As dívidas que não ficaram para trás

As dívidas que não ficaram para trás

*Janser Rojo

Muita gente gosta de entrar no Ano Novo renovado – pula 7 ondinhas, faz promessa, veste aquela cor cheia de significado – tudo para que as coisas ruins fiquem no passado e só venha coisas boas no futuro, certo? Mas… E as dívidas? Dessas infelizmente não dá pra se livrar assim tão fácil.

A “Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic)” da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) feita em dez/2014 (você pode acessar a pesquisa completa neste link) revelou que 59,3% das famílias brasileiras estão endividadas.  O pior é que 18,5% já estão com contas ou dívidas em atraso e 5,8% afirmam que não vão ter condições de pagar. Imagina começar o ano com este “peso” carregado do ano anterior…

Estes altos índices de endividamento demonstram um problema crônico do brasileiro: não sabemos utilizar as dívidas a nosso favor! Um relatório produzido pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira Meu Bolso Feliz em jan/2015 (relatório completo aqui) conclui que a principal utilidade do crédito oferecido ao consumidor brasileiro é a satisfação de desejos de consumo de curto prazo como roupas e sapatos (63% do total), eletrônicos (58%) e eletrodomésticos (44%). Além disso, os estudos mostram que há uma inclinação maior do brasileiro para financiar mercadorias supérfluas.

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Este “peso” carregado de um ano para o outro, portanto, é explicado facilmente pelas nossas atitudes e comportamentos! Não adianta começar o ano reclamando das dívidas que continuam ou do salário que não dá até o final do mês. Fazendo isso você estará perdendo uma grande chance de perguntar-se “o que posso fazer diferente esse ano?”.

As dívidas não se criam sozinhas, nosso pensamento imediatista é o culpado por entrar nessa bola de neve que cresce a cada ano. Quanto mais tempo você demorar para repensar suas atitudes, mais difícil será acabar com elas e aí vem toda aquela dor de cabeça com nome sujo, negociações e parcelamentos a perder de vista.

Talvez 2015 ainda carregue uma parcela indesejável de 2014, mas não deixe que isso estrague sua motivação para fazer deste um ano especial, mesmo estando entre a lista de inadimplentes. Comece ganhando consciência de que seus hábitos foram os principais causadores dessa situação e que, mudando os hábitos, você também estará mudando os resultados para colocar a “casa em ordem”, trazendo as finanças para um equilíbrio saudável.

Para as metas deste ano, sugiro trocar parte do desejo de consumo por um desejo de tranquilidade. Quem sabe 2016 não seja realmente o ano de ver todo o “peso” das dívidas deixado para trás? Só depende das suas atitudes agora!

 

Janser Rojo é planejador financeiro CFP® e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email: janser@qifinanceiro.com.br. As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

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