Ela construiu uma carreira de sucesso depois de oportunidade em ONG

Ela construiu uma carreira de sucesso depois de oportunidade em ONG

Muitas vezes, o que separa uma pessoa de uma vida de sucesso é apenas uma oportunidade – e, infelizmente, elas ainda são raras em uma sociedade cheia de desigualdades como a nossa. Elas podem ou não cruzar o caminho de uma pessoa em vulnerabilidade social. No caso da paulistana Andréa Poiani, bastou uma oportunidade lá na adolescência para sua história mudar completamente. Hoje, aos 30 anos, lembra de sua entrada na ONG Meninos do Morumbi – que tem como mote mudar a vida de adolescentes através da música – e como ela desenhou sua carreira.

“Passei três anos lá fazendo aulas de canto, dança, idiomas e informática, onde desenvolvemos o site da ONG e eu tive meu primeiro contato com design e criação”, conta. Aos 18, saiu do projeto e decidiu: iria seguir carreira em design, pois havia se encantado com a experiência que tivera no projeto. Assim, entrou na faculdade, contudo, conforme conseguia empregos, cada vez mais se enveredava para a área da comunicação. Até que um posto de trabalho na Telecom lhe deu a oportunidade de lidar diretamente com a área de responsabilidade social. “Apesar de nunca ter estudado o assunto formalmente, eu tinha a vivência de ter sido uma beneficiária direta de um projeto social, então tomava a frente de ações de voluntariado e afins. Sempre tive uma veia muito forte para a área social”, relembra.

Depois, entrou de cabeça no terceiro setor ao atuar na Fundação Abrinq – e foi só lá, ao contar sua história, que descobriu que a fundação ajudava a Meninos do Morumbi quando ela era beneficiária. “Sou fruto dessa causa e prova viva de que vale a pena acreditar, pois os jovens que você ajuda podem um dia trabalhar em sua empresa”, aponta. Hoje, Andréa voltou para o segundo setor como Analista Sênior de Responsabilidade Social Corporativa de uma grande empresa do setor de Business Process Outsourcing (BPO) e Customer Experience Management (CEM), e lá segue incentivando tanto a companhia quanto seus funcionários a se dedicarem a causas que valem a pena – com ênfase para projetos de empoderamento feminino e valorização da diversidade, visto que a empresa é signatária do Fórum de Empresas e Direitos LGBT.

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Andréa Poiani

Questão de oportunidade

Viver no meio de um grande paradoxo pode causar um nó na cabeça de jovens em vulnerabilidade social. A ONG Meninos do Morumbi, conforme o nome indica, fica localizada neste bairro nobre da capital paulista conhecido pelo contraste social assustador – e quem vive nos arredores, em bairros como Paraisópolis, Campo Limpo e Jardim Jaqueline, enfrenta esse contraste todos os dias. Aqui entra a importância daquela oportunidade que falamos no começo da matéria. “Vi muitos amigos sendo enterrados porque foram para o crime, mas também vi muitos que hoje são bem sucedidos graças às atividades que desenvolviam na ONG”, diz. “Fazer este trabalho é uma questão de plantar uma semente na cabeça dessa juventude e fazer com que ela acredite em seu potencial para que ela também possa traçar um caminho de sucesso”, completa.

Esse foi o caminho de Andréa, que conseguiu concluir sua graduação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) com ajuda do Fies. Tudo por causa de uma chance, que lhe deu base, princípios e valores que ela garante carregar por toda a vida. “Até então, eu não tinha noção do que é ser apoiada por uma instituição, apenas sentia uma gratidão muito grande. Só soube mensurar o impacto que essa oportunidade me causou depois que comecei a trabalhar na área social”, explica.

Aliás, mesmo se pudesse, Andréa garante que não se vê fazendo outra coisa em sua carreira, mesmo sabendo que ainda é restrito o número de empresas que valorizam a área de responsabilidade social. Porém, ela é otimista. “As pessoas se sentem gratificadas ao fazerem a diferença na vida de alguém. Talvez eu não fique rica, mas sempre me imagino fazendo exatamente o que faço hoje”, pontua.

Com suas raízes firmes no chão e devidamente valorizadas, Andréa credita tudo o que tem hoje ao seu aprendizado enquanto beneficiária da Meninos do Morumbi – e, claro, muito suor. “Não sou de reclamar e comemoro cada conquista. A gente passa por dificuldades, mas é preciso aproveitar cada oportunidade para ultrapassar barreiras, conquistar e ver que valeu a pena”, finaliza.

Fotos: Arquivo Pessoal

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