Estrangeiro que estimula violência contra mulheres deve ser barrado no Brasil

Estrangeiro que estimula violência contra mulheres deve ser barrado no Brasil

“É ofensivo, é inapropriado, é emocionalmente assustador, mas efetivo”. É com essa definição que o suíço Julien Blanc define o que ele chama de “cursos de xaveco”, nos quais ele promete ensinar homens a “pegarem mulheres”, ainda que isso inclua forçá-las. O nome do palestrante misógino tem sido frequente em discussões nas redes sociais em função da agenda de compromissos dele, que inclui palestras no Rio de Janeiro e Florianópolis em janeiro do ano que vem. A comoção para impedir que isso aconteça felizmente parece estar surgindo efeito.

De acordo com reportagens da BBC Brasil e da revista Marie Claire, diplomatas do Itamaraty confirmaram que o estrangeiro não poderá entrar no Brasil. Antes mesmo do posicionamento dos diplomatas, uma petição solicitando ao Itamaraty e à Polícia Federal que barrassem a entrada dele no Brasil havia recebido mais de 245 mil assinaturas até o fechamento deste post. Quem quiser conferir a petição, basta clicar aqui.

No último dia 12, a Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) posicionou-se contra a vinda do suíço para o Brasil e informou que solicitou providências ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (leia o comunicado na íntegra). A Secretaria informou que repudia qualquer estratégia que incentive a violência contra as mulheres e citou os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o qual dá conta de que mais de 143 mil mulheres foram estupradas no Brasil somente em 2013. Em média, uma mulher é estuprada a cada 10 minutos no país.

Repercussão em outros países

As palestras são conhecidas por terem conotações racistas e sexistas. Sem demonstrar o menor pudor, ele incentiva a violência contra as mulheres, humilhação, manipulação psicológica e constrangimentos públicos. Em seu discurso e vídeos de demonstração,  incentiva homens a abordarem mulheres segurando-as pelo pescoço ou forçando-as a inclinar a cabeça em direção aos órgãos genitais masculinos. Em função do conteúdo disseminado por ele, ativistas australianas conseguiram que ele e sua equipe fossem deportados daquele país, onde o suíço tinha palestras agendadas em dezembro. A decisão das autoridades australianas também veio depois de um abaixo assinado com mais de 41 mil assinaturas.

O conteúdo da palestra que ministrou no Japão gerou revolta entre internautas e ativistas no mundo inteiro. Os alertas contra ele, por sua vez, incentivaram comoções em outros países em que ele pretende ministrar mais palestras, como é o caso do Brasil.

O Finanças Femininas entrou em contato com o Itamaraty para saber atualizações sobre o caso, mas não obteve resposta até o fechamento deste post. Por diversas vezes falamos aqui sobre questões relacionadas ao feminismo e é, no mínimo, chocante ver este homem espalhar conteúdo misógino ao redor do mundo e ainda sentir-se orgulhoso por isso. Por outro lado, ver a comoção para impedir a vinda dele ao Brasil, bem como as iniciativas tomadas por ativistas de outros países surtirem efeito, faz com que nós olhemos para o futuro com mais esperança.

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