Como lidar com comparações na família

Como lidar com comparações na família

Taís* diz que “desde quando se dá por gente” é comparada com a irmã mais velha, Júlia*. “Na infância, minha mãe usava o caderno de lições de casa da minha irmã para comparar com o meu. Eu era uma aluna na média. Não errava as atividades. Mas não tinha a letra tão bonita quanto a da Júlia, e isso já era um problema”, recorda a comerciante.

Demorou um tempo para que Taís entendesse que ser como a irmã não deveria ser um objetivo de vida. “Quando a Júlia estava no segundo ano de faculdade, eu ainda estava começando o ensino médio. Naquela época minha mãe já dizia que queria me ver na faculdade também. Até aí achei normal, toda mãe quer isso para um filho. Mas comecei a achar problemático quando ela disse que esperava me ver cursando direito, assim como minha irmã”, explica.

Hoje, Taís se diz satisfeita com suas conquistas. Ela fez o curso que queria – de Propaganda e Marketing – teve a sua pesquisa de TCC transformada em livro e agora vê o seu próprio empreendimento crescendo.

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No entanto, ela acredita que ainda não conseguiu alcançar as expectativas da família, pois as comparações ainda persistem. “Minha mãe faz tanto isso de comparar nós duas que nas reuniões de família tenho que aturar outras pessoas além dela me perguntando quando eu vou casar – afinal de contas, a Júlia já está noiva”, diz.

Segundo Maria Luiza Puglisi Munhoz, presidente da Associação Paulista de Terapia Familiar (APTF), doutora em psicologia clínica e especialista em família, histórias como a de Taís são muito comuns – entre irmãos a comparação acontece com mais frequência.

Ela explica que os pais e familiares não fazem isso com a intenção de prejudicar o ente querido, pois eles se sentem na função de aconselhar e orientar para o que julgam ser as melhores opções de vida. “Se você acredita naquilo que fez ou naquilo que alguém fez, é natural querer que os filhos façam o mesmo”, explica a especialista.

Mas Maria Luiza alerta que quando a necessidade de espelhar o filho em algum exemplo torna-se uma obsessão, tal ação pode prejudicar o desenvolvimento da criança, limitando suas escolhas e moldando seu comportamento e personalidade.

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Isso pode provocar conflitos de identidade e aceitação. “Uma comparação não saudável prejudica as escolhas e a individualidade. Faz com que o indivíduo não consiga considerar, adotar, demonstrar e desenvolver o que tem de bom”, esclarece a especialista.

A psicóloga ainda explica: “mesmo que não perceba o que está acontecendo, a pessoa tende a se sentir incomodada com essas comparações no início da adolescência, quando sua personalidade começa a ser formada”. Para ela, apesar do problema começar a aparecer neste período, as comparações precisam ser evitadas desde a infância.

Como lidar com as comparações

Quando você busca por caminhos que a família não aprova, pode encontrar apoio em amigos de longa data ou na internet. “Hoje as redes sociais estão cada vez mais segmentadas. É possível encontrar grupos com os mesmos interesses que você para que consiga desenvolver seus gostos e habilidades sem interferências”, sugere a psicóloga.

Entretanto, a especialista alerta para o fato de que você pode estar errada em sua escolha. “As comparações são ruins quando em excesso. No primeiro contato, os seus entes queridos podem estar apenas tentando apontar o que acham que seria melhor para você. Então não custa tentar ouvir”, argumenta.

A conversa tem que ser cheia de trocas, por isso Maria Luiza recomenda que os pais também saibam escutar o que a filha tem a dizer para entender e apoiar suas preferências.

Se mesmo com muitas conversas as comparações ainda continuarem atrapalhando suas escolhas e o seu relacionamento com a família, o ideal é procurar ajuda de um especialista.

* A pedido da entrevistada, foram utilizados nomes fictícios.

Fotos: Shutterstock

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