“Aprendi minha lição da pior forma”

“Aprendi minha lição da pior forma”

Olá, meninas! Hoje trazemos para você o depoimento da leitora Ângela Santos*, de 25 anos. Você tem uma história financeira interessante e acha que pode ajudar outras pessoas? Escreva para nós contando a sua trajetória no minhahistoria@financasfemininas.uol.com.br!

 

Desde os meus 15 anos eu tinha um profundo desejo de ser independente. Isso sempre ficou guardado em mim até os meus 17 anos, quando entrei na faculdade.

Quando entramos na faculdade, muitas tentações financeiras aparecem, entre elas, os bancos que se prontificam a te dar crédito sem comprovação de renda. Foi uma armadilha. A partir daí, começou minha “desventura financeira”, que durou aproximadamente seis anos…

Na minha família, poucos tinham cartão de crédito. Aos meus 18 anos, eu tinha todos os cartões que você puder imaginar, de vários bancos, mas nunca pensei em anuidades, taxas e controle. Também tive cheques, o que me deu uma grande lição.

Sinceramente meu erro não foi apenas gastar, meu erro foi emprestar e ter uma ingenuidade absurdamente alta. Emprestei cartão e cheque para tias, primas e pasmem, emprestei meu nome para o amigo de uma amiga, para ele ter uma linha telefônica para o escritório de advocacia. Me disseram que seria por três meses até ele conseguir a conta dele e que era confiável…

Emprestar o “nome”, cartão e cheque era algo comum de minha família toda e de amigos da família, portanto eu não via problema nenhum. Nos sites dos bancos, há 7 anos, não tinham cursos sobre educação financeira, isso não era tão falado como hoje. Eram poucos os que aconselhavam, mas eu ignorei.

Geralmente o controle das finanças ficava com minha mãe e eu não buscava acompanhar como estavam as coisas, se dava para pagar, se tinha conta pendente, se alguém não tinha pago o valor que me devia… eu deixava com ela e pronto. Eu ganhava na época uma bolsa estágio, que era para tentar cobrir um pouco das despesas da casa e dos cartões – mas obviamente não era o suficiente, tendo em vista que ainda tinha que pagar as mensalidades.

Meses depois o estrago estava feito. Nome sujo, cheque voltando e pessoas que não haviam pago o cartão que emprestei. O grande problema é que com meu dinheiro eu não conseguia pagar tudo, muito menos minha mãe, que era solteira e com três filhos para sustentar.

Estar com o nome sujo é a pior coisa que existe. O cartão de crédito, quando utilizado com consciência é extremamente útil. Eu não tinha mais nada e se quisesse, teria que pegar emprestado o que não fiz e não farei. Foi algo que prometi a mim mesma.

Sinceramente, boa parte de minha família já sujou o nome por causa disso e algumas ainda permanecem com essa prática de emprestar cartão umas as outras. Também não havia controle financeiro dentro de minha casa.

licoes_aprendidas_com_dividas

A mudança

No final do ano de 2012 decidi mudar radicalmente minha vida financeira, colocar tudo em ordem (depois de receber uma ligação de cobrança de TELEFONE). No início de 2013 eu consegui um emprego com um bom salário e fiquei determinada a limpar meu nome e não repetir os mesmos erros. O saldo de tudo isso:

1. Sabe a linha telefônica? Eu já havia esquecido disso até que a empresa me ligou dizendo que havia uma dívida no meu nome no valor de R$ 1.000,00. O cara tinha ficado com a linha por quase 3 anos e eu não acompanhei porque jurava que já tinha cancelado. Ele não pagou e a amiga dizia que ia falar com ele mas no desenrolar da história, ele sempre fugia do caso. Paguei do meu bolso, com o valor de minha demissão no final de 2012.

Por falar nisso, sabe aquela amiga que pediu isso? Perdemos contato porque ela pediu o nome da minha mãe para ter uma internet 3G e minha mãe o fez. Chegou uma conta que a “amiga” disse que não concordava e que não ia pagar. Ou seja, o nome de minha mãe também ficou sujo.

2. Fui verificar no SERASA o que havia pendente. Vi cheques e mais cheques que foram utilizados por pessoas da família. Fui tentar descobrir do que se tratava, quem estava devendo, pagar à pessoa, pagar a taxa e ficar livre. Sobraram dois que não encontrei a pessoa em lugar algum (mesmo com dois meses de intensa pesquisa), tive que deixar o tempo passar para meu nome ficar limpo.

3. Passei a juntar dinheiro e negociar para pagar as contas antigas dos cartões de crédito em uma só parcela. Deu certo…

Vida nova

Hoje eu tenho meus cartões de volta, mas não são nem a metade do que tinha antes e pago anuidade em somente um. Hoje sou casada e diante do histórico, somos bem controlados e sempre pagamos à vista.

Não tenho e nem quero mais cheques, pois senti na pele a dificuldade de encontrar a quem estava devendo, o cartão é definitivamente mais fácil. Também aprendi a economizar e já tenho um valor legal na poupança.

Como disse antes, a família ainda tem o hábito de emprestar e de pedir emprestado. Na ultima vez (que foi ainda este ano), foi minha prima solicitando que eu pegasse emprestado do meu banco R$ 4.000,00 para ela reformar a casa dela (ela disse que pagaria mais R$ 500,00 de juros para mim e etc). Eu recusei. Me nego a viver o que vivi antes. Ela obviamente não gostou, mas meu bolso agradeceu.

Hoje tenho a vida equilibrada, livre de dívidas e me tornei estratégica. Aprendi minha lição da pior forma. Espero sinceramente que ninguém passe por isso, assim como espero que esta lição sirva para as outras não caírem em várias armadilhas que caí.

No ano de 2013 eu não aproveitei nada (o ano inteiro), só pagando dívidas. Agora eu tenho uma nova vida.

 

Um forte abraço,

 

Ângela Santos.

 

* Nome fictício para preservar a identidade da leitora.

 

 

Este conteúdo foi útil para você?

Financas Femininas

Finanças Femininas

Sua independência financeira depende de você, com uma ajudinha nossa.

close