Devo investir em imóveis ou em renda fixa?

Devo investir em imóveis ou em renda fixa?

Quando você pergunta a alguém sobre opções para proteger o patrimônio, certamente acaba encontrando uma pessoa para lhe dizer que uma boa opção é investir em imóvel. E quem responde a pergunta pode estar há meses sem acompanhar o que acontece na conjuntura econômica, mas a resposta ainda vem cheia de convicção. O hábito de indicar o investimento em imóveis como proteção do patrimônio é quase cultural, faz parte do perfil patrimonialista dos brasileiros. Mas será que esse conselho continua sendo válido no contexto em que vivemos?

Bom, a verdade é que vender um imóvel  – dependendo do contexto da proprietária – ou deixar de investir em imóveis para aplicar em renda fixa pode ser uma opção bem mais favorável no cenário que vem sendo desenhado neste ano de 2014. Quem explica os motivos é a diretora do Banco Máxima, Cláudia Martinez. Segundo ela, o primeiro fator é a taxa de juros elevada, que acaba tornando os rendimentos da renda fixa mais atraentes. Além disso, vivemos um ano de incertezas, tendo em vista as eleições presidenciais e a exposição do Brasil no cenário externo em virtude da Copa do Mundo.

“Em momentos de incerteza fica mais difícil prever o que vai acontecer na economia, então quem tem mais liquidez, quem tem o dinheiro em mãos para decidir qual a melhor aplicação, acaba saindo na frente. Se você investe em um imóvel, você não tem nenhuma liquidez e fica sujeita às oscilações de mercado”, explica.

Entendendo os juros

Como bem sabemos, a taxa utilizada pelos bancos para trocarem dinheiro entre si, conhecida como CDI (Certificado de Depósito Interbancário), costuma acompanhar a taxa básica de juros (Selic). Ou seja, a cada vez que você investe em aplicações que o banco toma seu dinheiro emprestado para investir em algo – como os CDBs e as LCIs – a instituição lhe paga juros. Então quanto mais sobe a Selic, mais juros você recebe.

De acordo com a diretora do banco, quem investe em LCI pode ter um rendimento de até 104% a.a. do CDI, com a vantagem de que este tipo de aplicação não tem desconto do Imposto de Renda. O CDB pode variar entre 80 e 90% do CDI, as taxas vão variar de acordo com cada banco.

é melhor investir em imóveis ou renda fixa?

Por outro lado, se hoje uma investidora tem um imóvel, a rentabilidade que terá com o aluguel não será tão vantajosa, salvas algumas situações isoladas. Isso porque o mercado imobiliário passa por um momento de aumento de oferta e estabilização dos preços. “A rentabilidade por mês, se conseguir um bom preço, vai ficar em torno de 0,7% e 0,8% por mês. Qualquer aplicação com retorno abaixo de 1% ao mês será abaixo da taxa de juros projetada para o ano”.

Dados os exemplos acima, ela avalia que o investimento em renda fixa, neste momento é mais favorável. A especialista pontua algumas exceções. “A pessoa pode não querer vender o imóvel se tiver fechado um contrato de locação mais longo, com uma grande empresa, interessada em pagar um valor vantajoso por aquela localização. Pode optar por manter o imóvel também em situações em que pagou um valor muito baixo para compra-lo e não encontrou um valor que compense vender”.

Uma outra vantagem, tanto do CDB quanto da LCI, é que as aplicações podem ser pré-fixadas. Ou seja, se for do interesse da investidora, ela já fica sabendo de antemão o quanto vai receber de juros a cada mês pelo dinheiro investido. É uma forma de tornar o rendimento fixo, mas há o revés de perder oportunidade de ter uma renda maior, caso os juros continuem subindo.

Viu só? O cenário para tomar a decisão entre um imóvel ou os títulos de renda fixa é bem mais complexo do que dita o senso comum. Se você tem um imóvel em mãos, vale a pena colocar na balança todos os fatores e avaliar se vale a pena vendê-lo para ter mais liquidez e aproveitar a alta dos juros.

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