Como empoderar uma mulher

Como empoderar uma mulher

*Carolina Ruhman Sandler

Muita gente me pergunta por que quero falar de finanças só com mulheres. Por que a gente tem uma necessidade específica na hora de tratar das nossas contas? Afinal, todo mundo na vida vai ter que lidar com cartão de crédito, poupança, dívidas, aposentadoria

Sim, as questões financeiras são universais e não dependem de gênero. Seja você homem ou mulher, vai enfrentar ao longo da sua vida uma série de dúvidas sobre como cuidar melhor do seu salário.

No entanto, eu vejo que as mulheres têm dúvidas muito específicas. Aqui não estou mais falando apenas de questões como a melhor forma de pagar as dívidas, o uso apropriado do cartão de crédito ou os investimentos que vão garantir a aposentadoria.

Você também pode gostar:
Lego faz campanha que incentiva empoderamento feminino
Ganhar mais que o marido não é problema
A escritora que tem feito o mundo enxergar os direitos femininos

Recebo muitas dúvidas de leitoras, e cada vez vem uma questão diferente. Como parar de brigar com o marido sobre dinheiro. Como negociar o salário. Como organizar as contas da casa. Como controlar os gastos na hora de ser madrinha do casamento da melhor amiga. Como se preparar para uma gravidez inesperada. E assim por diante. São questões práticas, únicas, que dizem muito da nossa maneira de lidar com os desafios do dia-a-dia.

Aproveite e baixe a nossa Planilha amiga de orçamento!

Se 60 anos atrás, o desafio da mulher era a emancipação, o voto, o direito a estudar e trabalhar, a pílula e o divórcio, hoje as questões são outras. A emancipação feminina veio com tudo, e agora os desafios são diferentes. Igualdade salarial, maior participação de mulheres em cargos de liderança, equilíbrio entre família e carreira, flexibilidade no trabalho. A mulher contemporânea é a mulher-polvo: com muitos braços para conseguir lidar com o trabalho, os cuidados da casa, dos filhos e família, ter tempo para a academia, para as amigas, o supermercado, tempo para si própria.

mulher-trabalho

 

Continue a ler a matéria na próxima página!

Foram tantas mudanças, e elas vieram de forma tão acelerada, que muitas vezes nos esquecemos que tudo é muito, muito recente. Antes de 1962, a mulher não tinha CPF, nem direito de ter uma conta própria no banco. Ou seja – quando nossas avós nasceram, elas não tinham este direito. Para ir às compras ou construir um patrimônio, tudo tinha que passar pelas mãos do marido.

Este cenário é radicalmente diferente da nossa vida hoje, quando 38% das mulheres são chefes de domicílio no Brasil, de acordo com o Senso. Nestas casas, ou ela ganha mais do que o marido, ou nem tem marido na jogada.

Como aprender a lidar com todas estas questões, em tão pouco tempo? Os homens vêm aprendendo a cuidar do dinheiro há séculos. Nós, a pouco mais do que 50 anos.

Por isso, acredito que é essencial ter um trabalho de educação financeira só para mulheres. Para lidar com todos estes desafios do dia-a-dia. Para correr atrás do tempo perdido. Para formar famílias melhores – afinal, segundo a OCDE, as mulheres têm um papel multiplicador, e passam aos filhos o que aprenderam agora.

Hoje vejo movimentos e grupos de empoderamento feminino em todos os lados. Mulheres empreendedoras, mulheres em cargos de liderança, mulheres na tecnologia. A nossa bandeira é a base para todas elas: mulheres que sabem cuidar das suas finanças, em todos os seus desafios de mulher-polvo, são mulheres preparadas para alcançar o que quer que elas queiram.

*Carolina Ruhman Sandler é a fundadora do site Finanças Femininas e coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva). Jornalista, tem 31 anos, é casada e mãe da Beatriz.

Fotos: Shutterstock

Este conteúdo foi útil para você?

carolinaruhman

carolinaruhman

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

close