Como a intoxicação emocional faz você perder dinheiro

Como a intoxicação emocional faz você perder dinheiro

Seu dia foi frustrante. Você chegou atrasada no trabalho, se atrapalhou com a entrega do relatório e, para completar, levou aquela bronca do chefe. É tanta decepção que tudo que você sente é uma avalanche de emoções que chega a te cegar. Responda rápido: você sai do escritório, respira fundo e vai direto para casa ou dá uma passadinha no shopping para esvaziar a cabeça? Se a segunda opção tem mais a sua cara, cuidado: você pode estar passando por uma intoxicação emocional – que também pode contaminar sua vida financeira se você não ficar de olho.

Este estado nada mais é do que a falta de capacidade de lidar com as emoções negativas que as frustrações nos causam. Cada vez que algo dá errado – e, convenhamos, isso acontece toda hora –, logo vem aquele desalento, cabendo a nós saber lidar com ele e nos fortalecermos. Quando não conseguimos, as emoções dominam nossa cabeça. “Isso se traduz em impulsos que não conseguimos controlar e, geralmente, decisões erradas”, explica Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista e professora de psicologia econômica da Fipecafi. É como se elas estivessem te afogando, e você faria qualquer coisa para sobreviver àquele momento.

A intoxicação emocional custa caro

Vale tudo para se salvar do afogamento, inclusive agarrar qualquer pedaço de madeira que estiver passando por perto. Para algumas pessoas, ele pode ser uma “shoppingterapia” ou até mesmo investir em qualquer aplicação, só para tirar de si a agonia que aquele sentimento causa. Sim, ser dominada pelas emoções pode fazê-la perder dinheiro.

Vamos dar outro exemplo que você já deve ter visto: você não quer tanto levar aquela blusinha, mas o vendedor jura que é a última – e você não vai deixar aquela oportunidade passar, não é mesmo? “O ser humano não suporta perder. Isso deixa a pessoa tão transtornada que mal consegue assimilar suas escolhas. Ela pode vender algo a preço de banana ou comprar algo por mais do que o produto vale, só para se livrar daquele sentimento insuportável gerado pela experiência de perder”, explica Vera Rita. O resultado você já sabe: mais uma peça que nunca será usada e um rombo crescente no orçamento. Como se não bastasse, ser tomada pelas emoções pode levar à depressão, euforia, medo e paranoia.

Nesses casos, apenas fazer um planejamento financeiro caprichado pode não ser muito efetivo, pois o grande problema é colocá-lo em prática diante da avalanche de sentimentos que leva aos impulsos consumistas. “Não adianta dizer ‘hoje eu mereço, mas semana que vem começo a me organizar’. Ou começa agora, ou não vai conseguir”, alerta a professora da Fipecafi.

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Sentimentos e carteira em equilíbrio

Apesar de usarmos o termo “intoxicação”, a verdade é que não existe um “detox”, pois o emocional e racional andam de mãos dadas em todo o tempo. O que é possível é aumentar o limite de tolerância à frustração para que ela não nos derrube. “Se a gente aguenta mais e tem mais resiliência, as emoções vêm e podem até tomar conta, mas a gente consegue ver a situação de fora e enxergar com mais clareza”, aponta Vera Rita.

Uma das maneiras mais eficientes de aprender a lidar com tudo isso é meditar. Durante a prática, você procurará esvaziar a mente de tudo que não seja aquele exato momento. Sem pensar no que já passou ou se antecipar ao que virá, você terá mais controle sobre si. Já a psicanálise dará a oportunidade de processar suas experiências emocionais acompanhada de um profissional, assim como conversar com pessoas de sua confiança sobre seus sentimentos. Também é válido procurar atividades como jardinagem e atividades físicas como caminhada e dança. “Tudo isso ajuda a pessoa a passar mais tempo com ela mesma. Se você conseguir se observar durante esses processos, você aprenderá mais a seu respeito, pois a chave é o autoconhecimento”, amarra a especialista. Isso dará serenidade para quando aquela emoção bater, você poder respirar fundo e saber que vai passar, sem precisar sucumbir ao medo, ansiedade ou angústia.

Com todas essas medidas, pode apostar que os sentimentos serão seus amigos, e não o motivo do cartão de crédito estourado.

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Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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