Elas conseguiram R$ 40 mil com crowdfunding e abriram o próprio negócio

Elas conseguiram R$ 40 mil com crowdfunding e abriram o próprio negócio

A dificuldade financeira afasta muitas mulheres de realizar seus sonhos, como abrir o próprio negócio. Nesses casos, o crowdfunding pode ser uma boa maneira de levantar fundos e tirar seus planos do papel. E isso vale para financiar desde a abertura de empresas até fomentar projetos criativos. A seguir, você conhece a história de duas mulheres que conseguiram arrecadar até R$ 40 mil, criaram seus negócios do zero e realizaram sonhos, assim como dicas para que a sua campanha de crowdfunding também dê certo.

Crowdfunding para empreender

A Startup Weekend de Mobilidade Urbana de 2015 foi a origem do Woole, aplicativo para ciclistas com rotas personalizadas e e mapeamento de locais bike friendly. Na ocasião, nove pessoas se debruçaram sobre a ideia – que deu tão certo que elas decidiram tirá-la do papel.

No entanto, levantar os R$ 19 mil necessários do próprio bolso seria uma tarefa complicada, enquanto convidar um investidor seria inviável, já que ele levaria uma grande fatia da empresa. “Como a Woole é toda embasada na comunidade, nos pareceu uma boa forma de validar o nosso negócio através do financiamento coletivo”, justifica Nathalia Yukari Watanabe, uma das empreendedoras envolvidas no projeto.

Foi um mês e meio dedicado ao planejamento da campanha – e Nathalia confessa que poderia ter obtido resultados ainda melhores se tivesse tido mais tempo para a etapa. Mas deu certo: o grupo conseguiu levantar R$ 40 mil, R$ 21 mil a mais do que a meta inicial. “É preciso planejar muito bem cada etapa da campanha, mensurar e escolher as recompensas, estimar todos os custos envolvidos na operação, manter-se ativa nas redes sociais e engajar o seu círculo de contatos”, resume.

Além de levantar o investimento necessário, ter todo esse apoio da comunidade foi a chancela que eles precisavam para ver que a ideia era mais do que bem-vinda. “Eu vejo no crowdfunding uma forma direta de validar sua ideia. Tem gente interessada? Se sim, você vai levantar o dinheiro e vai tirar sua ideia do papel. Se as pessoas acreditam em nós, significa que há gente querendo que a nossa solução exista” afirma a empreendedora de 29 anos – que também é arquiteta, urbanista e designer.

“O crowdfunding em si me fez entender que há outras formas de iniciar um negócio e que o modelo tradicional de investimento não é a única solução que existe. A comunidade e a conexão entre as pessoas têm um poder cada vez maior”, completa.

Crowdfunding para lançar um livro

Foi da mesma maneira que a jornalista Sílvia Amélia de Araújo, 36 anos, conseguiu dinheiro para escrever e publicar seus primeiros dois livros – o Álbum de Histórias, com crônicas pessoais, e o Guia Casar Bonito, com dicas para quem deseja se casar –, todos eles redigidos com seu jeito peculiar de escrita. Para tanto, ela precisava de R$ 26.250. “Faltando dois dias, eu só tinha arrecadado 85% do valor total, e escolhi a modalidade tudo ou nada – ou seja, se não conseguisse alcançar a meta, não levaria nada. É um risco, mas acho que mobiliza mais as pessoas”, conta.

Felizmente, os últimos dias reservaram uma grata surpresa: Sílvia conseguiu 108% do que precisava, superando suas expectativas. “O que eu percebi é que as pessoas doam no início e no fim da campanha. Vem muita doação no final, então, não pode desanimar”, diz.

E mais surpreendente ainda foi perceber que as doações vieram mais de pessoas que não a conhecem pessoalmente e de ex-alunos de uma oficina de escrita que ela ministra. “São pessoas que leem o que escrevo. Por isso, meu projeto pareceu mais coerente pra elas”, opina.

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Por isso, a jornalista concluiu que as pessoas que realmente fazem diferença em um projeto de crowdfunding são aquelas que entendem seu projeto – e não necessariamente elas serão grandes amigas. “Penso que quem pretende fazer uma campanha deve pensar em quem compreenderá o seu sonho, e não focar nas pessoas mais próximas. Você pode encontrar gente que se sinta tocada pelo seu projeto tanto em seu círculo próximo quanto entre quem nunca lhe viu”, acredita.

A jornalista foi muito criativa em suas estratégias para atrair apoiadores. Em uma delas, criou uma campanha onde pedia para que seus amigos a apresentassem para quem pudesse gostar de conhecê-la. “Recebi vários apoios desses amigos de amigos, que até então nunca tinham lido nada que escrevi”, expõe.

