Comunicar para resolver conflitos

Comunicar para resolver conflitos

*Priscila Lambach

O conflito é natural, inevitável e faz parte das relações humanas. Estudar e resolver conflitos é algo feito sob diversas óticas, fundamentações teóricas, e até por experiência própria.

É impossível pensar em um mundo habitado por pessoas sem que o conflito apareça. Divergência de opiniões, de postura, ou o simples “não querer arredar o pé” geram conflitos. Acredito que o conflito bem administrado pode dar ótimos frutos e ser uma oportunidade de crescimento.

Perdi as contas de quantas vezes debati uma ideia, cheguei de um jeito, sai de outro e me permiti ver o mundo de outra forma.

Quando se mora sozinha, faz-se tudo do jeito que se quer, a hora que se quer. A partir do momento em que a pessoa se casa, ou passa a dividir o espaço com alguém, pode ser que o hábito de deixar a pia da cozinha suja, esquecer de pagar uma conta importante, ou esquecer de fazer supermercado sejam motivos para o conflito surgir.

O que fazer para minimizar os conflitos e gerar menos desconforto nas relações humanas?

A dica é simples: ficar de olho na comunicação. Comunicar-se é muito mais sobre como o outro ouve do que o que você fala. O segredo está em colocar atenção no outro, proporcionar uma escuta ativa em que não se antecipa a mensagem, espera o outro dizer o que tem a dizer, evita interromper e criar problemas desnecessários. É fundamental perguntar o que não entendeu, olhar nos olhos, colaborar e procurar entender antes de criticar.

Vale lembrar que aproximadamente 93% da linguagem é não verbal, ou seja, composta por expressões, gestos, voz, postura, entonação. Na hora de falar, procure ser objetiva, direta, menos prolixa.

Buscar culpados e motivos de problemas no passado, pode ser uma armadilha. Criar opções e alternativas, pensando sempre em como solucionar o problema, é o mais recomendável. Foco no futuro!

resolver-conflitos-comunicacao

Eu sei que as pessoas jogam e não são tão simples de lidar. Porém, nós também jogamos e não somos simples de lidar. Aqueles que acreditam que tudo o que é seu é o melhor, ou vivem dando conselhos e apresentando alternativas para a vida dos outros, podem afastar as pessoas ao invés de conquistá-las. Pouca gente gosta de ter suas decisões tomadas por terceiros. Afinal, tudo aquilo que decidimos por nós mesmas, temos mais chance de aderir, não é verdade?

Problema todo mundo tem, brigas fazem parte da vida e são motivo de crescimento, porém, ao colocarmos atenção a nossa comunicação, certamente poderemos viver com mais qualidade de vida.

Uma comunicação mais assertiva não vai nos custar um centavo, e ainda pode nos fazer mais ricas em todos os aspectos. Já parou para pensar nisso?

Conflitos entre crianças

Para que os pais possam educar as crianças na cultura da paz, eles precisam auxiliar os pequenos na compreensão e vivência de alguns conceitos. Precisam ensinar que não se tem tudo o que se quer, que é preciso esperar, que a palavra “não” existe. Precisam praticar conceitos como o de empatia e resiliência. Colocar-se no lugar do outro e se recompor diante das adversidades, são concepções que, se aprendidas na infância, são capazes de fazer uma diferença enorme e muito positiva no adulto de amanhã.

Muitas brigas nas escolas ocorrem por falta de respeito às diferenças, limites e inteligência emocional. De nada adianta criarmos futuros gênios, com muito conhecimento formal e técnico que não sabem dialogar e não estão abertos a novas experiências. As habilidades sociais são tão importantes quanto as cognitivas. Precisamos ser muito capazes de resolver problemas, e para isso, o incentivo à criatividade é essencial.

É muito difícil para os profissionais da escola lidarem com os conflitos dos alunos no dia a dia, pois os conflitos muitas vezes envolvem aspectos familiares e do contexto em que a criança está inserida. O conflito pode ser uma manifestação de algo que não está legal do lado de dentro da gente, ou com os outros ao nosso redor.

O sonho seria que toda escola e toda família procurassem estabelecer um ambiente favorável para as pessoas se expressarem, que incentivassem o diálogo sobre os sentimentos, compreendessem a beleza presente na individualidade.

Uma ótima prática que várias escolas adotam é possuir momentos de conversa, em que os alunos podem se manifestar. Esses períodos estão sistematizados na rotina, são organizados e abordam problemas cotidianos, comentários, e proposta de soluções. Com a prática, os alunos vão desenvolvendo cada vez mais seu protagonismo, a reflexão, compreensão do coletivo e a democracia.

As divergências são naturais, maravilhosas e importantíssimas. É muito bom que haja essa heterogeneidade toda. Isso é fundamental para a nossa evolução como seres humanos. Precisamos respeitá-las, cuidá-las, aprender e crescer com elas. Viva o conflito!

*Priscila Lambach é administradora de empresas e pedagoga. Fala sobre desenvolvimento humano e formação pessoal feitos com poucos recursos, de forma criativa e eficiente – desfazendo a ideia de que para educar bem é preciso investir muito dinheiro.
Émail: contato@priscilalambach.com

Fotos: Shutterstock

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

Dúvidas enviadas através desse formulário não serão respondidas individualmente por e-mail.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Financas Femininas

Finanças Femininas

Sua independência financeira depende de você, com uma ajudinha nossa.

close