Agência de empregos ajuda mulheres vítimas de violência doméstica

Agência de empregos ajuda mulheres vítimas de violência doméstica

Qual a relação entre a violência doméstica e a autonomia financeira da mulher? Toda. Para romper o ciclo de abuso, as mulheres precisam ter a oportunidade e o poder de conquistar o próprio dinheiro. Essa foi a conclusão a qual chegou a doutora Ludy Green, fundadora da organização estadunidense “Second Chance Employment Services” – a primeira e única agência de empregos do mundo para mulheres que foram vítimas de violência doméstica.

Referência mundial no combate à violência contra a mulher, Green defende que as vítimas precisam contar com uma rede de apoio para ajudá-las a deixar o contexto de abuso e conquistar a independência. “Para quem é ou foi vítima de violência, é muito mais difícil encontrar um emprego. Por isso, é fundamental que as mulheres contem com um sistema que as apoie”, explica a especialista que esteve nesta segunda-feira em São Paulo para o encontro “Diálogos – empoderamento econômico de vítimas de violência doméstica”. O evento foi realizado pela embaixada americana no Brasil, em função dos 10 anos de criação da lei Maria da Penha.

Nos Estados Unidos, uma em cada três mulheres já foi vítima de violência doméstica, ou seja, já sofreu violência física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial dentro de sua casa. O Brasil hoje registra um caso de violência contra a mulher a cada 7 segundos. Desses, 85% vindos do ambiente familiar – e sabemos que esses dados são ainda mais preocupantes se considerados os inúmeros casos que não são notificados.

Green teve uma experiência pessoal com a violência doméstica. Sua mãe foi vítima de agressão e lhe aconselhou a conquistar a independência financeira. A orientação para que trabalhasse e conquistasse o próprio dinheiro, a fez afastar-se do lar violento após a morte da mãe.

A especialista, que passou por empresas como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), viu seu interesse pelo combate à violência tomar forma enquanto trabalhava como voluntária em um abrigo para mulheres. Sempre tentando entender o que fazia com que as vítimas retornassem às suas casas, um ponto lhe chamou atenção: a dependência financeira com o agressor.

Foram mais de dez anos até que conseguisse materializar o seu projeto e criar uma ferramenta capaz de ajudar mulheres vítimas de violência. Em setembro de 2001, a “Second Chance” iniciou suas atividades.

O trabalho da organização parte do princípio de que é preciso entender as diferentes necessidades das mulheres que as procuram. “Algumas apresentam deformações físicas e precisam de dentistas e cirurgiões plásticos, outras precisam de roupas, transporte, creche para os filhos, qualificação profissional… Por isso, nosso trabalho sempre começa com a pergunta: do que você precisa?”, explica.

As “clientes” são encaminhadas pelos órgãos que compõem a rede de proteção à mulher e por meio de parcerias com as mais diversas empresas e instituições, a organização busca viabilizar as condições necessárias para que elas encontrem uma posição no mercado de trabalho.

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Além da oferta de empregos, portanto, são oferecidos diversos serviços que visam dar à mulher a oportunidade de conquistar a sua liberdade financeira, como atendimento médico, qualificação profissional e preparação para entrevistas. A organização também mantém um acervo com histórico e acompanhamento das vítimas por cerca de dois anos após o atendimento. Para a especialista, manter um banco de dados é fundamental para compreender e apresentar o modelo de trabalho mundo afora.

Desde a fundação, a “Second Chance” já atingiu seis estados do país e influenciou milhares de mulheres direta e indiretamente. “O avanço tem sido enorme. No começo, eu tinha que ir pessoalmente atrás dos empregadores para fechar parcerias. Hoje, eles vêm até nós.” Para a especialista, os parceiros e a comunidade puderam reconhecer “o quão talentosas e competentes são aquelas mulheres”.

Green dedica-se há mais de 20 anos ao combate à violência doméstica, participa de importantes debates globais de prevenção à violência contra mulher e é autora do livro “Ending Domestic Violence Captivity: A Guide to Economic Freedom” (Dando fim ao cativeiro da violência doméstica: um guia para a liberdade econômica, em tradução livre). Com a experiência acumulada, seu conselho para as mulheres que lutam para sair do contexto de abuso e conquistar sua autonomia financeira é: “saiba que você vale a pena e tem um futuro. Procure apoio em alguém que confie, mas nunca se permita sentir-se sozinha”.

 

Fotos: Shutterstock

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