Conquistando sonhos: a importância do planejamento financeiro

Conquistando sonhos: a importância do planejamento financeiro

*Vinícius Rodrigues

Qual o seu maior sonho? Pense naquele que você quer muito realizar. Você conhece os passos para chegar lá? Sabe o que pode te atrapalhar?

Todos nós temos diversos sonhos/objetivos/metas. Não se prenda às palavras: o que é sonho para um, pode ser um objetivo para outro e assim por diante. Aqui, de forma a não gerar confusão, chamaremos de meta, e definiremos como “algo que você quer conquistar e que fará parte de sua vida”.

Mas o que é meta? É algo de definição pessoal, e pode ser o que você quiser conquistar: a aquisição de uma casa maior, a compra de um carro, aquele curso tão desejado, a viagem dos sonhos, a transição de uma carreira para outra…. Jogue fora as crenças limitantes. Permita-se pensar grande: você pode e é capaz de chegar lá! Tenha a certeza de visualizar cada detalhe, de saber exatamente o que é essa meta. Se for um carro, qual o modelo, a cor, o fabricante, o ano de fabricação, seus opcionais, motor. Uma vez definido o que você quer, determine a data em que irá alcançar essa meta, bem como o caminho a ser percorrido. É aí que entra algo muito importante, por vezes ignorado: o planejamento financeiro.

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Planejamento financeiro para quê? De forma geral, nossas metas dependem de dinheiro para serem alcançadas. É claro que existem as que não precisam de esforço financeiro. Para estas, o que falta para alcançá-las? Pense sobre isso.

O que é planejamento financeiro? É o conjunto de decisões relativas a como guardar e investir seu dinheiro, tomadas por você, que a levará a atingir sua meta no menor tempo e com o maior conforto possível. Pode envolver, entre outros, a redução ou mesmo o corte de algumas despesas, o aumento da eficiência no investimento de seu dinheiro – procurando, por exemplo, investimentos com maior rentabilidade, a economia nos gastos mensais, como energia elétrica e celular, a menor participação em happy hours, a troca do carro atual por um de menor preço e/ou custo de manutenção, conseguir outra fonte de renda. Anote em um caderno os seus gastos mensais. Quais deles podem ser reduzidos ou mesmo interrompidos? Lembre-se de que as reduções e cortes são temporários, e tem um motivo maior, que é importante para a cara leitora.

A maioria das pessoas para nesse ponto! Cabe, porém, uma pergunta importante: Há algo que não esteja em meu controle, que não seja de minha responsabilidade, e que pode atrapalhar o caminho até atingir minha meta?

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Todos os dias, até mesmo em sua casa, você está exposta a diversos riscos, que estão fora de seu controle e – como tudo o que é risco – pode ocorrer. Imagine uma viagem de carro, onde um pneu poderá furar. Você não tem certeza se o pneu vai furar, mas se furar vai gerar gastos e atrasar a viagem. Você verificou o estepe antes de iniciar a viagem? Você sabe trocar um pneu? Se não, seu seguro tem esse serviço? Ele tem custo adicional? Assim como na viagem, o caminho para atingir sua meta também poderá reservar algumas surpresas, e se tornar mais longo do que o esperado.

Mas o que é risco? Definiremos como risco algo que poderá acontecer em algum tempo futuro e que afetará sua rotina, alongando o caminho para a realização de sua meta. É possível viver sem esses riscos? Não, mas o segredo do sucesso da jornada até sua meta é considerar a existência desses riscos no seu planejamento financeiro, bem como possíveis saídas, em caso de algum acontecimento inesperado. Ignorá-los pode levá-la ao fracasso.

Alguns exemplos de riscos são o desemprego involuntário, o divórcio, falecimento de alguém que coopere financeiramente com você, a ocorrência de doenças graves. Vamos falar um pouco mais de cada um, através das situações e perguntas abaixo:

  • Desemprego involuntário: com poucas exceções, não há possibilidade de prever uma demissão. Você tem contas a pagar e metas a atingir, e o desemprego com certeza a levará a postergar as metas que dependam de dinheiro para acontecer. Perguntas: Diante da atual situação econômica do Brasil, a empresa em que você trabalha está passando por um bom momento? É possível que tenha alguma reestruturação? Qual o risco, de acordo com sua profissão, de perder o emprego? Consigo trocar de emprego com facilidade? Gosto do que faço? Como me vejo aqui? Como meu gestor me vê? Quais as perspectivas e expectativas que tenho? Elas são condizentes com minha realidade, ou preciso me desenvolver mais? Pretendo continuar nessa empresa por mais quanto tempo? Estou satisfeita com meu salário? Como posso fazer para ganhar mais?
  • Morte de alguém que a ajude financeiramente: alguém que te ajude financeiramente não é necessariamente alguém que te dê dinheiro, mas pode ser alguém que não deixe o SEU dinheiro sair da sua carteira. Como exemplo, podemos ter o pai, a mãe, ou ambos, pagando as contas domésticas e não requerendo sua ajuda. Caso algum deles venha a faltar, pode ser que você precise assumir novos gastos. Perguntas: Meus familiares têm seguro de vida? Meu estilo de vida atual suporta a entrada novos gastos? Tenho alguma reserva financeira para me ajudar? Quanto tempo ela vai durar, de acordo com minha nova realidade? Como posso me reestruturar? De quais formas essa situação me afetaria, caso ocorresse?

