China leva mercados ao pânico e mostra seu poder de fogo

China leva mercados ao pânico e mostra seu poder de fogo

*Naiara Bertão

Olá, pessoal. Tudo bem?

Quem acompanha de perto a coluna sabe que não faltam notícias ruins na economia brasileira ultimamente, não é? Na semana passada, porém, não foi o déficit de R$7 bilhões nas contas do governo central em julho ou a expectativa pessimista para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre que tirou o sono do mercado. Foi um dragão, o dragão chinês.

Eu sempre gostei das aulas de geopolítica no colégio e desde aquela época (início de 2000) a China já começava a cutucar o trono americano na economia mundial. As taxas de crescimento de 10% ao ano e o enorme mercado consumidor interno (estamos falando de um país com 1,4 bilhões de habitantes!) faz do país a grande promessa dos emergentes, apesar de os chineses ainda viverem sob um regime político polêmico e pouco transparente.

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Na semana passada a cauda do dragão bateu nas bolsas do mundo inteiro e mostrou seu peso. A bolsa chinesa caiu 8% na segunda-feira – a maior queda desde 2007 – e levou os mercados mundiais ao pânico. Milhares de papéis caíram mais de 10% em pouco tempo nos Estados Unidos. No Brasil, o Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) chegou a despencar 6% no meio do pregão, mas recuou ao longo do dia e fechou 3% no vermelho, a 44.336 pontos. Esse é o menor nível desde abril de 2009 (em pontuação). Terça-feira foi outro dia difícil. Nessa “brincadeira”, o empresário Jorge Paulo Lemann perdeu R$ 3 milhões em desvalorização de ativos.

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As tais das expectativas –Há muita especulação na bolsa sim, mas o mercado de capitais costuma refletir bem um item muito importante da economia: expectativas. E é justamente a expectativa de que chegou ao fim a era das taxas de crescimento astronômicas da China que levou o mercado a reagir assim. Acredita-se que a economia chinesa esteja crescendo em ritmo muito mais lento do que a meta oficial de 7% para 2015.

A economia mundial está mais fraca, isso é um fato. A Europa ainda não se recuperou, a América Latina está indo “ok” e os Estados Unidos ainda mostram sinais divergentes (ora um indicador vem muito bom, outro vem mais ou menos, outro vem ruim).

Em momentos de tensão mundial, os investidores costumam mudar suas posições: tiram seu dinheiro dos países mais “arriscados”, como os emergentes, e o colocam em países mais “seguros”, como os Estados Unidos. Com a saída de dólar, a procura pela moeda fica maior do que a oferta e, assim, o dólar fica mais caro ante o real. Vale lembrar ainda que, se o Banco Central americano (Fed) subir os juros por lá em setembro – como muitos economistas apostam – o país vai atrair mais dólar e, consequentemente, as moedas ao redor do mundo tendem a se desvalorizar ante a americana. Se já há agência de câmbio vendendo dólar a R$ 4 cada hoje, imagina se o Fed subir os juros(#medo)!

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Peso digno de lutador de sumo – A China mostrou que é peso pesado na luta pela linha de frente da economia mundial. Seu poder de impacto em outros países é assustadoramente alto. No Brasil, nós temos uma forte ligação comercial com Pequim: a China tomou o lugar dos EUA como principal parceiro comercial em alguns momentos nos últimos anos. As trocas comerciais entre Brasil e China somaram US$ 78 bilhões em 2014. Se a China cresce menos, ela demanda menos produtos do exterior, em especial commodities (petróleo, minério de ferro, soja, açúcar). Assim, os exportadores brasileiros e a balança comercial local sofrem o impacto.

Para se prevenir de uma queda muito brusca da atividade econômica, o governo chinês está adotando uma estratégia econômica de proteção .

– Injetou bilhões de dólares no mercado em uma operação de resgate sem precedentes;
– Subiu juros para atrair capital;
– Afrouxou as taxas do depósito compulsório pela segunda vez em dois meses.

O FMI, o Fundo Monetário Internacional, até falou na semana passada que a desaceleração da China e a forte queda de seu mercado acionário não era o anúncio de uma crise, mas um “ajuste necessário”.

Mas não tem jeito. Investidor é pior que casais que saem pela primeira vez: criam muitas expectativas! Sob qualquer frustração (ou indício de), a reação pode ser muito dramática. Nas próximas semanas saberemos o real tamanho do dragão e seu poder de fogo. A acompanhar…

*Naiara Bertão é jornalista formada pela ECA-USP, especializou-se em economia, negócios e finanças. Trabalhou em diversos veículos  de comunicação do país, como Infomoney, Brasil Econômico e VEJA. Escreve sobre os principais acontecimentos econômicos da semana.

Fotos: Shutterstock

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