CRI e CRA: conheça a nova tendência em investimentos de renda fixa

CRI e CRA: conheça a nova tendência em investimentos de renda fixa

Você já deve ter ouvido falar – ou talvez até invista – em Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). E o CRI e CRA? Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) despontaram como tendências de investimentos em renda fixa em 2016 e prometem manter o ritmo neste ano.

Para que se tenha ideia, de acordo com dados da Central de Custódia e de Liquidação Financeira dos Títulos (Cetip), o estoque de CRAs bateu R$ 17,5 bilhões – quase o triplo dos R$ 6,4 bilhões do final de 2015. Já os CRIs subiram 19,5% de dezembro de 2015 até o mesmo mês de 2016, batendo estoque de R$ 73,6 bilhões.

LCIs e LCAs ou CRIs e CRAs?

Com a crise econômica, os bancos passaram a reduzir a emissão de LCIs e LCAs, que se tornaram mais escassas no mercado. Com isso, as CRIs e CRAs ganharam mais espaço.

O nome similar não é por um acaso. As Letras de Crédito são emitidas por instituições financeiras para financiar os mercados imobiliário e agronegócio, respectivamente. Já os Certificados de Recebíveis possuem o mesmo fim, porém, são emitidos pelas próprias empresas por meio de securitizadoras – instituições que intermediam a necessidade de uma empresa de obter crédito aos compradores dos títulos. Em outras palavras, no caso do LCIs ou de LCAs, o banco repassa os recursos ao setor imobiliário e para o agronegócio. Já no caso das CRIs e CRAs, o responsável por essa intermediação entre os setores e o investidor é a securitizadora.

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Como as empresas emitem estes títulos para autofinanciamento, elas podem reaver este investimento ao longo de anos. Por isso, elas demoram mais para pagar os investidores que cederam crédito. Na prática, isso significa que a liquidez dos CRIs e CRAs é menor do que LCIs e LCAs, podendo ir de 180 dias até mais de 13 anos. “Trata-se de um investimento de médio a longo prazo, então, deve-se aplicar o dinheiro pensando em um horizonte amplo”, afirma Alcidney Sentallin, professor de Gestão Financeira da IBE-FGV e consultor de negócios. É possível encontrar títulos a partir de R$ 1 mil.

Vantagens do CRI e CRA

Assim como LCIs e LCAs, os créditos também são isentos de Imposto de Renda e de IOF – ou seja, tudo que você ganhar nele, de fato, irá para seu bolso. No entanto, a grande vantagem dos CRIs e CRAs é, na verdade, uma faca de dois gumes: eles não possuem Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que cobre R$ 250 mil por CPF e por instituição de determinados investimentos.

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Isso significa que, caso a empresa emissora quebre, a investidora perderá o que aplicou. Porém, também significa que você pode faturar mais – já que o risco do investimento é maior. “No mercado financeiro, quanto maior o risco, maior a rentabilidade. Como os CRIs e CRAs não possuem FGC, as instituições recompensam este risco com boa remuneração”, explica Sentallin. Por isso, decidir se vale a pena ou não assumir este risco é algo que varia de acordo com seu perfil de investidora.

Cuidados ao investir em CRI e CRA

Como os riscos são maiores, é preciso ser muito criteriosa ao escolher onde você colocará seu dinheiro. “As chances de uma empresa quebrar são pequenas, mas a investidora pode verificar a classificação da empresa ou securitizadora no site da Bovespa e avaliar se vale a pena o investimento”, ensina Sentallin.

É preciso, ainda, ficar de olho na remuneração oferecida. Sabe aquele ditado “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”? Ele também se aplica a investimentos. Lembre-se que, quanto maior o risco, maior a remuneração. Por isso, se a promessa for de ter rendimentos muito acima de 100% do CDI – Certificado de Depósito Interbancário, taxa usada para os bancos emprestarem dinheiro entre si e que costuma acompanhar a taxa básica de juros da economia (Selic) –, como 130%, é melhor ficar com o pé atrás. “Qualquer investimento de ganho real acima de 5% da inflação deve acender o sinal amarelo na cabeça da investidora”, orienta o professor. Por isso, antes de aplicar, pesquise sobre a empresa e o título que você está adquirindo.

Por fim, conheça bem o seu perfil de investidora. De nada adianta você querer arriscar com CRIs e CRAs se você for extremamente conservadora. Em função das características desses papéis, eles são mais indicados para investidoras com perfil mais agressivo e disposto a assumir riscos.

Fotos: Shutterstock

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