Cabelos crespos e cacheados não precisam de produtos caros

Cabelos crespos e cacheados não precisam de produtos caros

*Sabrinah Giampá

Não há no mundo uma mulher de cabelos crespos ou cacheados que não tenha um trauma de infância. Afinal, somos ensinadas desde cedo que nosso cabelo é ruim e acabamos acreditando nisso. Uma vez, li um artigo que afirmava que o cérebro aprende por repetição e fui obrigada a concordar. São tantos anos escutando que nossos cabelos são inapropriados, feios e desarrumados que acabamos absorvendo essas ofensas como verdades e internalizamos isso. Como se fosse uma grande vergonha ser quem somos de verdade. Como se ostentar um cabelo crespo/cacheado fosse mesmo uma anomalia genética.

Vários fatores contribuíram para essa crença: o racismo/machismo passado de geração para geração, a falta de referências midiáticas desde a infância, a ausência de produtos apropriados e informações sobre cuidados. Afinal, tudo que vai contra a natureza fica com cara de artificial – tratar um cabelo crespo como liso só servirá para agredi-lo. E o cabelo agredido responde com revolta.

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Quando pego uma foto da adolescência e vejo o meu cabelo, tenho vontade de chorar. Meu cabelo estava feio, mas nunca foi feio. Era apenas um cacho tratado como fio liso. Escovado a seco, massacrado pelo uso diário de surfactantes pesados e substâncias que conferiam um aspecto ainda mais ressecado aos fios.  Por isso as rotinas No Poo/Low Poo, desenvolvidas pela co-criadora da Deva Curl, Lorraine Massey, foram uma revolução para as mulheres crespas e cacheadas. Afinal, nossos cabelos não eram e nem nunca haviam sido feios – nós apenas dávamos para eles o oposto do que eles precisavam.

O conceito inovador de Lorraine contribuiu para que milhares de crespas, cacheadas e até mesmo onduladas se orgulhassem de seus cabelos e  evitassem químicas agressivas. A prerrogativa de saber finalmente como cuidar do próprio cabelo, e, principalmente, descobrir que não é algo complicado, definitivamente é uma libertação.

cabelos_cacheados_sabrinah_giampaDivulgação/blog Cachos e Fatos

Liberdade maior é poder escolher seus cosméticos pelo rótulo, e não pelo marketing e embalagens. É descobrir que nem sempre o mais caro é a melhor opção e que, sim, é possível ostentar cachos bonitos e naturais sem torrar o salário inteiro e fazer dívidas.

Continue a ler a matéria na próxima página!

Aprendendo a escolher seus cosméticos

Aprendemos desde cedo que xampu tem que espumar bastante para limpar – o que é um falso mito disseminado. O surfactante mais utilizado nos xampus é o mesmo dos detergentes para lavar louça – o lauryl sulfato de sódio – que tem uma ação adstringente forte e espuma bastante. Se você perguntar para qualquer químico, descobrirá que o fator de limpeza não está atrelado à espuma porque ela é apenas sensorial, o que limpa é o agente de limpeza.

O problema maior para os crespos e cacheados é que a proteção do cabelo é reduzida naturalmente, pois devido ao formato espiralado, a oleosidade não consegue descer até as pontas.  Sendo assim, o detergente utilizado na lavagem acaba removendo esta pouca proteção natural  do cabelo  e o resultado são fios ressecados, porosos e quebradiços.

Já o couro cabeludo acaba ficando oleoso e com tendência à caspa e seborreia. Isso acontece porque quando toda a proteção natural é retirada o couro ‘entende’ que precisa produzir mais óleo, então acontece  o temido efeito rebote: raízes oleosas e fios ressecados.

O resultado: com os fios embaraçados e secos após o xampu, cacheadas e crespas  enchem os fios de condicionadores, máscaras e cremes de pentear, que por sua vez, estão repletos de silicones insolúveis, parafina líquida, derivados de petróleo e óleos minerais. Estas substâncias atuam como uma maquiagem no fio, pois formam uma película que não deixa o cabelo absorver a hidratação que ele precisa, que é a água. O resultado são fios pesados, emplastados e com muito frizz. Ficamos com a sensação de que o cabelo enjoou do produto.

A solução  seria trocar o agente de limpeza forte por um suave, que seja capaz de higienizar sem agredir os fios e estimular a oleosidade no couro cabeludo. Além disso, optar por ingredientes à base de extratos botânicos, manteigas e óleos vegetais que substituam os componentes citados acima. O resultado são fios mais saudáveis, brilhantes e não emplastados, cachos definidos e dias seguintes formidáveis.

As duas rotinas – a No Poo e Low Poo – se diferenciam por apenas alguns aspectos, mas têm  pontos em comum. Ambas não toleram surfactantes pesados, parafinas, derivados de petróleo e óleo mineral.

Se você não conhece, explicamos em detalhes nas próximas páginas!

As diferenças

No Poo: Seguidoras não costumam usar agentes de limpeza que espumam. No máximo aplicam condicionadores isentos de substâncias maquiadoras para higienizar. Em alguns casos usam o produto acrescido de anfótero (agente de limpeza) em menores proporções – comprados em casas de produtos naturais. Silicones insolúveis são abolidos e solúveis entram na rotina de algumas seguidoras, mas com algumas ressalvas.

