Da macroeconomia ao planejamento financeiro pessoal

Da macroeconomia ao planejamento financeiro pessoal

*Stefanno Rocco

Recentemente eu recebi uma mensagem da minha irmã me perguntando: “Stefanno, preciso comprar alguns dólares. Acha que eu compro hoje ou eu espero mais um pouco (2 dias), pois pode baixar?” Na hora, eu pensei… pergunta de um milhão de dólares (risos). Mas respondi: “é um espaço muito curto de tempo e eu não vejo nenhum fato que possa modificar a tendência de alta do dólar. Eu compraria agora”.

O diálogo acima é um bom exemplo de como a macroeconomia pode interferir no nosso planejamento financeiro. Assim como o câmbio, outras variáveis macroeconômicas como taxa de juros, o preço da gasolina, energia, educação, alimentos, saúde, serviços, interferem diretamente em nosso planejamento financeiro.

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Mas como entender esses impactos na vida financeira? É simples, no entanto, antes temos que conhecer o primeiro passo para se ter um bom planejamento financeiro que é o Orçamento.

O Orçamento nada mais é do que orçar o custo de vida atual. É exatamente como orçar uma compra de um produto, reforma de um imóvel ou até mesmo, o custo de uma festa.

Ao ter um maior conhecimento do seu orçamento pessoal, ficará mais evidente de como os impactos macroeconômicos irão lhe afetar.

A Renda Líquida indica até onde as despesas e gastos podem chegar no orçamento. Ela é tudo aquilo que você ganha em um mês, trimestre, semestre ou ano e que será utilizado para pagar os custos (Educação, Alimentação, Energia, etc…) de suas atividades.

A tabela abaixo ordena um pouco mais essa ideia.

Total de ganho R$ 10.000,00
Total de gasto R$ 10.000,00
Saldo da conta R$ 0,00

SalárioR$ 10.000,00% Divisão
Mensalidade escolar-R$ 3.000,0030%
Supermercado - R$ 1.000,0010%
Conta de luz- R$ 200,002%
Plano de Saúde- R$ 400,004%
Gasolina - R$ 700,007%
Empregada- R$ 1.400,0014%
Investimentos - R$ 1.200,0012%
Conta do celular- R$ 200,002%
Lazer- R$ 1.900,0019%

Conforme a tabela hipotética acima, os gastos são iguais aos ganhos. Hoje, com esta receita, é possível manter os gastos dentro do Orçamento, inclusive, fazer investimentos (que, embora esteja indicando uma saída/desembolso no fluxo de caixa, não é uma despesa). No entanto, na virada do ano, ouve um grande ajuste, pra cima, nos preços conforme abaixo:

Ajustes anuaisAumento
Salário6,5%
Mensalidade escolar15%
Supermercado12%
Conta de luz20%
Plano de saúde8%
Gasolina16%
Empregada6%
Investimentos 5%
Conta do celular10%
Lazer - 17,5%

Com este aumento o orçamento mudou o custo de vida. Ficou mais caro e para manter o mesmo “padrão de consumo”, houve uma diminuição, por exemplo, do lazer em 17,5%. O ajuste poderia ser em outro ponto… Transporte, Educação, ou até mesmo em outros. O fato, é que o ajuste precisa ser feito, para não entrar em dívidas e precisar adquirir crédito.

mudancas-orcamento

O crédito é um fator afetado pela macroeconomia. Se for necessário usar o crédito para pagar uma dívida, ele pode custar mais caro. Quanto mais pessoas endividadas, maior o risco do credor não receber. Desta forma, uma das maneiras que os credores compensam esses possíveis calotes, é cobrando taxas mais altas para dar créditos.

No exemplo do orçamento acima, portanto, o lazer foi o item escolhido para equilibrar os gastos e não deixar extrapolar o orçamento. Ou seja, ao ajustar para cima os gastos “involuntários”, ajustou-se para baixo o gasto voluntário.

Total de ganho R$ 10.585,00
Total de gasto R$ 10.585,00
Saldo da conta R$ 0,00

SalárioR$ 10.585,00% Divisão
Mensalidade escolar- R$ 3.450,0033%
Supermercado- R$ 1.120,0011%
Conta de luz- R$ 240,002%
Conta do celular- R$ 220,002%
Plano de saúde- R$ 432,004%
Gasolina- R$ 812,008%
Empregada- R$ 1.484,0014%
Investimentos - R$ 1.260,0012%
Lazer- R$ 1.567,0015%

Uma questão importante para ser considerada é o fato de haver alguns elementos que compõem o custo de vida que são influenciados pela macroeconomia, mas não podem ser controlados pelo homem. Por exemplo, fatores naturais como enchentes ou seca, que afetam a produção de alimento. Caso o país enfrente uma grande seca e não haja água para irrigar as plantações e nem para alimentar os animais, visto que a procura por alimento se mantem constante, corremos o risco de sofrermos aumentos nos preços dos produtos que afetam diretamente no custo de vida do consumidor.

Já outros elementos, podem ser controlados pelo homem. Por exemplo, o custo da telefonia. No entanto, por que eles aumentam, então?

Entre outros fatores, o custo do salário. Veja, se o alimento e transporte ficaram mais caros, é necessário que haja o reajuste dos salários dos funcionários que fazem a empresa funcionar. Claro, é possível que haja um aumento nos salários, sem o repasse desse novo aumento aos clientes, e isso é feito com a diminuição de empregados na empresa. Em outras palavras, o que acontece é uma sequência de demissões, que possibilita reajustar o salário de quem permanece empregado.

Portanto, o fato de estarmos imersos numa sociedade regida por uma macroeconomia, precisamos ficar atentos a todas estas questões para que o orçamento esteja de acordo com o planejamento financeiro desejado.

Crédito das fotos: Shutterstock

*Stefanno Rocco, CFP é planejador financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email: stefanno.rocco@gerafuturo.com.br. As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

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