Como saber se a previdência privada está rendendo mais do que a poupança?

Como saber se a previdência privada está rendendo mais do que a poupança?

Apesar de a previdência privada estar ganhando espaço entre quem deseja planejar o futuro, a poupança ainda é a aplicação mais procurada pelos brasileiros. Por isso, até mesmo quem decide aderir a um plano de previdência pode ficar com uma pulga atrás da orelha – afinal, como saber se a previdência privada está rendendo mais do que a poupança? A resposta é: depende. Antes de bater o martelo, analise os fatores a seguir.

Tributação

Primeiro, vamos colocar nessa conta as tributações. A poupança não recebe incidência de Imposto de Renda (IR) – ou seja, tudo o que estiver lá, de fato, vai para seu bolso. Já a previdência privada conta com dois modelos de tributação: o regressivo e o progressivo.

No primeiro, quanto mais tempo o dinheiro permanecer investido, menor a alíquota – enquanto aplicações de menos de 2 anos sofrem incidência de 35%, acima de 10 anos, a taxa cai para 10%. Já o segundo funciona de maneira oposta, ou seja, a alíquota cresce conforme o tempo passa.

Isso nos leva ao segundo ponto.

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Prazo de resgate

Caso você opte pelo modelo regressivo, não sofrerá tanto com o IR. “Porém, se o resgate for feito em pouco tempo, a investidora pagará uma tributação alta e toda a rentabilidade irá por água abaixo. Por isso, o prazo é um parâmetro primordial”, diz Marisa Dornelles, planejadora financeira CFP pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros.

Se o objetivo for planejar a aposentadoria, o correto é apenas mexer nessa reserva no momento certo. O segredo é pensar no longo prazo. “No curto prazo, a poupança acaba mais vantajosa em relação à previdência privada”, afirma.

Taxas

Elas têm grande influência no rendimento do plano de previdência privada. A primeira é a taxa de administração. “Normalmente, quanto maior é o montante aplicado, menor essa taxa tende a ser”, conta. Segundo a especialista, para que o plano realmente tenha vantagem sobre a poupança, a taxa não pode ultrapassar os 2% ao ano.

Outra taxa que não pode ser ignorada é a de carregamento, que possui dois modelos de cobrança: toda vez que a investidora faz um aporte ou apenas ao fazer o resgate. No primeiro caso, se você investe um pouco todo mês, imagine só quanto dinheiro não perderia no final das contas. “Por isso, é preciso aderir a planos onde a taxa só é cobrada no momento do resgate, o que pode variar entre 1,5% e 2% do valor total”, recomenda.

Depois de certo período, algumas instituições isentam essa taxa. O período varia de uma para a outra, tendo uma média de 3 a 5 anos. Por isso é importante relembrar que a previdência privada só é, de fato, vantajosa quando usada como investimento de longo prazo.

Como as taxas costumam ser mais brandas para quem começa o plano com uma quantidade maior de dinheiro, vale a pena juntar uma grana em outro investimento para, só então, partir para a previdência privada. “A partir de R$ 5 mil já é possível conseguir boas condições”

Rentabilidade

Apenas podemos falar dela depois de prestarmos atenção em todos os tópicos anteriores. Considerando que a poupança não tem cobrança de IR, nem taxas, seu rendimento seria de 6% a.a. + taxa de referência (TR). Já a média de rentabilidade de um plano de previdência privada, de acordo com Marisa – já descontando a taxa de administração de 2% a.a. –, é de 10,5% a.a.

“O rendimento da poupança apenas mudará se a Selic cair para 8,5% ou menos, quando ela passará a render 70% da taxa básica de juros”, pondera.

No caso de um investimento de longo prazo, onde o desconto de IR seria mais brando, a previdência privada sairia ganhando. Mas, se você sentir que pode precisar da grana em pouco tempo, melhor deixar em outro investimento para não deixar os descontos comerem seus rendimentos.

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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