Economia colaborativa ajuda o consumo consciente

Economia colaborativa ajuda o consumo consciente

Muito tem sido falado sobre a necessidade de repensar nossos hábitos de consumo e comprar de forma mais consciente. Mas, na prática, fica difícil se desapegar de costumes consumistas, cultivados desde a infância.

Comprar de forma consciente não quer dizer se privar de todos os prazeres e supérfluos da vida. Por isso, as soluções que incentivam compartilhamento, troca e até pagamento coletivo têm conquistado adeptos no Brasil e gerado novas ideias constantemente.

Assim surgem modelos alternativos de economia, que tem sido comumente chamados de economia colaborativa, economia criativa ou economia solidária. “Embora cada um destes modelos tenha pequenas sutilezas e particularidades, de forma geral eles permitem a conexão entre as pessoas a partir de necessidades comuns, compartilhando e troca de produtos e serviços. Neste novos modelos econômicos, o acesso é mais importante que a posse”, explica a administradora Leda Böger, diretora Executiva do Instituto Consulado da Mulher.

Você também vai gostar de:
Aplicativo incentiva consumo consciente com troca de objetos
Por que gastar tanto com roupas que nunca usamos?
Roupas usadas podem virar moeda de troca

A cool hunter Joice Preira acompanha as novidades de plataformas e startups com foco na economia compartilhada por meio do grupo “Portal Brasileiro de Economia Colaborativa”, que administra no Facebook. Para ela, o contato com estas soluções pode começar a mexer com os hábitos e forma de pensar das pessoas. “Ocorre uma mudança no comportamento do consumidor“, afirma.

E ela mesma é exemplo dessa mudança orgânica. A sua primeira experiência de economia colaborativa foi em um coworking na cidade de Rovereto, onde mora na Itália. O fato do lugar ser segmentado para pais com filhos enriqueceu a experiência de Joice. “O conceito de trabalho neste tipo de espaço vai além do compartilhamento, do escritório físico. Existe a sinergia, o networking presencial, a colaboração entre os profissionais. Ou seja, é um modelo colaborativo de trabalho em que uma rede de pessoas se unem com o objetivo de resolver determinados desafios em conjunto”, conta.

economia-colaborativaJoice também utiliza serviços de compartilhamento de bicicletas para transitar com a filha Gaia pela cidade de Rovereto, na Itália. Foto: Reprodução Facebook

Continue a ler a matéria na próxima página!

Depois disso, ela adere à inúmeros serviços da economia colaborativa e o grupo ajuda a encontrá-los. “O objetivo do grupo é compartilhar experiências, notícias, artigos, novas startups e tudo que diz respeito as novas ideias nesse nicho”, explica.

Leda também busca compartilhar o máximo possível no seu dia a dia. “Não jogo mais roupas, sapatos e bolsas fora. Sempre troco com minhas amigas. O que é velho pra mim, é novo para elas”, explica. Até eletrodomésticos podem virar moeda de troca “Minha diarista precisava de um microondas novo e eu tinha dois. Troquei um deles por algumas horas de serviços de limpeza e organização. Bom para nós, bom para o planeta”, diz.

Ela concorda com as mudanças que o consumo colaborativo podem causar nos hábitos e também no bolso das pessoas. “Depois que conhecemos de perto estes modelos cooperativos e suas vantagens para a coletividade, fica difícil não adotar em nosso dia a dia pequenos hábitos que nos façam sentir mais sustentáveis”, observa.

Estamos conhecendo o combatente do capitalismo?

“Quando um grupo de pessoas se propõe a compartilhar o uso de um produto ou serviço, existe uma tendência natural de se reduzir o desperdício, aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais, combater o consumismo e até mesmo reduzir as desigualdades sociais”, observa Leda.

Para um investidor que pensa nesse modelo de economia como uma oportunidade de negócios, é importante pensar nos benefícios para o coletivo, muito além do lucro. É isso que Leda ressalta: “Normalmente os modelos de negócio colaborativos não envolvem intermediários e o tomador do serviço ou produto relaciona-se diretamente com o fornecedor, desta forma também se reduz significativamente os custos associados a uma estrutura formal de comércio”.

Estes benefícios seriam, além da economia de quem consome, também o incentivo a entender e adaptar o consumo colaborativo no dia a dia e também oportunidades de emprego. O Consulado da Mulher, por exemplo, busca estimular a prática da economia solidária por meio de coletivos de trabalho onde não há empregadas ou patroas, todas são sócias.

Continue a ler a matéria na próxima página!

Assim como o espaço de coworking que inspirou Joice a rever seus hábitos de consumo, os grupos de trabalho no Consulado reúnem mulheres com interesses e necessidades comuns, que se organizam para a realização de atividades produtivas e compartilham espaços de comercialização. Segundo Leda, está é uma forma de aprender na prática sobre como utilizar seus serviços individuais em prol da estruturação de negócios coletivos que beneficiam a todas.

Esta alternativa pode parecer uma potencial combatedora do capitalismo, mas Leda acredita que, mesmo com mais buscas e adesões por uma vida mais econômica e colaborativa, estamos longe de substituir completamente o sistema em que estamos inseridas. “Pessoalmente não vejo este modelo como uma concorrência para o capitalismo, mas uma forma alternativa para as pessoas que desejam (ou precisam) de modelos de vida mais sustentáveis“, conclui.

Gostou do nosso conteúdo? Então clique aqui e assine a nossa newsletter!

Este conteúdo foi útil para você?

Financas Femininas

Finanças Femininas

Sua independência financeira depende de você, com uma ajudinha nossa.

close