Como organizar o orçamento com o salário atrasado?

Como organizar o orçamento com o salário atrasado?

Acostumar-se com o orçamento apertado desde que esta crise econômica instaurou-se já não tem sido tarefa fácil. Pior ainda se o aumento dos custos ainda vier atrelado ao atraso do salário. Lidar com essa bola de neve não é simples e requer planejamento não só das próprias finanças, mas também da forma como conduzir a situação na empresa.

Afinal, não há sentido em ficar endividada por falta de cumprimento do pagamento de salário, não é mesmo? A professora da IBE-FGV, Eliza Lippe, especialista em Gestão Empresarial, alerta para alguns pontos que devem ser observados para saber qual é a real situação da empresa e como conduzir o orçamento durante o período de atraso dos salários.

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Alternativas para contenção de gastos

Ninguém espera ficar com os salários atrasados. Em todo caso, em um momento como este, o dinheiro guardado no fundo de emergências seria muito bem-vindo. Se não houver reservas financeiras, a especialista ressalta que o principal é colocar no papel onde você está perdendo mais dinheiro, para que possa economizar de um modo eficiente. Suas despesas mais caras podem estar em hábitos do cotidiano. “O banho demorado demais, o microondas que está sempre na tomada, tirar o carro da garagem para distâncias curtas, tudo isso pode estar levando seu dinheiro embora. É um momento para economizar em tudo que for possível”, ressalta.

Além disso, ela acrescenta ainda que seria interessante usar a criatividade para encontrar uma fonte de renda alternativa, para segurar as pontas enquanto o salário não chega. Se  tiver filhos ou estiver na faculdade, por exemplo, pode vender livros didáticos usados para sebos, ou mesmo vender doces para fora. No entanto, é preciso ter em mente que essas situações são paliativas, o mais importante é não deixar a situação de atrasos de salário se arrastar de forma indefinida.

Para evitar problemas com crédito, já que a situação de atraso de salário é temporária, a especialista aconselha pedir ajuda a familiares neste momento, se isto for possível. Uma outra alternativa apontada é conversar com a empresa e avaliar a possibilidade da organização tomar um empréstimo para pagar o que deve aos funcionários. “As empresas conseguem empréstimos com juros muito menores do que os cobrados para pessoa física”, comenta.

Atenção aos sinais de problema

A especialista alerta que em muitas situações é possível prever o mau momento da empresa. Quando as coisas não vão bem, o ambiente de trabalho logo fica pesado. Os cortes de custos, demissões inesperadas, tudo isso serve como alerta para frear os gastos. “Os balanços divulgados pela empresa também devem ser analisados. Se você percebe um resultado ruim em um determinado momento, mas sabe que isso é comum naquela época do ano, a crise é sazonal e pode não representar maiores perigos. Agora, se de repente apareceu um resultado muito ruim, essa crise já estava para acontecer há algum tempo”, alerta.

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Transparência na relação funcionária-empresa

Como dissemos no início deste post, não há sentido em você ficar endividada em função do atraso de salário. Afinal, as contas apertam para você pela falta do dinheiro que lhe pertence, não por irresponsabilidade no uso do crédito. “É compreensível que o momento seja delicado, mas a empresa precisa entender que assim como é difícil para ela, você também não pode ficar sem pagar suas contas e sair prejudicada”, orienta.

Mobilize os colegas para que, juntos vocês dialoguem com a empresa e pressionem uma resolução para o problema.Se houver algum tipo de acordo e você tiver uma sinalização de que a folha de pagamento será regularizada em breve, antecipe-se para evitar o surgimento de dívidas caras. “Se tiver um crediário em uma loja, vá até lá antes mesmo do vencimento e converse sobre a situação, antecipe o problema e tente uma renegociação. Quanto ao cartão de crédito, a orientação é a mesma. Converse com o gerente e evite uma dívida cara no cartão. É possível que a instituição queira reduzir o seu limite, mas isso não é ruim neste momento”, comenta.

Por fim, porém não menos importante, se através das conversas não for encontrada uma solução e a empresa continuar sem uma definição sobre o pagamento dos salários, a saída é buscar a resolução judicial. “É mais árduo e demorado, mas é a garantia de que você terá os salários atrasados, que são seu direito. Se o atraso chegar a três meses, a solução é resolver na Justiça”, recomenda.

Crédito das fotos: Shutterstock

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