Dívidas? Faça as pazes com o seu bolso

Dívidas? Faça as pazes com o seu bolso

A relação com a vida financeira nem sempre é harmoniosa: a ideia de encarar a realidade – ver o impacto das despesas no bolso, somar as dívidas e visualizar os juros – pode ser amedrontadora. Mas a verdade é que não precisa ser assim. E depois de dar o primeiro impulso, você também verá que colocar as finanças nos eixos pode ser muito gratificante.

Para ajudá-la na tarefa de melhorar a sua relação com o dinheiro e aprender a lidar com as dívidas, conversamos com o economista e professor da EESP-FGV, Samy Dana, que lançou recentemente o livro “Faça as pazes com as suas finanças”.

Por que é tão importante controlar as dívidas

Quem deseja realmente equilibrar a vida financeira, precisa, em primeiro lugar, controlar as próprias dívidas. Os juros no Brasil são ótimos para os investimentos, mas pode ter certeza: eles são desastrosos para quem tem dívidas.

Só para se ter uma ideia, hoje, a taxa básica de juros da economia (Selic) – que serve como base para os investimentos em renda fixa, como o Tesouro Direto – está em 11,25% ao ano. As taxas praticadas pelo mercado, entretanto, são muito mais elevadas: os juros do rotativo do cartão de crédito em abril, segundo dados do Banco Central, estavam em 422,5% ao ano, do cheque especial, em 328,3%, e do crédito pessoal não consignado, em 129% .

Com juros altos no País, é preciso saber usá-los a seu favor: estudando a possibilidade de poupar e investir para fazer uma compra, ao invés de optar diretamente pelo crédito. “A vida é feita de escolhas e renúncias. Quando a pessoa escolhe antecipar uma quantia que não tem por meio de crédito, pode ser que, lá na frente, ela tenha que fazer renúncias muito maiores por conta dos juros. Por isso, é preciso entender que quanto menos endividadas, mais controle terão sobre o seu dinheiro”, explica Dana.

Claro: há situações em que as dívidas são importantes ou inevitáveis. Nesses casos, é fundamental que elas sejam planejadas e encaradas como parte do orçamento. Se você não fez isso e está buscando solucionar uma relação mal resolvida com os juros, confira abaixo um passo a passo elaborado por Dana para você se livrar dos débitos e fazer as pazes com o seu bolso.

Manual para quitar as dívidas

1) Encare seus monstros:

“Quando temos uma doença, o primeiro passo que devemos tomar é fazer os exames. Com a vida financeira é a mesma coisa: precisamos começar fazendo um diagnóstico. Só assim será possível encontrar o remédio certo”, explica o economista.

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Por isso, tenha coragem de enfrentar o problema. Organize o orçamento e liste todas as suas dívidas: da prestação da casa às faturas de cartão de crédito. Esse processo pode ser desagradável, mas acredite: olhá-las de frente é o melhor que você pode fazer.

2) Some as dívidas:

Vendo o total dos seus débitos em aberto, você poderá visualizar quanto essas dívidas levam embora da sua renda todos os meses.

3) Identifique as mais caras:

Entre as dívidas enumeradas, identifique aquelas que têm as taxas de juros mais caras, ou seja, as que têm maior potencial de crescer e bagunçar a sua vida financeira – como as de cartão de crédito e cheque especial.

4) Crie um plano de ação para quitá-las:

Essa é a hora de ir em frente. Veja quanto dinheiro do seu orçamento já está comprometido com outras despesas e quanto consegue poupar por mês para aumentar o seu poder de pagamento. Tente renegociar as dívidas e pedir juros mais baixos.

Se for assumir uma dívida com juros menores para arcar com os custos de uma dívida mais cara, é preciso alguns cuidados. Dana orienta que é importante ficar atenta às condições oferecidas, para ver se elas realmente estão favoráveis, e nunca aceitar mais dinheiro do que o necessário para quitar o débito. Além disso, a possibilidade de trocar dívidas caras por baratas não deve se tornar um hábito, já que, mesmo que inferiores, os juros ainda serão altos.

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Mas cuidado com os cortes excessivos:

Para conseguir pagar as dívidas, os primeiros gastos que as pessoas pensam em cortar são justamente os mais prazerosos: com lazer e despesas pessoais, por exemplo. Dana orienta, entretanto, que não é viável sacrificar demais o entretenimento – já que ele é importante para manter motivação, qualidade de vida e estabilidade emocional de uma pessoa.

“No curto prazo, ou seja, por até três meses, realmente é possível cortar gastos com restaurante e passeios, por exemplo. Por períodos mais longos, no entanto, isso se torna complicado, porque prejudica a qualidade de vida”, explica no livro. Pela regra dos 50/30/20, 30% da renda líquida de uma pessoa deve ser destinada aos chamados “gastos supérfluos”.

Sua sugestão é que os gastos obrigatórios também sejam revistos, pelo menos enquanto paga as dívidas. Pode ser que depois desse “pente fino” você perceba, inclusive, que algumas despesas que considerava essenciais não o sejam de fato.

Algumas dicas extras para manter a vida financeira em dia

Conheça o seu orçamento:

Saber exatamente quanto ganha, o quanto está comprometido com despesas e dívidas, onde pode fazer cortes e quanto é capaz de investir é fundamental para conquistar o equilíbrio financeiro.

Planeje suas dívidas:

Como já foi dito, quando necessárias, as dívidas devem ser planejadas. Lembrando sempre de como os juros funcionam: sua incidência é mais intensa quanto maior o valor financiado e prazo de pagamento. Por isso, tente juntar o máximo possível de dinheiro antes de se endividar.

Evite os impulsos

Essa dica também está ligada ao planejamento. “É preciso se perguntar se você precisa daquilo, se tem condições de pagar e se precisa fazer a compra naquele momento”, explica Dana. Outra dica para evitar os impulsos é transformar mentalmente o preço do produto ou serviço em tempo, ou seja, ver quantas horas você precisaria trabalhar para fazer aquele pagamento – confira aqui outras dicas para lidar com as compras impulsivas.

Viva de acordo com o seu padrão de vida:

Vivendo acima do seu padrão de vida será impossível encontrar o bem estar financeiro. Algumas perguntas podem ajudá-la a identificar se está com esse problema são: “Quanto ganho?”, “Quanto gasto?”, “Como gasto?”, “Algum item custa demais se comparado ao meu salário?”, “Tenho dívidas?”.

 

Fotos: Shutterstock

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