Carta de uma mãe ao Papai Noel

Carta de uma mãe ao Papai Noel

*Luciana Cattony

Papai Noel,

Nos tempos atuais, em que muitas mães trocam o serviço do lar pelo mercado de trabalho, pais levam seus filhos ao pediatra desacompanhados das mães e iniciativas relacionadas à igualdade de gêneros estão em alta, por que as meninas não podem brincar de carrinhos livremente por aí e os meninos são julgados quando escolhem brincar com panelinhas e utensílios de cozinha? Será mesmo o interesse entre gêneros tão diferente assim, ou se trata sobretudo de uma imposição cultural?

Não é verdade que incentivando as crianças a experimentarem as mais diversas brincadeiras, livres dos estereótipos de gênero, podemos contribuir na descoberta de aptidões, habilidades e interesses que influenciam inclusive na futura escolha profissional e em outros aspectos da vida de nossas crianças? Por que então a sociedade se mostra tão atrasada em relação às questões de gênero relacionadas ao universo infantil?

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Falando nisso, que notícias o Senhor me dá, daquele menino de 11 anos que gostava de brincar com o pônei cor-de-rosa e que após o bullying que sofreu na escola, tentou suicídio? Coisa mais triste, Papai Noel! Fiquei tão chocada!

Mas, para a alegria de muitos, inclusive dessa mãe que vos escreve, algumas iniciativas ao redor do mundo vem acontecendo numa tentativa de abolir essa segregação e evitar que as crianças se sintam forçadas a representar definições sociais pré-determinadas. Será este o início de uma revolução anunciada?

A gigante Amazon, por exemplo, eliminou este ano, as categorias “meninos” e “meninas” da seção de brinquedos. No site, os brinquedos são divididos agora por faixa etária e temas.

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E como deve se lembrar Papai Noel, foi iniciativa de uma aluna do ensino médio dos EUA a campanha para que o McDonald’s parasse de oferecer os brinquedos do McLanche Feliz baseado em gênero. Tal fato fez a empresa se manifestar dizendo que os brinquedos são uma livre escolha da criança; independente do gênero. Interessante, não?

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Ah, e você reparou que na última campanha da boneca Barbie, da Mattel, um menino aparece também em cena? Tem percebido isso em suas cartinhas desde quando, bom velhinho?

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Preciso confessar que adorei o catálogo da marca de brinquedos Top Toy, a maior cadeia de brinquedos do norte da Europa. A empresa também decidiu acabar com as divisões “para meninos” e “para meninas” criando catálogos de gênero neutro:

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A campanha britânica Let Toys Be Toys (“Deixem brinquedos serem apenas brinquedos”), também pede que as lojas de brinquedos e livrarias parem de organizar seus produtos infanto-juvenis em estereótipos masculinos e femininos.

Mas o que fazemos com todas essas informações, bom velhinho? Ao meu ver, é um sinal para que possamos observar mais e perceber nossas crianças a fim de descobrir suas verdadeiras preferências. E a partir disso, incentivar aquilo que gostam. É importante também se questionar sobre quem faz as escolhas das crianças: seria a mídia e os grandes anunciantes, pais ou a própria criança? Vamos permitir que nossos filhos explorem o mundo com os olhos do coração e que a essência de cada um deles seja refletida em todas as suas escolhas, a começar pelos brinquedos!

Ah Papai Noel, esta carta foi longa, talvez esteja atrasando o seu serviço; me desculpe! Mas já que chegou até aqui, não custa fazer meu pedido de Natal: desejo que o respeito reine dentro dos corações e que a partir daí consigamos um mundo mais justo e agradável para nossos filhos. Feliz Natal!

*Luciana Cattony é publicitária e fundadora do site Real Maternidade.  Luciana tem como objetivo facilitar a vida das mães e levar leveza e alegria a essa rotina.

 

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