Dinheiro não tira férias

Dinheiro não tira férias

*Caco Santos

Quem tem mais de 35 anos provavelmente se lembra que era comum encontrar o tema “Minhas férias” nas aulas de redação, logo após o retorno do recesso de verão. Provavelmente pela falta de assunto e de matéria para lecionar, sempre tínhamos esta tarefa para “aquecer os motores” do ano letivo.

Escrevo não depois, mas durante minhas férias de verão. E penso em uma série de aspectos das nossas vidas que não tiram férias nunca. Nosso corpo não tira férias. Claro que descansa neste período,  é saudável e altamente recomendável que tiremos esse tempo para recarregar as energias. Mas quem precisa de óculos para leitura não pode tirar férias deles.

Você também pode gostar:
Quais investimentos são mais adequados para 2016
Conquistando sonhos: a importância do planejamento financeiro
O papel do planejador financeiro

Não posso simplesmente deixar de lado minha rotina de tomar meu remedinho da pressão, porque o coração e todo meu sistema circulatório não param de trabalhar e de ter todos os sintomas que tinham enquanto eu estava com clientes ou no escritório. Com menor intensidade e sem a pressão do dia-a-dia, mas ativos 24/7 (graças a Deus!).

O mesmo se observa em relação à dieta. Confesso que na praia e nas festas de final de ano não tenho a mesma alimentação equilibrada que pratico em outras épocas do ano. As “escorregadas” com mais happy hours com amigos e reuniões de família acontecem, são deliciosas e as faço sem culpa, porque sei que são esporádicas.  Sei do preço que terei que pagar com mais horas de esteira e academia para não deixar a saúde descambar. Na verdade, passo todo o ano fazendo “reservas de saúde” para a época de festas e férias, para poder aproveitá-las com a consciência tranquila. Jamais me descuido completamente da saúde física, para que não tenha depois uma dívida com meu corpo que exigirá esforços gigantescos para pagá-la. Mantenho uma disciplina, mesmo nos desvios.

dinheiro_nao_tira_ferias-min

A mesma reflexão faço para o dinheiro. Nossa conta bancária, nossos investimentos, nossas contas para pagar nunca tiram férias. Estão sempre lá, a gente querendo ou não, gostando ou não disso, lembrando ou não deste fato durante o frescobol ou futebolzinho na areia.

Continue a ler a matéria na próxima página!

A disciplina com a saúde física que comentei vale também para a nossa saúde financeira. Durante o ano de trabalho, deve-se manter a disciplina de formar as reservas financeiras para, entre outras coisas, tirar férias e aproveitá-las completamente. Sem preocupações excessivas, sem o peso de pensar “depois eu vejo como vou pagar o cartão, o importante é curtir o momento”.

Conheço pessoas que conseguem “curtir o momento” sem saber como pagarão por ele. Contudo, vejo que a maioria dessas pessoas sofre muito depois, impõe-se sacrifícios enormes nos meses seguintes, rolando o tal cartão de crédito da viagem, pagando o valor mínimo, e deixando de fazer um monte de coisas gostosas para quitar o que sobrou de contas para pagar. Ficam se lembrando das férias por um bom tempo com um sentimento negativo, de prestações a quitar. E ainda existem as incertezas: quem viajou para fora do Brasil no início de julho de 2015 e pagou tudo no cartão internacional viu no final de agosto suas férias custarem 15% a mais do que imaginava quando embarcou!

Por outro lado, também conheço muita gente que prefere aproveitar as férias desde a parte do planejamento: vendo onde vai se hospedar, onde comer, o que visitar e guardando, aos poucos, o dinheiro necessário para realizar todos esses sonhos. Quando a viagem finalmente chega, o sentimento é só de satisfação de conseguir cumprir o planejado. Quando voltam, a sensação é de alegria e conquista, aproveitam os meses seguintes mostrando fotos e contando lembranças. Não se assustam quando a fatura do cartão chega. Elas já pensam nas próximas viagens, começam a planejar e a poupar para elas. Vejo isso como um círculo virtuoso, que dá muito mais prazer no agregado de experiências.

Tanto na saúde financeira quanto na física, é preciso ter consciência de nossas escolhas e suas consequências. Minha nutricionista me ensinou a tomar um litro de água a mais no dia seguinte de um jantar no qual eu tenha exagerado nas taças de vinho. É um esforço que faço para manter meu corpo em dia, nos pequenos escorregões (saudáveis para o equilíbrio mental!) da vida. Até os excessos ficam comedidos quando sabemos do esforço necessário para remediá-los.

Hábitos e comportamentos conscientes fazem a saúde – física, mental, financeira – ser mais equilibrada!

Caco Santos, CFP é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email: caco@fs-adv.com

O artigo reflete as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Gostou do nosso conteúdo? Então clique aqui e assine a nossa newsletter!

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

Dúvidas enviadas através desse formulário não serão respondidas individualmente por e-mail.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

IBCPF

IBCPF

Planejamento Financeiro

close