Documentário discute o equilíbrio entre maternidade e carreira

Documentário discute o equilíbrio entre maternidade e carreira

De repente a vida muda. Um chorinho infantil começa a fazer parte das madrugadas, os horários viram de perna para o ar e sair de casa para trabalhar torna-se uma partida dolorosa diariamente. Toda mulher sabe que não é simples equilibrar a carreira e a chegada de um filho, independente de ter vivido este momento na pele ou somente visto pessoas próximas encarando esta fase.

As dúvidas quanto às maneiras de lidar com este momento da vida podem passar pela cabeça de várias mulheres, mas no caso da arquiteta e administradora Bia Siqueira essa inquietação foi além. A rotina de mulheres grávidas ao redor dela e a experiência da primeira gravidez motivaram-a desenvolver o projeto de um documentário sobre o assunto.

“Com Licença” vem trazer a todas nós, mulheres com ou sem filhos, as muitas indagações a respeito da experiência da licença maternidade, do dilema de conciliar a carreira e ser mãe. “As pessoas me perguntam qual é o objetivo do documentário. O objetivo é justamente tentar entender porque as mães estão tão infelizes e com necessidade de encontrar um equilíbrio entre a maternidade e a carreira”, resume a idealizadora do projeto.

Foto: Daniel Mello/Com Licença

O nascimento da ideia

Os questionamentos de Bia surgiram antes mesmo de chegar a primeira gravidez. Durante o tempo em que trabalhou para duas grandes multinacionais, ela observava com certa curiosidade a rotina de mulheres que ficavam grávidas e trabalhavam praticamente até o último dia de gestação.

“Eu percebi que não queria aquilo para mim, que queria ter uma carreira que permitisse mais flexibilidade para ter um filho quando o momento chegasse. Acabei saindo do emprego e abri uma empresa de produção de documentários com o meu marido, assim eu poderia ter essa flexibilidade, mas não foi bem assim”, conta.

Nem mesmo a mudança radical na carreira foi o suficiente para facilitar as coisas. A idealizadora do projeto contou ao Finanças Femininas que teve uma gravidez difícil e que passava mal praticamente todos os dias. “No quinto mês de gravidez eu já não aguentava mais trabalhar, era muito frequente eu ir trabalhar passando mal. Aquilo estava desestruturando a equipe e eu resolvi levar o computador para casa e ficar fazendo de lá as coisas que eu conseguia”. Dessa forma, ela conseguiu reduzir drasticamente a jornada de trabalho e dedicar-se mais à gravidez.

A filha nasceu saudável, não teve problemas com a amamentação – situação que acontece com frequência com muitas crianças – e ainda assim foi um período de difícil adaptação. “Eu fico imaginando como fica a vida da mãe quando ela tem qualquer mínimo probleminha, como teria sido a minha vida se eu não tivesse tomado qualquer outra decisão que não fosse aquela. Demora muito até você entender que a vida mudou”.

Toda essa bagagem fizeram com que ela e o marido, Gui Abrunhosa, dessem início ao projeto do documentário. As muitas dores pelas quais a mulher passa antes e depois do nascimento do bebê – como os desconfortos da gravidez, a falta de apoio em muitas situações e a separação do filho quando a licença acaba, são assuntos abordados no filme.

A abrangência do documentário

A produção do documentário abriu um amplo leque de discussões. De acordo com Bia, o material desperta desde um questionamento pessoal para a mulher – sobre a consciência que ela precisa ter sobre a maternidade e as decisões que terá que tomar – até a forma como a sociedade enxerga a maternidade, além  das mudanças que precisam ser feitas tanto por parte do poder público e do privado para que as mães possam equilibrar a carreira e o tempo com os filhos.

Uma das críticas que ela faz ao modelo atual é quanto ao período praticamente simbólico que é dado para a licença paternidade, que atualmente é de apenas cinco dias. “É inviável querer igualdade fora de casa, se dentro de casa as coisas continuam desiguais. Mudar a cultura é mexer com iceberg, é trabalho de formiga, enquanto o homem não puder estar mais em casa, por direito e por lei, isso não vai mudar”, reforça.

Uma das propostas da idealizadora para ampliar a discussão, é trazer relatos de mães brasileiras que tiveram filhos em outros países, como forma de analisar como este contexto é encarado em outras culturas. 

A produção

O documentário vem sendo produzido há quase dois anos. Segundo Bia, uma etapa foi produzida com recursos dela e do marido, depois o projeto recebeu o incentivo da Lei Rouanet e agora os dois batalham por patrocinadores. Como o assunto é de interesse de toda a sociedade, eles estão buscando o apoio por financiamento coletivo. Vale a pena visitar a página do projeto para conhecer um pouco mais sobre a produção.

Se tudo der certo, eles pretendem lançar o documentário em 2015, sendo que o material ficará disponível para download, segundo a idealizadora.

 

E você, quais as dificuldades enfrentou para conciliar a maternidade e a carreira? Conte-nos a sua história!  

 

 

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