Consumo, Endividamento e Equilíbrio

Consumo, Endividamento e Equilíbrio

*Valter Police

Quem não tem prazer em consumir? Todos sabemos como é boa a sensação de entrar naquela loja, escolher o produto que está lindo na vitrine e imaginar como ele ficará perfeito quando o usarmos ou pensar no sucesso que faremos, atraindo olhares com aquela nova peça. E no fim do ano então? Roupas para as festas, presentes, decoração e ainda as férias. Que delícia!

Esse prazer é imediato. Vem na hora, sem esperas, filas, raciocínios ou planejamento. Basta comprar. O outro lado da moeda, no entanto, é cruel, porque, com a mesma rapidez que o prazer vem, ele vai. Quantas vezes também já não nos pegamos olhando o guarda-roupas e vendo peças quase sem uso – algumas ainda com a etiqueta – mesmo tendo sido compradas há muito tempo.

E aí começam os problemas. Porque o consumo é ótimo e prazeroso, mas o desperdício é danoso (para toda a sociedade – não podemos esquecer da sustentabilidade) e o primeiro prejudicado costuma ser o nosso bolso.

Quando exageramos no consumo, as contas chegam sem parar e aí vemos o tamanho do prejuízo que aquelas compras, que pareciam inocentes e inofensivas, podem nos trazer. Você volta das festas ou das férias e logo depois de você chegam a fatura do cartão, o carnê do IPTU, o do IPVA, a matrícula das crianças e por aí vai. A sensação é parecida com uma “ressaca”, mas ela não passa com um comprimido.

Um filme que retrata com precisão e bom humor essas sensações, que sempre recomendo é: “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” (Confessions of a Shopaholic / Disney Buena Vista / 2009). Por vezes fazemos os cálculos e descobrimos que gastamos tudo o que ganhamos, não sobrando nada para planejar os verdadeiros sonhos de nossas vidas – muito mais importantes do que um simples “prazer imediato”. E se a coisa está ruim, pode piorar – e muito!!

dicas para reduzir o consumismo

O uso do crédito

Hoje temos no Brasil uma verdadeira “febre” de parcelamento. Tudo pode ser dividido, desde coisas básicas como o supermercado e a farmácia, até joias e relógios caríssimos. O crédito é uma ferramenta e, como tal, pode ser usada para o bem e para o mal.

Se servir para a antecipação de um planejamento de vida, como a compra bem planejada de um imóvel, uma oportunidade de negócios ou mesmo um investimento em educação, esse crédito tende a gerar excelentes frutos. No entanto, se servir apenas para antecipar a renda futura e permitir que consumamos cada vez mais coisas que não são relevantes para as nossas vidas, ele será a pá que usaremos para cavar, quando estivermos no fundo do poço.

Existem ainda as ofertas sem juros, que são tão prejudiciais quanto as com juros, por mais estranho que isso possa parecer. Porque ela permite que a decisão de compra seja “sim”, quando deveria ser “não”. E não se engane: Os juros já estão lá dentro, mesmo que o vendedor não ofereça descontos à vista.

O pessoal do marketing é muito competente e eles sabem como atiçar nossa vontade pelo prazer imediato e quebrar as barreiras de nosso auto controle. Quem não viu uma propaganda dizendo que a “grande oferta” é “só hoje” e que, ainda por cima, não tem juros? E nesse período de fim do ano você ainda pensa: “Trabalhei o ano todo – Eu mereço!”

Se o nosso cérebro nos induz a consumir, porque quer prazer imediato e os vendedores, apoiados pelos marqueteiros também trabalham à favor disso, como podemos achar um caminho melhor? Como os Budistas já sabem há séculos, o “caminho do meio” costuma ser o mais indicado.

Que graça teria a vida se sempre estivéssemos de dieta, comendo só saladas e nunca pudéssemos “nos acabar” em uma churrascaria ou exagerar com doces e sorvetes? Mas, se fizermos isso todos os dias, teremos apenas “prazeres efêmeros” e prejuízos para nossa saúde.

Da mesma forma, consumir é bom e faz bem, mas se não o fizermos com bom senso, estaremos abrindo mão de nossos verdadeiros sonhos de vida – nossos projetos realmente importantes. Basta pensarmos um pouco antes de comprarmos. Será que eu preciso mesmo disso? Será que eu posso pagar por isso, sem prejuízo do que quero poupar?

Uma boa dica é: procure não comprar na hora. Se você gostou de alguma coisa, vá para casa e, depois de 2 ou 3 dias, pense novamente sobre o assunto. Se ainda sim a vontade for muito grande, ok. Do contrário, deixe para lá. Outra sugestão é tentar viver mais “à vista”, utilizando o crédito apenas para grandes projetos e deixando de lado os parcelamentos do dia-a-dia. Isso dará uma visão melhor da real situação, o que ajuda a tomar a melhor decisão.

Uma vida equilibrada, com escolhas que às vezes privilegiam um prazer imediato e às vezes um plano de prazo mais longo, costuma ser a receita certa de uma vida mais saudável.

Seja a escolha entre uma salada ou uma picanha, seja entre uma blusinha ou um investimento, seja nas festas de final de ano, nas férias ou no carnaval, o caminho do meio pode te levar a ser mais feliz – Hoje e amanhã.

Porque não começar agora? Aproveitar as resoluções do ano novo e, ao invés de pular uma onda e fazer um desejo, colocar uma mudança de comportamento em prática que pode iniciar uma nova fase na sua vida? Boa sorte em suas escolhas!

 

* Valter Police é Planejador Financeiro CFP® e Diretor da Police Consultoria e Treinamento.

O texto acima reflete as opiniões do autor, e não do site Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

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