluir a ponto de ultrapassar a inteligência humana e que isso pode contribuir para melhorar a nossa qualidade de vida. Ainda que soe como um cenário de ficção científica, Martine busca se aproximar o máximo possível do seu ideal de mundo. A UT trabalha hoje em pesquisa para desenvolver métodos de aumentar o tempo de vida.

Após a cirurgia de mudança de sexo, adotou um visual feminino inicialmente, mas depois foi moldando seu estilo em um padrão unissex. De acordo com a reportagem do NY Magazine, não se importa de ser tratada pelos adjetivos “ela” ou “ele”. Em 1995, pouco tempo depois da transição, ela publicou um manifesto intitulado “O Apartheid do Sexo”, no qual escreveu algo que define bem o seu modo de enxergar a diversidade: “Existem cinco bilhões de pessoas no mundo, bem como existem cinco bilhões de identidades sexuais únicas”. Com uma história de vida que passa muito longe do senso-comum, ela mostra para o mundo como é possível ser grandiosa batalhando pelo que acredita e pelo bem comum de todos.

 

 

 

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