Como funcionam os investimentos no exterior

Como funcionam os investimentos no exterior

Muita gente tem a curiosidade de acessar investimentos no exterior, mas, na prática, essa opção permanece restrita a uma parcela muito pequena da população. Quer saber quais são as formas mais fáceis de chegar a ativos de outros países e conferir se alguma delas cabe nos seus objetivos? Então confira as orientações de Anderson Pellegrino, professor de economia da IBE-FGV.

Por que pouca gente investe no exterior?

“O primeiro motivo que explica o fato de o brasileiro não ter uma cultura disseminada de investir no exterior é a sensação de segurança. Em geral, as pessoas se sentem mais seguras em aplicar nos produtos que já conhecem: aquele que o pai ou um amigo já investiram e indicaram”, explica Pellegrino.

Mas não só as questões culturais influenciam essa escolha. Comparado a outros países, o Brasil apresenta muitas restrições tributárias e regulatórias para o investimento no exterior – o que aumenta a necessidade de conhecimento e orientação para acessar esses ativos. Por último, as altas taxas de juros praticadas no País, que garantem bons resultados financeiros na renda fixa, acabam afastando a população de opções mais arriscadas.

Como acessar ativos no exterior?

Apesar das barreiras, há diversos produtos financeiros disponíveis para quem deseja investir em outros países. Algumas opções realmente ficam mais restritas aos investidores de alta renda: como a abertura de contas ou empresas no exterior.

As chamadas atividades offshore são contas e empresas abertas no exterior que permitem também ao investidor ter acesso a ativos daquele país. Normalmente são escolhidos países com baixa ou nenhuma tributação – mas isso não significa, necessariamente, que elas sejam ilegais. “Nessas opções, normalmente é necessário um capital mais elevado e bastante orientação sobre questões tributárias e de regulação”, explica Pellegrino.

Há outras modalidades, entretanto, mais acessíveis a investidora comum. Conheça algumas delas.

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1) Fundos multimercados e de capital protegido

Para o economista, os fundos são as opções mais funcionais à investidora média que deseje ter acesso a ativos no exterior. Nesse caso, você não precisa abrir uma conta ou empresa lá fora, mas pode simplesmente aderir a um fundo que trabalhe com produtos estrangeiros por meio do seu banco ou corretora no Brasil.

O fundo multimercado, por exemplo, pode mesclar diversos ativos – de papéis estrangeiros (como ações, títulos públicos ou privados, certificados de commodities…) a produtos nacionais. Os fundos de capital protegido tem ainda a vantagem de proteger o montante colocado inicialmente na compra do produto. “Para a investidora, não é preciso um investimento muito alto para acessá-los. Além disso, há a praticidade e confiança de investir por meio de uma empresa que conhece”, explica o economista. Confira aqui tudo o que você precisa considerar na hora de investir em fundos de investimento.

2) COE

Outra opção é o Certificado de Operações Estruturadas (COE), que mistura ativos de renda fixa e variável, nacionais e internacionais. Na maioria dos casos, ele também garante proteção ao capital investido. Confira mais sobre ele aqui.

3) BDR

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são recibos de empresas estrangeiras negociadas na bolsa brasileira. Para a investidora menor, é possível acessá-los principalmente por meio de fundos de BDR.

E para quem essa é uma boa opção?

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Todas as opções acima envolvem mais riscos do que os investimentos em renda fixa – como Tesouro Direto, CDBs e LCIs -, em contrapartida, claro, trazem a possibilidade de rendimentos maiores. Pellegrino explica então que, quem se interessa por investimentos no exterior, deve ver essa opção como parte de uma estratégia de diversificação.

“Essa é uma forma de equilibrar a relação risco/retorno, principalmente considerando a instabilidade do mercado brasileiro para a renda variável.” Lembramos, entretanto, que para a investidora de perfil conservador, a renda fixa permanece a melhor opção.

Por fim, é necessário pesquisar e entender qualquer modalidade de investimento antes de embarcar nessa opção. O grau de risco de um fundo, por exemplo, dependerá muito da sua composição, por isso, é preciso compreendê-la. O horizonte de tempo de investimento deve ser de médio para longo prazo. “Busque orientação, pesquise e comece aos poucos, sempre tendo em vista que só parte das suas ‘fichas’ devem ser colocadas nesse tipo de produto financeiro”, conclui o economista.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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