Low Poo: Seguidoras toleram silicones solúveis e insolúveis, além de  agentes de limpeza suaves que façam uma espuma sutil.

Lendo as letras miúdas

A melhor forma de aprender a decifrar os rótulos é participar dos vários grupos de seguidoras das rotinas que existem no Facebook. Recomendo o No e Low Poo iniciantes, o qual oferece – além da troca de figurinha entre seguidoras – uma tabela precisa de substâncias que devem ser abolidas e aquelas que devem ter preferência.

No começo é chato e até um pouco difícil. Para quem não tem paciência [cuidado com isso, meninas!!!!!!], o grupo também oferece uma tabela de marcas para facilitar a compra. O ideal é investir na leitura, familiarizar-se com as terminologias e finalmente aprender a escolher o melhor para o seu cabelo só de olhar o rótulo. Uma lupa vai bem porque as letras SEMPRE são miúdas!

Dicas

Troque estes agentes de limpeza (mais comuns de  encontrar – mas existem outros, portanto é preciso participar dos grupos):

– Sodium laureth sulfate (sodium lauryl ether sulfate – SLES);
– Sodium laurilsulfate (sodium lauryl sulfate – SLS);
– Ammonium Lauryl Ether Sulfate(ALES);
– Ammonium lauryl sulfate (ALS);
– SODIUM TRIDECETH SULFATE.

Por estes (mais comuns de encontrar e que não agridem tanto o fio – também existem outros, vide grupos):

Cocamidopropyl Betaíne

– Sulfoacetate lauril;
– Cocoil de sódio (ou lauril / lauroílo) sarcosinato;
– Etílico PEG-15 sulfato cocamine;
– Sulfossuccinato de sódio de dioctilo (também conhecido como aerossol-OT ou AOT);
– Glicose sódio lauril carboxilato;
– Laureth sulfossuccinato.

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Rejeite produtos com essas substâncias:

– Petrolatum/petrolato;
– Mineral Oil/óleo mineral;
– Parafinum Liquid/parafina líquida;
– C13-14 Isoparaffin;
– Isoparaffin;
– Vaselina;
– Dodecane;
– Dodecene;
– Alkane;
– Isododecane;
– Isododecene.

Silicones

Se não conseguir abolir completamente a espuma, não há grandes restrições. No entanto, quem quer seguir à risca o conceito da Lorraine, é preciso abrir mão deles. Algumas seguidoras de No Poo ainda usam, mas desde que sejam solúveis em água para não emplastar os fios!

Como identificar

A maioria tem sufixo ONE

Os principais silicones insolúveis

– Amodimethicone;
– Cetearyl methicone;
– Cetyl Dimethicone;
– Cyclomethicone;
– Cyclopentasiloxane;
– Dimethicone Crosspolymer;
– Vinyl Dimethicone;
– Dimethicone;
– Methicone silsesquioxane Crosspolymer;
– Dimethiconol.

Os principais silicones solúveis em água

– Dimethicone Copolyol;
– Hydrolyzed Wheat Protein Hydroxypropyl Polysiloxane;
– Lauryl methicone copolyol;
– PEG-33 (e) PEG-8 Dimethicone (e) PEG-14, presentes na mesma fórmula, não precisam estar em sequência;
– Ammonium Dimethicone PEG-7 Sulfate;
– Dimethicone PEG-8 Adipate;
– Dimethicone PEG/PPG-X Benzoate;
– Dimethicone PEG/PPG-X Phosphate.

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Trocas inteligentes

Substitua produtos repletos de parafina, derivados de petróleo e óleos minerais por produtos à base de extratos botânicos, óleos e manteigas vegetais.

O mais bacana é que manteigas e óleos vegetais podem ser usados em estado bruto, adquiridos em casas naturais ou mesmo em supermercados, como tratamento caseiro. Ou seja, o óleo de oliva extravirgem que tem na sua cozinha pode servir para  uma excelente hidratação! Claro,  removido depois com água e condicionador sem substâncias que emplastam!

Algumas marcas brasileiras que focam na sustentabilidade e não fazem testes com animais –  principalmente as veganas – são sugestões para quem quer um cabelo mais saudável. O resultado é uma vida com menos compostos químicos pesados, além de contribuição para o meio ambiente. Elas costumam abolir agentes de limpeza pesados que fazem espuma abundante e dar preferência para extratos botânicos, manteigas e óleos vegetais.

Também é possível encontrar entre as marcas mais populares produtos que fogem um pouco da receita tradicional: silicone insolúvel + parafina líquida e derivado de petróleo. São produtos mais simples, alguns nem possuem extratos botânicos, mas focam na glicerina, panthenol (vitamina B5) e  garantem resultados satisfatórios.  Os preços geralmente são animadores.

Seguindo essas dicas, é possível consumir de forma consciente, ou seja, adquirir produtos pela funcionalidade e custo benefício, além de obter o melhor para o seu cabelo e sua saúde. Para ostentar um crespo bonito não é necessário fazer químicas agressivas e nem gastar fortunas. Basta uma pequena compreensão sobre os principais componentes utilizados e bom senso.

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*Sabrinah Giampá é jornalista, autora do blog Cachos e Fatos e cabeleireira especializada em tratamentos naturais para cabelos crespos e cacheados no salão Garagem dos Cachos.

Fotos: Blog Cachos e Fatos.

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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