Azul é de menino e rosa é de menina?

Azul é de menino e rosa é de menina?

Quando a indústria insiste em continuar apostando no velho clichê de que meninas vão querer diversão com brinquedos cor de rosa, que remetem a compras e atividades ligadas ao lar, enquanto os meninos vão querer os azuis que estejam ligados a aventuras e desafios, a força da voz de uma criança serve de alerta para que este “padrão” seja questionado. Nunca é tarde para trazer questionamentos, ainda mais quando eles partem justamente do público-alvo. Afinal, quem foi que disse que as crianças querem mesmo encaixar-se nesse clichê?

Quando a Lego anunciou o lançamento de uma linha com meninas representando uma engenheira química, uma paleontóloga e uma astróloga, com todos os aparatos que cada uma delas precisa em suas profissões,  veio a público também uma cartinha infantil que explicitava justamente a urgência deste tipo de produto.

De acordo com informações da ABC News, a garota Charlotte Benjamin, de 7 anos, enviou uma carta para a Lego, dizendo que gosta muito do brinquedo, mas contestando a falta de linhas temáticas com aventuras que incluíssem meninas. Com a adorável linguagem infantil, ela reclama do fato de existirem mais bonequinhos masculinos do que femininos. E ainda acrescentou: “Eu fui em duas sessões com caixas de Lego em uma loja e vi caixas rosas para meninas e azul para meninos. Tudo que as meninas faziam era ficar em casa, ir à praia, fazer compras e elas não tinham empregos. Enquanto os meninos encaravam aventuras, trabalhavam, salvavam pessoas, tinham empregos e até nadavam com tubarões!”

Para completar o protesto, ela finalizou a carta da seguinte forma: “Eu quero que vocês façam mais Legos com meninas e deixem que elas participem de aventuras e se divirtam, ok!?!”.

cartinha Charlotte Benjamin/reprodução internet

Bom, a repercussão da cartinha e o sucesso da nova linha – que atende exatamente aos desejos da garotinha e foge do padrão do brinquedo cor de rosa com meninas em casa – mostram que ela está coberta de razão. Ainda de acordo com informações da ABC, o novo produto foi colocado à venda no site oficial da Lego e esgotou rapidamente. Um novo estoque deve ser colocado à venda novamente ainda neste mês.

Via twitter, a carta da garotinha recebeu mais de 3 mil compartilhamentos e ganhou destaque no noticiário de diversos países. O Le Monde, por exemplo, retratou a garota como militante na guerra contra o sexismo da marca. A história vem como complemento de uma publicação que faz ainda uma comparação entre as linhas femininas vendidas atualmente e as que eram comercializadas no início da década de 80.

Uma jovem que foi fotografada na época para um material publicitário da Lego topou posar novamente, já adulta, com uma versão atual do brinquedo, mostrando o que mudou. Na visão dela, segundo a publicação, o brinquedo na década de 80 tinha uma mensagem mais neutra e ajudava a incentivar a criatividade das crianças sem a vincular-se a uma mensagem sexista, enquanto as linhas atuais fazem justamente o contrário.

 

 

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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