Como aproveitar cortes de porco pouco conhecidos

Como aproveitar cortes de porco pouco conhecidos

*Maria Capai

No último post falamos sobre o consumo da chamada “carne de segunda” do boi. Esse assunto faz parte de uma questão maior, que é o aproveitamento integral do animal. No último mês, ocorreram comigo dois eventos importantes que dizem respeito a isso, então, vou compartilhá-los aqui para continuarmos essa conversa, tão importante para o nosso bolso, saúde e sustentabilidade do planeta.

A primeira história começou em um sábado de feira. Curiosa que sou, me detive observando uma conversa entre o moço que vende carne de porco – criado por ele em uma fazenda próxima daqui – e um cliente que havia encomendado uma cabeça de porco. Ao ver a cabeça do bicho (com direito a focinho, dentes, orelhar e tudo mais, afinal, era um porco), ele não conseguiu concretizar a compra. Seu incômodo frente à face do porco morto era visível em seu rosto, assim como seu constrangimento por não honrar a encomenda feita.

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Aproveitei a deixa e agi sorridente e conciliadora “se você não comprar, eu compro”. Pronto, o vendedor ficou feliz, o ex-comprador aliviado, e eu, voltei para casa sentindo-me muito corajosa com a aventura que teria pela frente. O relato completo vocês podem ler nesse post do DigaMaria. Aqui, saltarei para a parte que diz respeito ao aproveitamento integral do nosso porquinho.

Continue a ler a matéria na próxima página!

Comprar a cabeça já é um gesto de respeito, já que porco nenhum tem apenas lombo, costelinha e pernil, mas também da cabeça sobraram vários pedaços menores de carne que eu não poderia desprezar. Foi aí que decidi cozinhar esses restos no feijão, sem seguir qualquer receita, apenas meu paladar. Como de costume, fiz uma foto do prato que montei e postei no meu Instagram.

feijao com carne de porcoCrédito: Maria Capai

Não muito tempo depois, essa foto/receita foi escolhida pela chef Renata Vanzetto (dos restaurantes Ema e Marakuthai, e do bar MeGusta, em Ilhabela e São Paulo) para ganhar um toque especial e integrar a edição de numero 200 da Revista Menu, que está nas bancas este mês.

Para tornar viável para aqueles que não tem acesso a uma cabeça de porco, ou disposição para encará-la, na receita que enviei à Revista sugiro usar pernil e lingüiça defumada. Mas deixo aqui essa inspiração e duas certezas: é desafiador encarar a carne como um animal que teve vida e que foi morto para virar alimento; assim como é muito prazeroso aceitar esse desafio e sentir que agimos com respeito e reverência frente à morte de um animal.

A minha versão da receita está aqui. A versão da chef Renata Vanzetto está na edição de outubro de 2015 da Revista Menu.
A segunda história virá no próximo post deste mês para o Finanças Femininas.

Fotos: Shutterstock e Maria Capai

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