Como comprar dólares com a moeda tão valorizada?

Como comprar dólares com a moeda tão valorizada?

Fim de ano, férias chegando, a tão sonhada viagem para o exterior programada para acontecer em breve e um pesadelo aparece em meio a seus planos: a disparada do dólar e o cenário de instabilidade a curto prazo. Nesta semana, a moeda chegou a fechar o dia cotada em R$ 2,75, a maior cotação em nove anos. Para quem vai viajar, algumas dúvidas surgem com mais urgência: Até onde o dólar deve subir? Quais os motivos da alta? Qual o melhor momento para comprar moeda? Mesmo quem não está preparando as malas tem seus receios. Afinal, a alta do dólar traz reflexos de imediato para a inflação?

Para esclarecer essas e algumas outras questões, o Finanças Femininas conversou com Tarcísio Rodrigues Joaquim, diretor de câmbio do banco Paulista, e com o consultor e economista Samy Dana.

Até onde o dólar deve subir?

Os dois especialistas concordam que é impossível prever isso neste momento. Tarcísio vai além: “Neste momento, quem disser que vai chegar a um valor X está mentindo. Não dá para saber nada a curto prazo. A alta da moeda tem sido desencadeada por fatores internos e externos.

Por que a moeda subiu?

Tarcísio Rodrigues: Internamente nós temos a crise de credibilidade que foi agravada com a situação da Petrobrás. Externamente temos o fator Rússia (o país enfrenta uma forte crise econômica e isso vem contaminando os mercados ao redor do mundo, provocando a valorização do dólar). Internamente, o problema da Petrobrás deve ter mais desdobramentos e isso pode continuar impactando no câmbio.

É um bom momento para investir em dólar?

Samy Dana: Neste momento é um risco enorme, é melhor nem pensar nisso agora. Se a pessoa investe em dólar, a moeda pode até continuar subindo, mas a investidora está deixando de ganhar praticamente 12% com o governo (com os juros da economia brasileira em alta, investimentos que acompanham essa taxa tem uma boa rentabilidade).

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Para quem viagem internacional marcada para os próximos dias, qual a estratégia proteger-se da alta?

Samy: Com a cotação atual, faça as contas para saber se você dá conta de pagar a viagem. Se perceber que consegue manter os planos mesmo com a cotação alta, compre logo para não ficar com receio do preço da moeda subir ainda mais, é melhor do que ficar nervosa, com medo de não conseguir mais fazer a viagem.

Tarcísio: Neste tipo de situação, o conselho é voltar para os dias antigos e procurar usar dinheiro em espécie. Evite usar cartões de crédito, para não ter sustos com a conversão da moeda na hora do fechamento da fatura. A compra com o cartão de crédito, apesar de mais prática, conta com uma cotação futura e pode encarecer muito as suas despesas. Os cartões pré-pagos também tem uma taxa de 6,38% de IOF (Imposto sobre Operação Financeira). Para evitar mais este encargo em tempos de câmbio valorizado, usar dinheiro em espécie é a saída.

Qual o melhor momento para comprar dólares para quem vai viajar nos próximos meses?

Os dois especialistas concordam que o melhor a fazer neste momento é acompanhar o mercado de perto e ir comprando dólares aos poucos. Desta forma você pode aproveitar os dias em que a cotação estiver mais estável ou tiver baixas, de forma a comprar seus dólares por um preço médio melhor até a data da viagem.

A alta do dólar afeta a inflação?

Samy Dana: De imediato não interfere porque as importações já foram feitas. Mas se o dólar continuar subindo, o preços dos produtos importados ficarão inflacionados.

Tarcísio Rodrigues: A volatilidade do dólar é muito ruim para a inflação. O problema não é nem a alta em si, mas a incerteza do amanhã. De um modo geral, o câmbio sempre foi uma ferramenta importante para o governo controlar a inflação. Um case interessante sobre isso é o que aconteceu com o feijão em 2003. Os produtores queriam aumentar o preço e o governo discordava. Para forçar uma valorização do produto, eles tiraram o produto do mercado, o que consequentemente afetou os preços, em função da demanda. Para equilibrar novamente os preços, o governo baixou o dólar para favorecer a importação de feijão. Ou seja, neste caso, a interferência na moeda funcionou como um regulador de mercado. Por outro lado, quando você tem uma volatilidade muito grande, quando há muita incerteza sobre o dia de amanhã, os empresários ficam com medo de importar e acabar lidando com custos muito altos. Essa instabilidade é muito ruim para a economia.

 

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