Do Carnaval ao vendaval: a bagunça continua na economia

Do Carnaval ao vendaval: a bagunça continua na economia

Olá, meninas! Passado o período de folia, é hora de ficar em dia com as últimas novidades sobre a nossa economia. As notícias não são muito animadoras e na coluna Em $uma de hoje, a jornalista Naiara Bertão explica um pouco mais o que está acontecendo.

Bom dia, meninas! Como passaram o carnaval??

Na semana passada, enquanto muitos ainda curtiam a folia, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reconheceu a investidores em Nova York que a economia brasileira pode ter recuado em 2014. Em teoria, isso significa que o Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas (bens e serviços produzidos) além de não crescer, encolheu. Ou seja, comparado a 2013 – ano que já havia sido considerado fraco, mas ainda de crescimento (2,3%), o PIB de 2014 deve ter sido menor.

O problema é que, geralmente, quando a economia está desaquecida, a inflação também acaba recuando, e não foi o que vimos ano passado. O IPCA subiu 6,41% e só ficou acima do teto da meta (6,5%) porque a equipe econômica do primeiro mandato e a própria presidente decidiram não repassar na íntegra os reajustes de preços administrados, aqueles que o governo controla, como energia elétrica e combustíveis.

Inflação

Essa repressão de preços, porém, é o mesmo que colocar um band-aid na ferida: na hora que você tirá-lo, vai doer. E nem precisamos esperar muito para ver isso. Em janeiro, o IPCA já subiu 1,24%, a taxa mensal mais alta desde fevereiro de 2003. Os economistas ouvidos pelo Banco Central para o relatório semanal Focus já estimam que os preços subam, em média, 7,27% em 2015. Mas, já há analista prevendo inflação na casa de 8%.

À medida que as distribuidoras de energia forem reajustando suas tarifas, ela pode subir ainda mais. Há empresa já aumentando a conta em mais de 40% de uma vez. Vale lembrar que, pelas regras do setor elétrico, elas só podem reajustar uma vez por ano as tarifas. Desde o início do ano passado, grande parte das térmicas estão ligadas para preservar o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Acontece que, bem diferente das hidrelétricas, essas usinas térmicas usam combustíveis caros (gás, carvão ou óleo) para produzir energia, o que encarece toda a geração do país.

Até ano passado o governo “ajudava” as empresas com subsídios do Tesouro, mas que, no fim, é o contribuinte que paga a conta porque é dinheiro público. Mas, esse ano, com a contenção total de gastos e aumento de impostos, essa ajuda financeira foi cortada. Então, os consumidores é que estão tendo que desembolsar mais dinheiro para cobrir esses gastos altos.

Setor elétrico é um assunto que pretendo ainda explicar em outro post, meninas, porque a história toda é bem complexa!!!

Além da energia, outro preço administrado que foi represado foi o combustível. A Petrobras, que é uma empresa controlada pelo governo, também não pode reajustar seus preços nos últimos anos na proporção que precisava. O resultado foram rombos financeiros extremamente prejudiciais para o caixa da companhia. Agora, aos poucos, ela está tentando estabilizar suas finanças.

O Copom, equipe do Banco Central que analisa a necessidade de elevar os juros, estimou, na sua última reunião, que os preços administrados devem subir 9,3% em 2015. E olha que o Copom é um órgão conservador! Há instituições financeiras já trabalhando com altas acima de 10%.

Emprego e PIB

Inflação acelerada e crescimento baixo devem influenciar no emprego. A alta de preços é um obstáculo natural para o consumo. É simples: se você percebe que o preço do tomate subiu 10% desde a última vez que foi ao mercado, o que você faz? Ou você vai usar menos tomate nos pratos ou simplesmente não vai comprar. O mesmo vale para a refeição fora de casa, o pãozinho francês, o queijo minas, a academia, manicure, estacionamento, etc etc etc. Resumindo, o seu consumo vai cair. E é assim que a inflação prejudica o PIB: o consumo das famílias, que é um dos componentes do indicador, diminui.

supermercado_caro

Outro pilar do PIB é o consumo do governo. Mas, é fato que a ordem do Palácio do Planalto é cortar gastos e buscar formas de aumentar a arrecadação para cumprir a meta fiscal – já falamos, lembram? Assim, os subsídios públicos e os investimentos caíram drasticamente. Eles haviam sido a arma do governo para alavancar o crescimento econômico enquanto o mundo sangrava na crise de 2008 e 2009. Então não podemos esperar um peso importante deste lado da balança.

Bom, se nem o consumo das famílias e nem o do governo vai ajudar o PIB em 2015, resta-nos saber se os investimentos e a balança comercial – os outros dois pilares – salvarão nossa economia.

Do lado da balança, o saldo ficou negativo em janeiro foi de 3,17 bilhões de dólares (tradução: estamos importando mais do que exportando). É claro que tem muito chão ainda, 2015 está só começando, mas a sinalização inicial é que não podemos esperar muito das exportações. Talvez o dólar valorizado ajude, veremos.

Por fim, o investimento, que é medido por um indicador chamado Formação Bruta de Capital Fixo. O desafio está em recuperar a confiança dos empresários, o que Levy estava tentando fazer em Nova York semana passada e já vem falando desde que assumiu a Fazenda. O foco na meta fiscal, apesar de desestimular a expansão do PIB, mostra aos investidores que o governo está disposto a arrumar a bagunça que fez anos atrás. Mesmo assim, a constante mudança de regras, o baixo consumo, a economia internacional ainda devagar, a burocracia e os impostos acabam pesando contra. A confiança dos empresários ficou em janeiro no nível mais baixo para o mês desde 1999, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

No noticiário temos visto mais notícias de demissões do que de contratações, o que pode respingar na taxa de desemprego. Com uma economia desaquecida e pessoas consumindo menos, o empresário fica inseguro se vale a pena investir em seu negócio. Muitas empresas, diante da fraca demanda, já demitiram. Sem salário, as pessoas consomem menos ainda. A projeção dos economistas ouvidos para o relatório Focus já aponta para o PIB negativo em 2015: queda de 0,42%.

O resultado do PIB de 2014 será divulgado só em 27 de março. Esta semana teremos a Pesquisa Mensal de emprego na quinta-feira e as quatro principais divulgações do Banco Central (setor externo, política monetária, mercado aberto e política fiscal).

O jeito, meninas, é segurar no corrimão e esperar a tempestade passar. Afinal, o brasileiro não é apenas conhecido por ser um povo hospitaleiro e que faz um belo Carnaval, mas também por sempre ver o copo meio cheio. Toda segunda-feira acaba passando e um novo fim de semana chega depois de algum tempo.

Boa semana!!!!

 

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