Devedores anônimos: existe luz no fim do túnel

Devedores anônimos: existe luz no fim do túnel

Um certo dia você começa a eliminar correspondências em seu nome para tentar esconder de sua família as dívidas que anda fazendo, sabe que está completamente enrolada com juros de financiamentos, cheque especial e cartão de crédito, mas não consegue parar de gastar. Já sem saída para continuar consumindo, começa a fazer dívidas em nome de familiares. São sintomas de que está doente. A maior dificuldade, no entanto, é admitir essa realidade. O endividamento compulsivo é uma doença que pode ser tratada, mas o primeiro passo para isso acontecer é reconhecer o problema e aceitar ajuda.

Apesar de já existirem há mais de uma década, muita gente ainda não sabe da existência dos grupos de Devedores Anônimos (DA). Diferentes irmandades se organizam em várias cidades para ajudar pessoas que não conseguem lidar bem com o dinheiro e podem acabar destruindo suas vidas em função disso. Para entender um pouco mais sobre como funciona o tratamento, o Finanças Femininas conversou com uma das coordenadoras do DA de São Paulo, que nos pediu para preservar o anonimato.

Os princípios seguidos pelos devedores são bem similares àqueles aplicados nos grupos de Alcoólicos Anônimos. Antes de começar o tratamento, é preciso admitir o problema. Após este reconhecimento, a chave para uma grande mudança de vida é ter perseverança. “O endividamento compulsivo não tem cura, mas tem tratamento. Depois de um certo tempo participando das reuniões, a tendência das pessoas é parar de ir, mas isso não é certo. É neste momento que acontecem as recaídas. As pessoas que estão há mais tempo no tratamento têm que levar essa mensagem aos mais novos para que eles sejam perseverantes”, ressalta a coordenadora.

devedores anônimos

Experiência

A coordenadora é um exemplo claro de que o tratamento tem bons efeitos. Ela mesma conheceu o grupo quando precisou de ajuda. “Eu tinha uma característica de gastar muito para agradar o outro. Gastava muito comprando presentes e me afundei nisso. Sempre tive minha família e meu companheiro me apoiando, isso foi muito importante para que eu desse sequência no tratamento”, conta. De acordo com ela, há quem procure o grupo por vontade própria, outros são incentivados por familiares.

O perfil também é variado, tanto homens quanto mulheres, de jovens até idosos, mas existe um tipo de contexto que é constante nas reuniões: as pessoas que entraram no endividamento compulsivo depois de sofrerem uma mudança brusca no patamar de vida. “Tem casos em que a pessoa chegou a perder um imóvel em função das dívidas, outros que estão com dívidas no valor de um imóvel. A compulsão é tanta que a pessoa acha que sempre pode, ela sabe dos juros abusivos das dívidas que fez, mas não enxerga isso, só quer saber de ter o dinheiro na conta. As vezes não para de gastar enquanto não chega no fundo do poço”, relata.

Em casos extremos, as consequências podem ser irremediáveis. A coordenadora ressalta que os abusos cometidos pelas pessoas que gastam por compulsão podem gerar divórcios e afastamento de familiares. “Tem gente que chega a roubar coisas em casa, que começa a se prostituir, toma empréstimos em nome da mulher ou do marido sem a pessoa saber”. Segundo ela, por mais grave que sejam as situações, o tratamento faz efeito em quem realmente quer ser ajudado.

Nas reuniões, além da partilha de experiências, acontecem palestras e leitura de livros voltados para o tratamento. Todo o trabalho é voluntário e não é preciso pagar mensalidade para participar. Em São Paulo, as reuniões acontecem às terças, quartas, quintas, sábados e domingos. Mais informações sobre locais e reuniões em outras cidades podem ser encontrados aqui.

Independente do tamanho de seu problema, o Finanças Femininas apoia e acredita em todas as mulheres que realmente querem mudar de vida. Se a sua dívida está te tirando o sono e interferindo em outras esferas de sua vida, não tenha medo e vergonha! Você não terá nada a perder ao buscar ajuda!

 

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