Dinheiro não tira férias

Dinheiro não tira férias

*Caco Santos

Quem tem mais de 35 anos provavelmente se lembra que era comum encontrar o tema “Minhas férias” nas aulas de redação, logo após o retorno do recesso de verão. Provavelmente pela falta de assunto e de matéria para lecionar, sempre tínhamos esta tarefa para “aquecer os motores” do ano letivo.

Escrevo não depois, mas durante minhas férias de verão. E penso em uma série de aspectos das nossas vidas que não tiram férias nunca. Nosso corpo não tira férias. Claro que descansa neste período,  é saudável e altamente recomendável que tiremos esse tempo para recarregar as energias. Mas quem precisa de óculos para leitura não pode tirar férias deles.

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Não posso simplesmente deixar de lado minha rotina de tomar meu remedinho da pressão, porque o coração e todo meu sistema circulatório não param de trabalhar e de ter todos os sintomas que tinham enquanto eu estava com clientes ou no escritório. Com menor intensidade e sem a pressão do dia-a-dia, mas ativos 24/7 (graças a Deus!).

O mesmo se observa em relação à dieta. Confesso que na praia e nas festas de final de ano não tenho a mesma alimentação equilibrada que pratico em outras épocas do ano. As “escorregadas” com mais happy hours com amigos e reuniões de família acontecem, são deliciosas e as faço sem culpa, porque sei que são esporádicas.  Sei do preço que terei que pagar com mais horas de esteira e academia para não deixar a saúde descambar. Na verdade, passo todo o ano fazendo “reservas de saúde” para a época de festas e férias, para poder aproveitá-las com a consciência tranquila. Jamais me descuido completamente da saúde física, para que não tenha depois uma dívida com meu corpo que exigirá esforços gigantescos para pagá-la. Mantenho uma disciplina, mesmo nos desvios.

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A mesma reflexão faço para o dinheiro. Nossa conta bancária, nossos investimentos, nossas contas para pagar nunca tiram férias. Estão sempre lá, a gente querendo ou não, gostando ou não disso, lembrando ou não deste fato durante o frescobol ou futebolzinho na areia.

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A disciplina com a saúde física que comentei vale também para a nossa saúde financeira. Durante o ano de trabalho, deve-se manter a disciplina de formar as reservas financeiras para, entre outras coisas, tirar férias e aproveitá-las completamente. Sem preocupações excessivas, sem o peso de pensar “depois eu vejo como vou pagar o cartão, o importante é curtir o momento”.

Conheço pessoas que conseguem “curtir o momento” sem saber como pagarão por ele. Contudo, vejo que a maioria dessas pessoas sofre muito depois, impõe-se sacrifícios enormes nos meses seguintes, rolando o tal cartão de crédito da viagem, pagando o valor mínimo, e deixando de fazer um monte de coisas gostosas para quitar o que sobrou de contas para pagar. Ficam se lembrando das férias por um bom tempo com um sentimento negativo, de prestações a quitar. E ainda existem as incertezas: quem viajou para fora do Brasil no início de julho de 2015 e pagou tudo no cartão internacional viu no final de agosto suas férias custarem 15% a mais do que imaginava quando embarcou!

Por outro lado, também conheço muita gente que prefere aproveitar as férias desde a parte do planejamento: vendo onde vai se hospedar, onde comer, o que visitar e guardando, aos poucos, o dinheiro necessário para realizar todos esses sonhos. Quando a viagem finalmente chega, o sentimento é só de satisfação de conseguir cumprir o planejado. Quando voltam, a sensação é de alegria e conquista, aproveitam os meses seguintes mostrando fotos e contando lembranças. Não se assustam quando a fatura do cartão chega. Elas já pensam nas próximas viagens, começam a planejar e a poupar para elas. Vejo isso como um círculo virtuoso, que dá muito mais prazer no agregado de experiências.

Tanto na saúde financeira quanto na física, é preciso ter consciência de nossas escolhas e suas consequências. Minha nutricionista me ensinou a tomar um litro de água a mais no dia seguinte de um jantar no qual eu tenha exagerado nas taças de vinho. É um esforço que faço para manter meu corpo em dia, nos pequenos escorregões (saudáveis para o equilíbrio mental!) da vida. Até os excessos ficam comedidos quando sabemos do esforço necessário para remediá-los.

Hábitos e comportamentos conscientes fazem a saúde – física, mental, financeira – ser mais equilibrada!

Caco Santos, CFP é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email: caco@fs-adv.com

O artigo reflete as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

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