Para ela, a estratégia foi um sucesso porque aconteceu de maneira pessoal. “Foi muito mais eficiente do que meus amigos ficarem compartilhando um post de divulgação da campanha. Em vez disso, cada um pensou em uma só pessoa e disse: ‘essa aqui é a Sílvia, ela escreve umas coisas que você vai gostar e ela está fazendo uma campanha’. Cada amigo falando com mais um funciona mais do que cem pessoas apenas compartilhando”, defende. Deu tão certo que um amigo de um amigo a presenteou com créditos no Facebook para que ela criasse um anúncio do projeto na rede social.

Outra atitude partiu de sua mãe, que convenceu alguns parentes mais velhos, que não têm familiaridade com internet a participarem da campanha. “Então, minha prima pegava os dados dessas pessoas e gerava um boleto para elas. Às vezes, ela mesma pegava o dinheiro com essas senhoras e pagava o boleto”, relata. No penúltimo dia, até mensagens de WhatsApp ela disparou para sua lista de contatos.

“Acho que isso tudo aconteceu porque eu apresentei minha campanha como algo coletivo – não só na grana. Eu pedi ajuda e dicas e as pessoas foram me ajudando, pensando em estratégias comigo”, analisa.

Faça seu projeto de crowdfunding dar certo

Para Candice Pascoal, CEO e fundadora da Kickante, o mais interessante sobre essas plataformas é seu poder de transformação social. “Enxerguei no crowdfunding um potencial de democratização, de oferecer o poder para que qualquer pessoa conseguisse tirar seus projetos e sonhos do papel”, diz ela, que deixou uma carreira executiva internacional para liderar a start up. Candice, Nathalia e Sílvia compartilham suas dicas para você também usar o poder do financiamento coletivo para fazer seu negócio acontecer.

1. Capriche no título. Ele precisa ser curto e direto, explicando em poucas palavras qual é o objetivo da campanha. Ao mesmo tempo, precisa ser convidativo e despertar a curiosidade do leitor.

2. Tenha boas imagens e um texto claro. Essa é a hora de defender a razão da sua campanha merecer uma contribuição. Explique de maneira objetiva do que se trata a campanha, qual é o resultado final e como o valor arrecadado será usado. Imagens ajudam a ilustrar e enriquecer o conteúdo. Sílvia, por exemplo, elaborou um gráfico que mostra qual é o percentual dedicado a cada necessidade do projeto, como impressão dos livros e até a taxa cobrada pela plataforma que utilizou.

3. Grave vídeos falando sobre sua campanha. “Por algum motivo as pessoas gostam de ver o rosto de quem está pedindo doação, mesmo que ela seja alguém que você conheça”, salienta Sílvia, que usou o celular para gravar o seu. Você pode ver o vídeo que a jornalista gravou aqui.

4. Ofereça recompensas. Elas não são obrigatórias, mas podem ser cruciais para o sucesso da arrecadação. “Pense: eu compraria essa recompensa? Ela vale o valor de contribuição que estou sugerindo? Sempre recomendamos que tenha entre 3 a 6 recompensas, começando com uma básica de 10 ou 20 reais e terminando com uma recompensa VIP para empresas ou filantropos de plantão”, ensina Candice. Seja criativa e navegue por outras campanhas para buscar inspiração.

5. Estabeleça um prazo para o fim da campanha. Apesar de a data limite ser de 60 dias, Candice recomenda que ela acabe em 40 ou 45 dias, pois isso criará um senso de urgência nos colaboradores.

6. Estabeleça uma meta realista. Para fazer o cálculo, some os custos de produção e execução de seu projeto às taxas administrativas da plataforma de crowdfunding e ao custo do envio de recompensas pelos Correios, caso se aplique. Ao final, adicione uma margem de erro. Adapte essa fórmula de acordo com o seu projeto.

7. Trabalhe bem as redes sociais. Postar apenas o link da campanha é maçante e pode fazer seus amigos se cansarem. “Eu diversificava as postagens. Em cada uma falava de algo diferente e colocava o link. Eu também falava sobre estatísticas das doações, de quais estados elas estavam vindo. Também acho que vale dividir com as pessoas as angústias da campanha”, revela Sílvia.

8. Tenha coragem. “Não espere. Vai lá, dê a cara para bater, porque você só vai saber se sua ideia vai dar certo quando todo mundo souber que ela existe”, finaliza Nathalia.

Fotos: AirBnb/Leonardo Wen e Shutterstock

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