Educar bem os filhos também é investimento

Educar bem os filhos também é investimento

No início de um namoro, as diferenças de personalidade, por mais gritantes que sejam, são superadas com mais facilidade. São as mágicas que o amor costuma fazer. Ao longo da convivência, no entanto, alguns traços divergentes na personalidade de cada um começam a gerar transtornos maiores, mas entre uma briga e outra muita gente acaba se entendendo até chegar ao altar. A questão é que essas diferenças podem influenciar de forma marcante na educação dos filhos.

Entre vários outros aspectos, um dos pontos afetados é forma como eles vão aprender a lidar com dinheiro. Vamos tentar entender de forma mais prática: suponhamos que você seja a “linha dura” do casal e que seu parceiro seja mais light. As primeiras divergências começam ainda na infância. Quando você diz para seu filho que não é para jogar bola dentro de casa, ele desobedece, quebra alguns enfeites e você o coloca de castigo. Sensibilizado com a carinha de piedade da criança, o pai resolve liberá-lo do castigo sem que você saiba. Por um lado, ele tenta ser bonzinho e ganhar credibilidade com o filho, mas por outro pode não perceber que está tirando sua autoridade e ensinando ao filho a ser uma pessoa sem limites.

como educar bem os filhos

O mesmo tipo de situação pode acontecer quando o assunto é dinheiro. Seu filho anda tirando notas ruins e você opta por suspender a mesada até que ele consiga reverter a situação. Isso significa tirar dele temporariamente a fonte de renda para pagar o cinema com amigos, sorvete, passeios no parque, etc. Da mesma forma como aconteceu com o castigo anterior, o marido libera uma grana por fora da mesada para que o filho possa passear com uma namoradinha nova.

A situação também pode inverter-se. De repente o pai da criança é mais firme e você seja compreensível demais e vive dando um jeito de tirar seu filho das enrascadas que ele mesmo cria. A grande questão é que esse tipo de atitude não costuma levar em consideração as implicações posteriores. Se vocês não buscarem uma forma coerente de dar limites aos filhos, de forma que ambos possam respeitar e serem firmes com as escolhas que adotarem para punir as atitudes erradas, como podem cobrar maturidade deles mais tarde?

Se criança ou adolescente ele aprende que pode continuar dando um jeito para conseguir ter acesso a dinheiro, ainda que a mesada tenha sido suspensa pelas notas ruins, ele está aprendendo que não precisa comprometer-se com estudo e responsabilidade para ganhar a própria grana. Se ele foi liberado de um castigo mesmo depois de ter desobedecido a mãe, está aprendendo que não tem obrigação de aceitar “não” como resposta.

E ai lá na frente, se o filho torna-se um adulto irresponsável e pouco comprometido com o trabalho e com a carreira, que frustra-se facilmente em qualquer situação em que é contrariado, os pais sofrem em dobro.

Dar uma boa formação aos filhos não é tarefa fácil, mas exige um comprometimento muito sério em todas as etapas da vida deles. Se você e o pai da criança estão tendo problemas quanto a isso, é hora de tentar achar um meio termo entre o lado muito rígido de um a postura mole demais do outro. O importante é que no fim das contas vocês saibam respeitar as decisões tomadas e que pensem a longo prazo quando precisarem dar aos filhos algum tipo de correção.

 

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