Cenário: veja como a economia pode te ajudar a investir melhor

Cenário: veja como a economia pode te ajudar a investir melhor

O assunto investir já é complicado pra muita gente. E quando começamos a desmistificar, vem outras dúvidas relacionadas a nossa economia. Por mais que a inflação esteja alta e os juros lá embaixo, é possível conseguir rendimentos bacanas.

Conversamos com Patricia Palermo, economista-chefe da Fecomércio RS e conseguimos notícias fresquinhas para investir e ainda sair no lucro. Por mais que a situação esteja complicada, a tendência é melhorar! 

Patricia, temos um cenário mais complexo na economia brasileira de juros baixos e inflação alta. Como começar a investir neste cenário?
Acabou o tempo em que o retorno das aplicações financeiras tradicionais como fundos de investimento de renda fixa eram bastante generosos. Mesmo com os juros caindo, lembre-seu que cai para os dois lados: credores e devedores.

Com os juros baixos e a inflação alta, existe a redução das taxas de juros reais. Nesse cenário, precisamos ficar ainda mais atentas com relação a taxas de administração. Se essas forem muito altas, a rentabilidade real fica baixíssima.

Converse com o gerente de seu banco ou da corretora com que você opera e busque informações sobre a taxa. Então diversifique e comece a poupar mais. Como as taxas de juros tendem a cair no longo prazo no Brasil, para termos os mesmos ganhos de tempos atrás precisamos buscar formas alternativas de investimentos, com os cuidados exigidos por aplicações de renda variável.

Quais são as perspectivas para juros e inflação para os próximos meses?
Nos últimos dois anos, convivemos no Brasil com a combinação juros baixos e inflação alta. A estratégia do Banco Central foi privilegiar o crescimento econômico, que deveria ser favorecido pelos juros reais mais baixos à custa de uma inflação mais alta.

A tolerância com relação ao avanço dos preços não repercutiu em aumento da atividade econômica. Como a receita não deu certo e a insistência só causaria ainda mais perdas, o Banco Central já deu sinais de que vai mudar sua postura.

Devemos observar um aumento da Taxa Selic em 2013. Isso vai servir para evitar que a inflação piore ainda mais. É muito pouco provável que encerremos 2013 com uma inflação menor do que 5,5%. (Nota: Atualmente, ela está em 6,43%, conforme o IPCA-15 de março, muito acima do centro da meta estabelecida pelo BC, de 4,5%).

O cenário internacional deve afetar a nossa economia de que forma nos próximos meses?
O cenário internacional continua complicado e vai continuar afetando nossa economia. Os principais atingidos são o comércio exterior e o fluxo de investimentos estrangeiros.

As nossas exportações de bens industrializados são as mais afetadas. Do lado das importações, vemos nosso país como um mercado potencial de produtos antes com outros destinos. A entrada de produtos importados é positiva para o consumidor que muitas vezes pode consumir coisas melhores e mais baratas.

Outra forma de nossa economia ser afetada é através da redução do fluxo de investimentos e de crédito do exterior. Quando o mundo tem mais receio ao risco, a tendência é a diminuição dos investimentos em países como o Brasil.

Quais são as principais tendências para 2013?
Em termos gerais, esperamos que 2013 seja um ano bom para a economia brasileira. A agropecuária deverá ter um resultado bem mais positivo. A indústria começa apontar sinais de melhoras, ainda que pequenos.

O ano de 2013 começou com estoques baixos o que favorece a produção. Por outro lado, a questão da baixa competitividade dos produtos brasileiros fica ainda mais evidente num cenário de câmbio um pouco mais valorizado.

Por fim, o setor de serviços continuará crescendo sustentado pela expansão da massa de salários e do crédito. A inflação persistirá e devemos observar também um aumento dos juros já no curto prazo.

Com o que devemos nos preocupar na hora de definir a estratégia de investimentos, frente a todo este cenário externo e interno?
Antes de mais nada, lembre-se: não há aplicação sem risco. Um dos fatores que diferencia as aplicações entre si é o tamanho do risco envolvido. Nesse sentido, é fundamental avaliar a questão do prazo com o qual você deseja novamente contar com o recurso aplicado.

Se o prazo é curto, prefira aplicações de renda fixa. Como tendem a sofrer pequenas variações, apesar dos ganhos serem reduzidos, as perdas também o são. É necessário, porém, controlar o tempo de aplicação em certas modalidades.

CDB, por exemplo, apresentam faixas declinantes de imposto de renda conforme o período de aplicação. Vale lembrar também que quem tem recursos na poupança antiga (aquela que rendia 0,5% a.m. + TR) deve tentar mantê-los aplicados, uma vez que a tendência de longo prazo é de taxas de juros estruturalmente declinantes na economia brasileira.

Quem tem o tempo a seu favor pode se arriscar em ações, que no longo prazo, tendem a apresentar resultados bastante positivos, ainda que ajam sobressaltos no meio do caminho. E isso deve ser especialmente verdade no caso do Brasil.

Para você ganhar dinheiro com ações, precisa comprar na baixa e vender na alta. Isto é, se você comprar uma ação num pico histórico, dificilmente conseguirá grandes ganhos. Outra forma de aplicação que vem ganhando espaço no mercado são os fundos imobiliários que, numa linguagem bem simplificada, misturam características do mercado de ações e de renda fixa.

Também existem os fundos múltiplos que englobam tanto renda fixa quanto variável (ações) na sua carteira. Como aplicações de longo prazo, há também títulos públicos vinculados a índices de preço que parecem boas opções.

Quais são suas dúvidas sobre investimentos?

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carolinaruhman

carolinaruhman

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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