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  • Divórcio: você e seu cônjuge certamente têm uma rotina de gastos mensais. O divórcio levaria você a assumir mais gastos do que estava acostumada. Perguntas: Você está preparada para essa situação? Como você se vê em caso de separação? Suas metas são compartilhadas com seu cônjuge? Ele te ajuda a ir em frente com elas? Ele sabe o quanto isso é importante para você? O que fazer para ele a apoiar? Como tornar mais fácil a realização conjunta dessa meta? Mantenho diálogo claro com ele sobre nossa vida financeira? Como posso melhorar isso?
  • Doenças graves: costumam ter alto dispêndio financeiro para tratamento, e nem sempre todos os exames solicitados possuem cobertura do convênio médico. Além disso, mesmo se todo o tratamento for coberto pelo convênio, pode ser que você deixe de ter renda durante um período, dependendo do seu ramo de atividade (se você é autônoma e ficar muito doente, conseguirá trabalhar?). Diante da realidade do sistema público de saúde, você tem um bom convênio médico? Tem uma reserva financeira para pagar as mensalidades em caso de necessidade? A maioria das empresas paga aos empregados o convênio médico particular. Você guarda dinheiro para pagar seu plano médico na aposentadoria? Qual o histórico de ocorrência de doenças graves em sua família, tais como o câncer, por exemplo? Você sabia que existe seguro para doenças graves?

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Além do abalo psicológico que as situações podem causar,os exemplos dados também afetam de forma negativa, em maior ou menor grau, sua capacidade de guardar dinheiro. As perguntas propostas em cada situação levam a pensar em possíveis saídas para as situações. Elas também são poderosas auxiliares no planejamento financeiro, uma vez que nos levam a pensar sobre cada um dos possíveis cenários e suas consequências.

Mas como posso me planejar melhor para enfrentar esses riscos?

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Falamos em seguro, que é um grande aliado a ser considerado em seu planejamento. O seguro de vida, por exemplo, é um instrumento de proteção muito importante, que tem baixo custo. É fato que ninguém quer usar esse seguro, pois o pagamento ocorre em casos de morte, mas, como os outros, é um risco que não dá para eliminar. O conforto financeiro proporcionado pelos mais diversos seguros existentes – vida, automóvel, residencial, invalidez, entre tantos outros – torna esse instrumento indispensável. Já pensou em ter seu carro novinho furtado, e não ter seguro para essa situação? Não seria uma situação mais tranquila se tivesse contratado o seguro?

Mantenha o foco na sua meta. Imprevistos acontecem com todos, e para passar por eles com tranquilidade, é altamente recomendável a constituição de uma reserva de emergência. Defina o valor de acordo com sua realidade financeira, que deverá ter recursos para fazer frente à ocorrência de situações que possam tornar o caminho até sua meta mais longo. Guardar dinheiro não é difícil, mas requer disciplina. Mensalmente, assim que seu salário entrar na conta, guarde uma parcela para a constituição de sua reserva de emergência.Tendemos a tomar decisões melhores e de forma mais tranquila com um colchão financeiro formado. Pense sobre sua rotina, procurando dedicar atenção para cada uma das coisas que poderão atrapalhar o seu caminho, uma vez que ocorram.

E se nada acontecer? Simples: você contará com recursos extras para uma nova meta. Em resumo, considerar os riscos existentes em seu planejamento para enfrentar possíveis riscos vai alongar um pouquinho o caminho até a sua meta, uma vez que você vai usar parte de suas finanças para garantir um colchão financeiro. Ignorar os diversos riscos de que falamos pode te levar a não realizar sua meta. Imagine cada uma das situações. O que você teria de fazer para passar por elas com conforto? Pense nisso, tome algumas decisões financeiras e mantenha o foco. Acredite: é muito compensador!

Está com dúvidas ou dificuldades para fazer seu planejamento financeiro com eficiência? Procure um planejador financeiro – o profissional mais indicado para te auxiliar nas decisões mais importantes de sua vida.

*Vinícius Rodrigues, CFP é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). 

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Fotos: Shutterstock

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