Como diversificar os investimentos em tempos de crise?

Como diversificar os investimentos em tempos de crise?

Um dos maiores problemas de uma crise econômica é o efeito que ela gera na população. Observe bem o comportamento das pessoas: nas ruas movimentadas é possível perceber um semblante mais pesado, preocupado. Mesmo com placas anunciando promoções e liquidações, é difícil ver lojas cheias. O pessimismo e o receio do que pode acontecer ficam visíveis a todo momento.

Neste contexto, muita gente deixa de ver que o momento de crise pode ser de muitas oportunidades, desde que haja disponibilidade para aguardar a longo prazo. Para quem tem investimentos ou deseja começar a fazê-los, a planejadora financeira certificada pelo IBCPF, Michela Aimar, dá algumas alternativas interessantes para diversificação.

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Antes de mais nada, vale reforçar a importância de diversificar os investimentos. No jargão econômico, é comum o ditado de que não devemos manter todos os ovos em uma mesma cesta. Em outras palavras, isso significa dizer que o ideal é que nosso patrimônio seja distribuído em diferentes fontes de rendimento, de modo que possamos nos resguardar em caso de prejuízo em algum ativo.

Neste post, a especialista indica uma opção de diversificação para quem está visando retorno a longo prazo. “É interessante para quem está pensando em juntar dinheiro para aposentadoria, comprar um imóvel futuramente ou mesmo pagar a faculdade dos filhos mais adiante”, comenta.

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Títulos públicos e fundos

A dica dada por ela mescla investimentos em renda fixa, para aproveitar o momento em que a inflação está elevada, e outros ativos de renda variável, que trarão bons resultados no longo prazo.

No caso da renda fixa, uma boa opção seria investir em alguns títulos do Tesouro Direto que são bem populares. Com as novas nomenclaturas, eles são chamados de Tesouro IPCA (antigo NTN-B principal) e Tesouro IPCA com juros semestrais (antigo NTN-B). Na prática, são títulos em que você recebe, na data de vencimento do título, uma taxa de juros prefixada, além da variação da inflação no período, ou seja, seu rendimento nunca ficará abaixo da inflação. Na opção com pagamento de juros semestrais, você pode obter uma antecipação do rendimento a cada semestre, no entanto, isso implica em pagamento de imposto de renda seguindo uma tabela regressiva.

“A opção dos títulos atrelados à inflação é interessante porque eles têm a taxa prefixada, que garante um rendimento sempre acima da alta dos preços. No caso dos títulos pós-fixados ligados à taxa de juros, há um risco de redução dos rendimentos a longo prazo, caso a taxa de juros comece a cair”, pontua. Vale ressaltar que o ideal é que a investidora esteja realmente comprometida em resgatar o dinheiro apenas no vencimento do título, tendo em vista que se for feito o resgate antecipadamente, ela provavelmente terá prejuízos, uma vez que o papel será vendido pelo valor de mercado naquela época, ou seja, sem a totalidade dos rendimentos que aquele título pode oferecer.

Já para renda variável, ela indica os fundos de ações ou os fundos multimercados, sendo que estes oferecem opções de investir em moedas e em ativos fora do país. Nos dois casos, é preciso ter dedicação para acompanhar o investimento. “É preciso ter um montante maior para investir e tempo para acompanhar a aplicação. Depende muito também do horizonte da investidora. Não é o tipo de investimento adequado para quem pretende ter retorno dentro de um ano, por exemplo. O objetivo aqui é o longo prazo”, ressalta.

O interessante em renda variável em tempos de crise é que é possível comprar ativos por um preço reduzido, sendo que a meta é mante-los e aguardar a valorização ao longo do tempo, por isso a paciência para esperar o retorno e o sangue frio para suportar os altos e baixos do mercado. Por fim, vale ressaltar o cuidado que é preciso ter na hora de contratar a corretora que irá gerir seu fundo de investimento. “Existem fundos com vários níveis de risco e políticas de gestão. É preciso conhecer muito bem a estratégia de investimento do fundo escolhido e confiar muito no gestor”, aconselha.

Por fim, para aumentar os ânimos neste período de crise, a planejadora deixa um lembrete. “A parte mais difícil é que as crises acontecem porque todo mundo se junta na desconfiança. Para combater o pessimismo, é só resgatar o histórico de outras crises. Esses momentos tendem a ser cíclicos”, finaliza. Não há tempestade que dure para sempre, meninas. Vamos manter a confiança para esperar os tempos de bonança.

 

Crédito das imagens: Shutterstock

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