Ajustes em momentos de crise ajudam a criar bons hábitos financeiros

Ajustes em momentos de crise ajudam a criar bons hábitos financeiros

*Paula Sauer

A palavra crise tem sido dita com frequência no cotidiano da população e vem trazendo uma certa aflição, de um modo geral. A notícia boa é que não precisa ser assim. Crise tem relação com mudanças, e elas podem ser para melhor!

Fim de um ciclo, início de um novo que pode ser sensacional, depende de como nos preparamos para manter aquilo que é importante. Depende também da capacidade que temos de abrir mão de algumas rotinas, rever projetos e mergulhar em novos caminhos, oportunidades, criar novos hábitos.

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Casar, ter um filho, mudar de emprego, morar no exterior, mudar de casa, são exemplos de situações que podem então ser vistas como crises. Elas trazem consigo o fim e a mudança, uma transformação súbita da nossa rotina. Precisamos dar fim em alguma situação de relativa estabilidade para iniciarmos outra fase. Em algumas situações, nos preparamos para a mudança. Em outros casos, se não nos preparamos, só aprendemos com a vivência.

A escassez e a delicada tomada de decisão

Quando falamos de escassez, somos levadas a fazer escolhas, identificar o que nos leva a uma melhor relação de custo-benefício ou de maior bem-estar, e essa conta nem sempre fecha.

Algumas vezes a solução de um problema não está nele, mas em seu entorno. Um exemplo bastante difundido pela mídia todos os anos é o preço do tomate: a não ser que ele seja matéria prima fundamental para seu negócio funcionar, espernear com o preço do tomate só vai fazer com que o produtor e o distribuidor entendam que as pessoas realmente estão brigando para comer tomate e aumentem ainda mais o preço. Que tal aproveitar a entressafra de alguns alimentos para experimentar outras receitas? Se a conta de luz ainda está com a tarifa de bandeira vermelha, o que pode ser alterado na sua rotina? Não foque na luz, foque nas alternativas.

Desemprego: e agora?

A menos que você possua um contrato onde a estabilidade esteja prevista, ficar sem emprego não deve ser encarado com surpresa, mas como uma possibilidade. Para algumas pessoas, ser desligado de um emprego pode ser tão delicado que a dor é comparada à da perda de um ente querido. Fazem falta a rotina, o convívio positivo com os colegas, a recompensa financeira pelo trabalho, o reconhecimento pelo domínio de alguma atividade. Por outro lado, há quem encare a carta de demissão como o fim de um ciclo.

Encarar o desemprego como uma possibilidade, um risco, pode levar a pensar em alternativas, a ter em mente pontos que merecem mais do que atenção, merecem reflexão. No caso de um desligamento, você tem um plano “B”? Quando foi a última vez que seu currículo foi atualizado? Quando foi a última vez que você buscou qualificação ou atualização em sua área de atuação? Como anda sua rede de contatos?

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Use o tempo livre para atividades prazerosas. É possível transformar um hobby em uma atividade profissional? Como e com o que será usada a rescisão? Você tem dívidas a pagar? Como vai negociá-las? Um planejador financeiro pode ser um bom aliado nessa fase de transição. Se a ideia é abrir um empreendimento, que tal primeiro aprender a empreender?

No caso da perda de sua renda mensal, é importante ter uma reserva financeira para manter suas despesas por, no mínimo, seis meses. Se você está empregada e com suas finanças estão em dia, mas ainda não possui essa reserva, é preciso que esse tema seja visto com carinho em seu planejamento financeiro. Independente de quanto dinheiro ganha, é importante saber como você gasta.

O quanto pode economizar é uma questão que possivelmente só você saberá responder, seguem dois cálculos para dar uma idéia (sem contar com o efeito dos juros): se puder poupar  15% da sua renda mensal, sem pular nenhum mês, em 20 meses, você já terá acumulado três salários. Se puder guardar 20% da renda mensal, em 30 meses uma reserva de seis salários estará construída. Sem contar com os juros compostos das aplicações financeiras, com o 13o salário e bonificação, caso você os receba. Inclua a construção dessa reserva financeira em seu orçamento como um investimento em tranquilidade e segurança. Lembre-se de manter essa quantia em investimentos com liquidez, ou seja, que você possa resgatar a qualquer momento sem perda.

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Hábitos de consumo

Já que estamos falando sobre mudanças, observe se tem alguma coisa em sua rotina que pode mudar para melhor. Seus hábitos de consumo espelham suas crenças e seus valores? Gasta com coisas, pessoas ou experiências realmente importantes para você?

Hábitos são construídos através da repetição, por exemplo, somos ensinadas desde pequenas que escovar os dentes faz parte da rotina higiênica diária, até que repetimos a rotina sem pensar. Isso acontece com maus hábitos também, eles fazem parte da nossa rotina de uma maneira tão automática que os repetimos sem perceber. Um momento de crise pode ser bom substituir uma rotina ruim por outra saudável.

Aproveite da crise o que de melhor ela traz consigo: a oportunidade de mudança, de autoconhecimento e de crescimento.

 

*Paula Sauer, CFP é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). E mail: Paula.sauer@economiadevalor.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

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