Brechó no WhatsApp: o novo queridinho das mamães

Brechó no WhatsApp: o novo queridinho das mamães

*Luciana Cattony

A crise econômica, o medo das dívidas e o clima de insegurança que assombra o Brasil faz com que consumidores busquem se adequar ao novo poder de compra e à inflação. O universo materno não ficou para trás e as mães, agora mais conscientes, com menos preconceito em relação a itens de segunda mão e mais solidárias, recorrem aos brechós em grupos de WhatsApp para comprar, vender artigos infantis usados em bom estado e economizar! Para as usuárias desse tipo de brechó, os principais atrativos são a agilidade e os bons preços, tanto para quem compra, como para quem vende.

Como funciona?

A vendedora posta a foto de um produto com seu respectivo preço e logo aparece alguma mãe interessada, que envia uma mensagem para o grupo demonstrando seu interesse no produto postado. A partir daí, as negociações de valores e entrega são feitas por troca de mensagens particulares via WhatsApp entre interessada e vendedora. Caso não haja acordo entre as partes, a próxima pessoa que também demonstrou interesse pelo produto é notificada pelo vendedor e as negociações continuam.

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No brechó do WhatsApp tem de tudo: roupinhas, sapatinhos, bolsas, mosquiteiro, carrinho de bebê, banheira, kit de higiene, trocador, cadeira de amamentação, tapetes para crianças, mamadeiras, utensílios de alimentação, babá eletrônica, brinquedos, joelheira, lateral de cama, protetor de berço, penico etc. Itens novos e usados. E em uma coisa as usuárias são unânimes: apesar do excesso de mensagens, vale muito a pena participar do brechó!

A relações públicas e empresária Camila Fialho e a professora e baby sitter  Bruna Silva criaram os grupos “Brechó de Meninos” e “Brechó de Meninas”, em Porto Alegre. Os grupos nasceram há pouco mais de 1 ano como uma alternativa de geração de renda extra e economia na montagem do enxoval: “criamos os dois grupos no mesmo dia e convidamos algumas amigas para fazerem parte; a coisa foi crescendo e mais mães solicitavam participação. A partir daí, resolvemos colocar todas as participantes como administradoras para que todas pudessem convidar mais amigas”, relata Camila. Dessa forma, o grupo ganhou autonomia, agilidade e mais mães conectadas.

A consultora de imagem Cátia Campos Osório é mãe de dois meninos, de 3 e 6 anos. Ao iniciar uma reforma em casa, viu-se obrigada a se livrar de alguns itens que a criançada já não usava mais. Ela entrou no grupo a convite de uma amiga e começou a postar seus itens. Cátia considera a praticidade uma das características mais importantes dos brechós no WhatsApp, já que a compradora retira os produtos em locais que a vendedora determina e o trabalho para postar os produtos é mínimo. “Na maioria das vezes, combino com a compradora a retirada dos produtos na minha casa”, afirma.

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Cátia conta que o dinheiro arrecadado em suas vendas era colocado em um envelope e que, para sua surpresa, ao conferir a quantia alguns dias após as primeiras vendas, verificou que já havia arrecadado mais de R$ 1.000,00. “Foi ótimo! Utilizamos na reforma da casa”, recorda. A consultora de imagem acrescenta que já usou brechós “físicos” para venda de seus itens, mas é no WhatsApp que ela economiza tempo e dinheiro. “A impressão que tenho é de que nos grupos o giro é maior, são muitas pessoas interessadas circulando todo o tempo em busca de produtos. Isso não acontece em uma loja física”, complementa.

Para colocar o preço nos itens, Cátia recomenda fazer uma pesquisa na internet e também dentro do próprio grupo. Ela adverte que é essencial que a vendedora faça um controle de qualidade nas peças: só vale postar itens em bom estado e limpos! Itens novos, com a etiqueta, também são bem vistos nos brechós do WhatsApp. “Eu mesma já postei presentes que meus filhos ganharam e que não usaram, ou até mesmo presentes repetidos”, afirma.

As compradoras também devem ficar de olho na qualidade dos artigos postados. Às vezes, na foto, não fica tão claro o estado de conservação da peça. Por isso, na entrega, é importante que a própria mãe interessada esteja presente para a análise. Ela conta que uma vez devolveu um produto pois o tecido estava desgastado e ela não estava presente na entrega. Mas garante que foi uma exceção e que sempre compra pelo grupo, inclusive para presentear as amigas: “cheguei a pagar R$ 15,00 em uma peça de marca que nunca tinha sido usada, com a etiqueta de R$ 80,00”, destaca.

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O local da retirada dos produtos é fator importante para as usuárias, que preferem locais próximos de suas casas ou nos caminhos frequentes. Caso encontrem algo muito específico, elas concordam que vale a distância para garantir o produto. É como acontece nas lojas físicas: “prefiro comprar em lojas próximas, mas se não encontrar o item desejado pelas redondezas, abro mão e vou a uma loja mais afastada”, afirma Camila Fialho.

Camila acredita que os brechós no WhatsApp são mais ágeis e dinâmicos em comparação aos brechós nos grupos do Facebook, tendo em vista que eles exigem moderação e, com isso, pode-se perder o “timing” da oferta. “Além disso, no Facebook você não recebe notificação da postagem de alguém que não é seu amigo, o que pode acabar dificultando as transações”, completa.

Fazer negócios em brechós pelo WhatsApp significa, além de economia, solidariedade: “É muito bom saber que estamos ajudando outras mães, assim como a gente. Quando há uma venda direta entre mães, a gente consegue negociar o valor mais facilmente e pode até rolar uma amizade verdadeira”, afirma Camila. Ela conta que comprou três vezes de uma mesma mãe e, com isso, tornaram-se amigas. Atualmente as duas estão grávidas e seus filhos possivelmente serão amigos também. “Esse laço de amizade provavelmente você não encontra em uma loja física”, reforça. Além do mais, nos brechós do WhatsApp, você pode pedir outras dicas relacionadas ao contexto: “recebi ótimas recomendações sobre lugares para comprar um sutiã de amamentação”, recorda.

Excesso de notificações e mensagens fazem parte desse tipo de brechó, visto que um grupo no WhatsApp pode ser constituído por até 256 usuários. Com isso, percebe-se uma certa “desordem” natural do meio. Porém, quando se trata de mensagens pertinentes em relação ao objetivo do grupo, esse excesso parece não incomodar. Com contexto e relevância, tudo fica tranquilo. E o que mais uma mãe deseja?

*Luciana Cattony é publicitária e fundadora do site Real Maternidade.  Luciana tem como objetivo facilitar a vida das mães e levar leveza e alegria para a rotina delas. Siga o Real Maternidade no Facebook e Instagram.

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