Como equilibrar o estresse do mercado de risco e os tempos de crise

Como equilibrar o estresse do mercado de risco e os tempos de crise

Há algum tempo temos observado notícias não tão animadoras sobre o mercado financeiro, principalmente quando o assunto é a Bolsa de Valores. No início deste ano, a notícia de que o índice Ibovespa havia acumulado queda de 16% e que ficou em último lugar em um ranking com 48 bolsas do mundo inteiro com certeza ajudou a tirar o sono de muitas investidoras. O ano de 2014, com todas as incertezas no cenário político e inseguranças no lado econômico, realmente não tende a ser fácil.

Muito além dos prejuízos que vem acontecendo para muita gente, quem atua no mercado financeiro parece não estar preparado para um problema ainda maior: o prejuízo que não é material.

Lidar com o mercado de financeiro, principalmente com a renda variável – considerado investimento de risco maior – é lidar com ego. Se você faz parte de uma empresa de investimentos, se trabalha em um banco, diretamente com mercado de ações ou qualquer outra coisa neste sentido, sabe bem do que estamos falando. Não trata-se apenas de andar sempre bem vestido e demonstrar segurança e confiança o tempo todo. Essa é a praia daquelas que confiam no taco, que não tem medo de comparações e que, mesmo com toda a pressão, não têm medo de colocar o mundo nas costas e falar “eu dou conta de carregar”.

Mas toda essa autoconfiança tem um preço. E as vezes ele pode ser bem mais alto do que você imagina.

As ilusões do status e do dinheiro

Não deixe-se enganar, você pode até confiar em si mesma, mas é um ser humano. E os humanos estão fadados a errar em algum momento. Faz parte da nossa evolução, faz parte do aprendizado, do processo de encontrar sentido na vida. Somos feitos de tentativa e erro, até chegarmos no que é certo.

Lidar com empregos com alto nível de cobrança e pressão, o desespero pelos resultados quando o contexto econômico não é favorável, tudo isso pode acabar gerando uma bomba-relógio interna dentro de pessoas com o perfil de autoconfiança exagerada.

Recentemente, o portal de conteúdo Business Insider publicou uma matéria sobre a recorrência do suicídio de profissionais do mercado financeiro dos Estados Unidos, de Londres e Hong Kong. Um dos fatores apontados que contribuem para medidas extremas como essa é justamente a cultura criada no mercado financeiro.

Trabalhar em um ambiente em que as pessoas tentam superar a si mesmas e aos colegas a todo tempo leva a uma falsa crença de que todos ali são “imbatíveis”. Você dorme tarde, acorda super cedo, segue para o trabalho à base de bastante cafeína, trabalha feito louca, grita, corre, troca telefonemas estressantes, briga com facilidade, se impõe a todo custo, volta para casa com a cabeça no trabalho, deixa a vida social em segundo plano, pensa um pouco mais no trabalho e vai dormir para repetir tudo novamente no dia seguinte. Vez ou outra, para sair deste ciclo, gasta boa parte do gordo contracheque em um agrado bem caro, como uma bolsa de grife ou um novo tailleur. Se não for isso, pode acabar descontando o estresse em vícios como o cigarro, a bebida alcoólica ou outras drogas.

Cansa só de ler, não é mesmo? Mas para muita gente essa é a realidade. A falta de tempo para tudo, exceto o trabalho. A necessidade de trabalhar cada vez mais para conquistar mais dinheiro, mesmo sem saber exatamente como gastá-lo.

como lidar com crises no mercado financeiro

O peso da crise

Diga a uma pessoa com excesso de confiança que ela não pode ter algo e que não há nada que possa fazer a respeito disso. É a receita de uma verdadeira bomba. O efeito de uma crise financeira é justamente esse. O fato da economia passar por um período difícil não é culpa de uma ou duas pessoas, não há como apontar culpados.

Isso significa que, se você trabalha no mercado financeiro, a cobrança vai aumentar e nem sempre o resultado que você alcançava há alguns anos vai voltar a acontecer de imediato. A culpa pode até não ser sua, mas a insatisfação você acaba levando para casa.

A partir do momento que os resultados não chegam, a instabilidade toma conta do ambiente. Risco de falência, cortes no número de funcionários, tudo isso pode te afetar, ainda que você continue com a mesma competência de sempre. Como estamos falando de uma cultura de trabalho que prega a constante competição, poucas serão as pessoas que demonstrarão fraqueza, que vão procurar alguém para conversar ou uma forma de mudar de vida. Os problemas acumulados vão parar em constantes sessões de terapia ou recaindo sobre os vícios.

Como escapar disso?

Não há solução pronta para todo mundo, mas para evitar o colapso, é preciso quebrar paradigmas. Se você é investidora no mercado de risco, se trabalha com o mercado financeiro de alguma maneira, não sucumba às instabilidades da economia. A vida vale mais do que qualquer queda de pregão, independe do tamanho das perdas em cifras.

Ter um trabalho com ato nível de estresse não é para qualquer pessoa, mas não sinta-se “indestrutível” porque ocupa um desses cargos. Se não há espaço para criar um ambiente melhor de trabalho, procure ajuda fora do expediente, admita seus medos e fraquezas para si mesma e batalhe para encontrar um caminho para lidar com eles.

Se você estiver esgotada deste estilo de vida, não seria o momento de pensar em mudar de rumo? Afinal de contas, ganhar muito dinheiro precisa ter algum sentido! Mas se é a rotina acelerada que lhe dá gás para viver, tente ao menos rever suas prioridades e os limites para o estresse. Deixe que o país entre em crise, que a bolsa despenque, mas não deixe que você quebre junto com o mercado. O mundo não cabe em suas costas, portanto, a culpa não é sua!

 

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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