As panelas precisam bater nas ervas daninhas

As panelas precisam bater nas ervas daninhas

Olá, meninas! Na coluna Em $uma de hoje, a jornalista Naiara Bertão fala sobre o impacto das manifestações do dia 15, o pacote anticorrupção e o cabo de guerra entre o Congresso e o poder Executivo.

Meninas, bom dia!

Vocês estão respirando um ar de mudança assim como eu?

Semana passada vimos coisas importantíssimas acontecer no campo político que tem muito a ver com nossa economia de cada dia. Acredito que muitas de vocês foram às ruas no dia 15 ou bateram panelas em suas casas para mostrar a indignação com as atuais notícias de corrupção, com as perspectivas ruins para a economia e com o ofuscamento do Brasil, um país que tem tudo para ser uma estrela de luz e que está mais para estrela cadente ultimamente.

Infelizmente, a corrupção no Brasil já virou, hoje, uma conversa de elevador, concorrente direto da previsão do tempo. O país nunca viu tão escancaradamente as entranhas das sujeiras que pessoas más intencionadas fizeram com as instituições e a Petrobras – e deixo claro que esta lista está longe de ter apenas os historicamente criticáveis políticos do país. A cada dia vemos mais e mais notícias de milhões de reais desviados. As cifras já nem parecem tão grandes – perguntamos até com desconfiança se o interlocutor não estaria falando de bilhões e não de milhões quando escutamos alguma notícia.

O lado bom dessa tensão política é que a força que se adquiriu para efetuar as mudanças que o Brasil precisa é grande e precisamos fortalecermos nossas instituições. O pacote anticorrupção que a presidente Dilma Rousseff anunciou na última quarta-feira é um passo. A ideia é trazer para todas as esferas públicas princípios muito debatidos no âmbito privado em termos de governança corporativa: ética, transparência e punições para desvios. As medidas são antigas, mas nunca foram levadas a sério, situação que mudou diante das manifestações e de baixíssimos índices de aprovação do atual governo – o governo Dilma é reprovado por 62% da população, segundo o Datafolha divulgou na semana passada.

Dentre as medidas está a criminalização do caixa dois e da lavagem de dinheiro de campanhas eleitorais; punições mais rígidas para crime de enriquecimento ilícito (e apreensão de bens); punição de agentes públicos que não comprovarem a origem de seus bens e recursos; regulamentação da Lei Anticorrupção; e aplicação da Lei da Ficha Limpa para todos os ocupantes de cargos comissionados em toda a máquina pública.

Também foi citado no texto o acordo de leniência, muito comentado por causa da Lava Jato, da Petrobras. Esse acordo permite que pessoas ou empresas que cometeram infrações contra a ordem econômica colaborem nas investigações e, em troca, consigam alívio de suas penalidades. Agora, as empresas que colaboram precisarão apresentar dados sobre os crimes cometidos em contratos com a administração pública. Em além de devolver o valor desviado, terão de pagar uma multa de até 20% do faturamento bruto.

congresso-nacional

Com essas medidas, esperamos, as pessoas más intencionadas pensem muito bem antes de se arriscar. A população está menos tolerante a abusos e já vemos claramente o impacto econômico que a Lava Jato já causou no setor de óleo e gás e construção civil. Muitas empresas estudam, inclusive, entrar com pedido de recuperação judicial para tentar se salvar e outras podem até falir. Os bancos, que emprestaram dinheiro para a Petrobras e fornecedores dela, também estão com medo de levar calote.

Logo mais a Petrobras deve divulgar o balanço do quarto trimestre – e 2014 cheio – e a expectativa é que ela já contabilize as perdas – ou parte delas – vindas da corrupção. O cálculo ainda não está fechado e com certeza deve dar um trabalhão apurar tantas falcatruas que não param de surgir na mídia. Muito se falou nos R$ 88 bilhões de ativos que estavam supervalorizados. Apesar do número ser grande, é difícil dizer se ele está correto. É por causa disso que a PricewaterhouseCoopers (PwC para os íntimos) não conseguiu auditar o balanço da empresa. A PwC, como auditora externa, precisa contar de novo tudo o que a área financeira da Petrobras contabilizou. Só se verificar que está tudo ok, é que assinam o balanço. Sem isso, os credores da Petrobras (quem emprestou dinheiro para ela) podem obrigá-la a pagar antecipadamente suas dívidas. Como a empresa já não está com muito dinheiro em caixa, isso poderia ser um desastre neste momento.

A Petrobras já revisou internamente políticas de contratação de terceiros e nunca se viu tanta gente empenhada em passar o pente fino na companhia para livrá-la de parasitas.

Apesar de todas as manifestações e protestos terem esse lado positivo, de força, dando um empurrão para o país melhorar, por outro lado, o governo tem tido dificuldade em estreitar laços com sua base aliada no Congresso. O problema é que há assuntos importantes que o país precisa resolver, como o ajuste fiscal. Apesar de a presidente Dilma Rousseff ter negado que pretende fazer uma troca de cadeiras em seus ministérios para melhorar sua articulação política, o clima está fervendo no Congresso.

A semana passada foi ditada não apenas pela saída dramática do até quarta-feira ministro da Educação Cid Gomes, mas também porque os congressistas aumentaram em três vezes a verba prevista no Orçamento Público para o Fundo Partidário (recursos a serem distribuídos aos partidos políticos proporcionalmente ao tamanho de suas bancadas na Câmara). Isso, lembremos, em um momento que o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, tenta desesperadamente diminuir custos da máquina pública.

Independente do que esteja acontecendo no campo político, no campo econômico, é preciso apertar os cintos, cortar gastos e aumentar receitas, senão nós perderemos nossa credibilidade internacional e as agências de risco, como já falamos, pode revisar para baixo a nota de crédito do país.

Por isso, precisamos aproveitar esse impulso para jogar o Brasil pra cima, bater com nossas panelas de aço e varrer com nossas vassouras as ervas daninhas da corrupção, que há muito crescem em nossas terras.

 

Crédito das fotos:

Congresso Nacional – Frontpage/Shutterstock

Manifestação do dia 15 de março – Niko Nomad/Shutterstock

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Naiara Beltrão

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