Conheça o investimento que banca o crédito estudantil

Conheça o investimento que banca o crédito estudantil

De um lado estava Marina Armond Dalbello Braga, de 31 anos. Já formada em Direito e sem a possibilidade de pleitear a aprovação no Fies, a estudante precisava de uma opção de crédito estudantil privado para concluir a faculdade que realmente sonhava fazer: medicina veterinária. De outro, estava Adriana Teodoro dos Santos, uma coordenadora de finanças, de 32 anos, disposta a assumir um pouco mais de risco em seus investimentos para alcançar melhores retornos financeiros.

E foi a partir da compreensão desse nicho de mercado – criado principalmente pelo enxugamento do programa de financiamento estudantil do governo federal, o Fies – que a Biva resolveu testar um modelo de crédito universitário bancado a partir dos investimentos de pessoas físicas. Ou seja: os recursos investidos por Adriana são aplicados na educação de Marina – que acaba de renovar o financiamento pelo segundo semestre.

“Eu já invisto em renda fixa e estava em busca de investimentos com retornos maiores. Foi a possibilidade de também colaborar com a educação no País que me achou a atenção”, explica Adriana.

Fundada há dois anos, a startup de serviços financeiros já trabalhava com investimentos destinados a financiar micro, pequenas e médias empresas e, desde o início deste ano, disponibiliza a opção também para estudantes – um modelo novo no mercado brasileiro. “Nosso objetivo é aliar operações de investimento e crédito a impacto social”, explica Jorge Vargas Neto, CEO da Biva.

O projeto foi lançado no início deste ano com 107 alunos. Do 1º para o 2º semestre houve 100% de renovação no crédito. A ideia, agora, é dobrar as ofertas para o ano seguinte. Neste texto, você entende como funciona, quais as condições e riscos envolvidos no modelo. Confira.

Como funciona

O modelo utilizado pela fintech (para quem não conhece, o termo vem da junção das palavras finance e technology) é o peer-to-peer lending (P2P lending), também chamado de empréstimo de ponta a ponta. A lógica é a mesma de empresas como a Uber, Mercado Livre e Airbnb, nas quais há uma relação mais direta entre quem oferece e consome o serviço.

No caso da Biva, o que está sendo compartilhado são serviços financeiros: em uma ponta estão as pessoas que oferecem seu dinheiro (os investidores) e, na outra, estão aquelas que recebem esses valores (os tomadores). A ideia é desburocratizar as operações e baixar os patamares de juros no crédito – hoje altíssimos no País.

O modelo promete ganhar espaço no mercado. Mas, se em qualquer decisão financeira já é preciso ter cautela, quando se trata de uma proposta nova, é ainda mais importante ficar atenta aos detalhes. Entenda, abaixo, as condições e riscos envolvidos nessas operações.

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Condições e cuidados

Do ponto de vista de quem investe:

Para quem escolhe esse investimento, o retorno mais alto do que o oferecido pela renda fixa é um atrativo: estamos falando aqui de 130% a 140% do CDI. Mas, antes de dar esse passo, é importante entender que esses produtos são mais agressivos. Ou seja, é necessário avaliar se essa é uma boa opção para você.

Por não ser uma instituição financeira tradicional, os investimentos da Biva não contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira em caso de quebra. E isso merece atenção.

As operações funcionam de outra forma: elas são realizadas por meio das chamadas Operações Ativas Vinculadas (OAV). Os créditos e investimentos são lastreados por meio de títulos bancários – vinculando o título recebido pelo investidor (RDB nesse caso) à dívida do estudante, chamada Cédula de Crédito Bancário (CCB). “Isso assegura que em caso de eventual intervenção ou insolvência da instituição financeira, os valores de operações ativa vinculadas não são afetadas”, explica a fintech. Em outras palavras, esse lastro garante a cobertura da investidora em caso de quebra da Biva.

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Uma diferença entre o investimento atrelado a empresas e a estudantes é que, no segundo, há garantia de recebimento da rentabilidade combinada – mesmo que haja inadimplência por parte do aluno. O aporte mínimo é de R$ 5 mil no primeiro investimento e de R$ 2 mil nos seguintes. O prazo para resgate varia de 3 a 24 meses.

Para evitar surpresas, Myrian Lund, professora da FGV e planejadora financeira, enfatiza a importância de entender a proposta oferecida e se atentar às garantias no contrato. “Além disso, é preciso lembrar que investimentos mais arriscados devem ser utilizados dentro de uma estratégia de diversificação. Não indicaria uma aplicação superior a 10% do total dos seus investimentos.”

Do ponto de vista de quem financia:

O empréstimo é feito hoje a taxas de 1,1% ao mês – também atrativas. O porcentual de pagamento começa em 40% da mensalidade e chega a 78% – pois acredita-se que o estudante terá sua capacidade de pagamento aumentada ao longo do curso. Junto ao financiamento é oferecido um coaching de carreira, para orientar os alunos em sua colocação no mercado.

O credor tem também a opção de quitar a dívida antes do tempo, evitando o pagamento dos juros. Em caso de atraso, são dados 30 dias para regularização.

A seleção dos estudantes é feita a partir dos mesmos critérios utilizados pela Fundação Estudar. “Em relação à instituição de ensino, consideramos fatores como as faculdades com melhores notas no MEC e cursos com boa inserção no mercado. No caso do aluno, é considerada a nota do ENEM e capacidade de pagamento”, explica Vargas Neto. É necessária também a presença de um responsável financeiro pela dívida.

Do ponto de vista de quem financia, Myrian explica que os riscos são menores, mas é fundamental entender as condições do financiamento – entenda melhor aqui como escolher um crédito estudantil. Para não se complicar com a dívida, é preciso ler atentamente o contrato e entender pontos como: qual é a porcentagem de pagamento da mensalidade, quanto tempo terá para pagar, quais as penalidades em caso de atraso e condições de renovação.

 

Fotos: Shutterstock

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