Elas ocupam o topo, mas ganham menos que eles. Faz sentido?

Elas ocupam o topo, mas ganham menos que eles. Faz sentido?

Karina Alves*

Desigualdades infundadas infelizmente ainda existem quando o assunto é a discussão de gêneros, tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Pois é, é aquela velha história de que eles ainda ganham mais do que nós… Dados da Bloomberg apontam que as executivas das 198 empresas que compõem o índice Standard & Poor’s (referência da Bolsa de Nova York) têm rendimentos anuais 18% menores do que os homens. O levantamento foi feito com base nas informações do último ano.

No Brasil, estudo semelhante já havia sido feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2009. O levantamento apontou que os homens recebem salários 30% maiores do que as mulheres.

A notícia é ruim e nos leva a pensar sobre o quão lenta é a evolução da nossa sociedade. Hoje, não faria nenhum sentido impedir que mulheres votassem, tendo em vista a igualdade de direitos. Mas não é preciso pesquisar muito para saber como eram os tempos que a ala feminina não poderia se arriscar a dar palpites políticos. Se sua avó tiver mais de 81 anos, pergunte a ela como era e terá a resposta. O voto feminino só passou a ser permitido a partir de 1932, depois de muita militância desde o século XIX.

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Para que os estudos passem a mostrar equilíbrio entre salários de homens e mulheres, precisamos de uma mudança cultural. O grande dilema feminino (e que ainda perdura hoje) é saber como equilibrar a jornada de trabalho dentro e fora de casa.

Sendo assim, um bom início para essa discussão seria pensar na divisão igualitária de papeis dentro de casa. Grande parte das mulheres batalha pela independência financeira, sem deixar de lado o sonho de ser mãe, de constituir família. Resta saber do outro lado: os homens estão dispostos a dividir com a mulher o papel de dona de casa? Se a resposta for não, isso deveria ser repensado.

Afinal, se a mulher está disposta a sair de casa para ter um emprego e aumentar a renda da família, porque ainda deve recair sobre ela o papel de manter a casa em ordem, de fazer a comida ou mesmo de controlar os horários de alimentação dos filhos?

Mudanças parciais trazem transformações parciais. As mulheres são igualmente capazes em relação aos homens e vice-versa. É bem possível que os estudos passem a indicar uma realidade mais equilibrada a partir do momento em que os homens passarem  a assumir, cada vez mais, papeis de “donos de casa”.

*Karina Alves é a editora do site Finanças Femininas. Fale com ela no email karina@financasfemininas.uol.com.br.

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carolinaruhman

carolinaruhman

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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