Brasileiro empresta nome a terceiros sem saber o valor da dívida

Brasileiro empresta nome a terceiros sem saber o valor da dívida

A maior parte dos brasileiros endividados por emprestares seus nomes a terceiros desconhece o valor da compra ou empréstimos feitos por outros em seu nome. A informação faz parte de pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). De acordo com a instituição 15 milhões de consumidores já estiveram ou ainda estão com o nome sujo em função de dívidas feitas por terceiros. O cartão de crédito é o mais emprestado (74%), seguido do cartão de loja (64%). Quitar uma dívida feita por outra pessoa é um processo demorado. De acordo com o SPC, 53% dos atuais inadimplentes estão nesta situação há mais de três anos.

O estudo apontou ainda que menos da metade dos entrevistados (39%) sabia ao certo o valor da dívida feita por outros em seu nome. O mais alarmante é que o valor médio das pendências chega a quase R$ 4 mil, sendo que quase 5 parcelas deixaram de ser pagas. Quando descobriram que estavam com o nome sujo, quatro em cada dez entrevistados não tomaram nenhuma providência. A relação sobe para quase seis em cada dez entre aqueles que ainda estão inadimplentes.

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“O consumidor que ficou inadimplente acha que a dívida não é dele, e muitas vezes adia ou renega o pagamento. Mas, ainda que ele não tenha de fato contraído a dívida, tem responsabilidade em ter emprestado o nome e a única maneira de sair dessa situação pode ser ele mesmo pagando o valor”, afirma Roque Pellizzaro, presidente da instituição.

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Um pouco mais da metade dos entrevistados (52%) disseram que pagaram ou pelo menos pretendem pagar parte da dívida, ainda que ela tenha sido feita por outra pessoa. O percentual sobe para 89% no caso de ex-inadimplentes. De acordo com a economista-chefe do SPC, Marcela Kawauti, o percentual é alto devido ao impacto que o endividamento e o nome sujo provocam na vida da pessoa. O grande problema é que muitas vezes é preciso tomar atitudes sacrificantes para livrar-se de uma dívida feita por terceiros. “A principal delas é ter que cortar os gastos (67%) para conseguir economizar e pagar as dívidas. Muitos consumidores também deixam de pagar suas próprias contas (37%) e utilizam parte de suas reservas financeiras (27%) a fim de limpar o nome”, destaca a economista. Segundo a pesquisa, quem emprestou o nome pagou, em média, R$ 2.168 por dívidas de terceiros.

A especialista lembra que emprestar o nome a amigos é uma atitude solidária, mas pode estragar planos a médio e longo prazo, como a compra de um imóvel ou o investimento em educação. “O consumidor, portanto, deve refletir e entender se está mesmo preparado para assumir esse compromisso, antevendo as consequências, caso o responsável pela dívida não consiga cumprir sua parte”, finaliza.

 

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