Colhendo o bem com o empreendedorismo social

Colhendo o bem com o empreendedorismo social

Em uma sociedade em que predomina o pensamento de que pode mais quem tem mais dinheiro, as classes com menor poder aquisitivo acabam levando uma vida de muito sacrifício e pouco resultado. Em geral, muita gente irá apenas concordar com essa afirmação. Mas não é assim que pensa a empreendedora Alessandra França, de 28 anos. Ela não concorda e muito menos se conforma com essa realidade.

E foi justamente seu senso de colaboração, aliado ao contexto familiar e a algumas experiências de vida, que fizeram com que ela fosse pioneira no Brasil no lançamento de um empreendimento com o foco na concessão de crédito para aqueles que mais precisam. A partir de agora vocês conhecerão um pouco mais sobre a história do Banco Pérola, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) com uma visão bem diferente dos bancos tradicionais.

História

Para entender as origens do banco é preciso remontar, de maneira sucinta, a história de vida de Alessandra. Paranaense e filha de pais agricultores, ela viu desde muito nova a luta que os dois enfrentavam diariamente para garantir o sustento da família. Em função de um período de seca rigorosa, a família dela resolveu mudar-se do interior do Paraná para Sorocaba (SP), com o objetivo de buscar melhores condições de vida. Tudo isso aconteceu quando Alessandra era criança e, na nova cidade, ela acompanhou também as dificuldades que os pais tiveram para conseguir crédito como microempreendedores, tendo em vista as condições financeiras limitadas da família.

Toda a experiência de vida despertaram em Alessandra o interesse em envolver-se mais seriamente com projetos sociais. Mais tarde, já adulta, no ano de 2009, ela ganhou um concurso de empreendedorismo e, com o prêmio, viu a possibilidade de fundar o banco. Para concretizar a ideia, ela contou ainda com a colaboração de dois amigos que partilham de valores muito semelhantes aos dela. O toque final para o nascimento do banco foi a leitura do livro “O banqueiro dos pobres“. “O livro me mostrou que é possível fazer muito com muito pouco. Os créditos são pequenos e a gente fica admirado de ver como pouco dinheiro pode fazer tanta diferença”, explicou Alessandra.

Banco Perola-Alessandra França/divulgação

O banco

Sob olhares de descrença por parte de muita gente, Alessandra e seus dois amigos deram vida ao Banco Pérola. Quem não acreditava no potencial do empreendimento deve ter se espantado com o resultado. A Oscip, que começou suas operações em abril de 2010, acompanhava inicialmente 28 pequenos empreendimentos. Hoje, já são 500 negócios de microempreendedores apoiados pelo banco. Cerca de outros 1.500 em potencial esperam uma oportunidade, mas por enquanto o banco ainda não tem como atender a toda essa demanda.

Com equipe reduzida, Alessandra conta que o trabalho é feito com extrema dedicação, pois o desafio é grande. “Fazemos um acompanhamento dos empreendedores a cada 20 dias, justamente para diminuir o risco, que sabemos que é grande”, conta.

A grande diferença na relação entre o Pérola e os bancos tradicionais, é forma como se estabelece a relação entre a instituição e os tomadores de empréstimo. “A relação é muito próxima, as vezes nos envolvemos até com questões familiares dos empreendedores. Percebemos que para o negócio ir bem, a família também precisa estar bem. O nosso contato precisa ir muito além de somente um levantamento numérico”.

Segundo ela, em algumas situações é preciso interferir na tomada de decisão dos pequenos empreendedores, na tentativa de evitar prejuízos. O monitoramento e a oportunidade dada a pessoas mais necessitadas parecem estar dando certo. Segundo Alessandra, o índice de inadimplência dos tomadores de empréstimo fica em torno de somente 2 a 4%. As perdas de contrato – que são os casos em que realmente não dá para reaver o dinheiro – ficam entre 1% a 2%.

Mudança de paradigma

Alessandra França construiu sua vida com base na crença em uma sociedade melhor, com mais oportunidades para todos. A história de vida dela e a fundação do banco não são somente exemplos da determinação que é preciso ter para dar vida a uma ideia diferente e ousada. Ela mostra como buscar o desenvolvimento de uma maneira mais humana.

“Eu acredito que a gente tem sucesso porque mais pessoas estão acreditando, mas gente que apoia e quer ver crescer, Todo mundo cansou um pouco do modelo tradicional e as pessoas viram que o mundo precisa mudar”.

Bom, pelo visto Alessandra tem feito a parte dela para ver essa mudança acontecer. Fica aqui um pouco mais dessa história de coragem e inspiração para todas nós!

 

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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