Elas usaram a tecnologia para combater a violência contra a mulher

Elas usaram a tecnologia para combater a violência contra a mulher

Segundo a National Network to End Domestic Violence, instituição estadunidense que combate a violência doméstica, 89% das vítimas inscritas em programas relacionados à questão no país sofreram algum tipo de abuso por meio de tecnologias. São muitos os casos em que mulheres foram agredidas e abusadas em redes sociais e outras plataformas, que acometem tanto famosas quanto anônimas. Entretanto, transformar uma ferramenta de opressão em algo empoderador vem sendo a missão de diversas brasileiras, que estão usando a tecnologia para combater a violência contra a mulher. A seguir, conheça alguns aplicativos e plataformas que você também pode utilizar.

Malalai

No final de 2015, a ONG Think Olga promoveu a hashtag #PrimeiroAssédio, onde uma mulher relatou ter sido estuprada por dois homens ao pegar táxi sozinha – um deles o próprio taxista, que desviou a rota. “Ao ler esta história pensei que se alguém tivesse visto que o táxi não estava levando ela pra casa, ela teria tido uma chance”, diz Priscila Gama, idealizadora da plataforma Malalai, que surgiu a partir deste relato. O nome vem da corajosa Malala Yousafzai, ativista paquistanesa laureada com um prêmio Nobel da Paz graças ao seu trabalho em prol do acesso à educação por meninas.

O objetivo é atuar para que as usuárias se sintam mais seguras em diversas frentes. A principal é o mapeamento colaborativo para qualificar rotas, onde dá para saber e registrar se um determinado caminho é iluminado, se tem policiamento ou relatos de assédio. Também é possível solicitar a companhia virtual de alguém de sua confiança, que verá seu deslocamento em tempo real e receberá mensagens quando você cruzar um local de sua escolha – o famoso “me avisa quando você chegar?”. Caso você não chegue no tempo previsto, o app dispara uma mensagem de alerta para até três pessoas. Em casos de emergência, Priscila também projetou um wearable, que envia uma mensagem de alerta e localização para pessoas da sua rede caso você o acione.

Infelizmente, o lançamento do Malalai foi adiado anteriormente por problemas técnicos, mas já estão sendo realizados testes fechados. A previsão é que o app seja lançado para quem se cadastrou no site no primeiro trimestre, enquanto a liberação total fica para o segundo semestre. Se você quiser participar, basta ter um smartphone com sistema operacional Android 4.4 e enviar um e-mail para cadastro@malalai.com.br. O mapeamento colaborativo também estará disponível na web em breve. “Boa parte dos casos de violência contra mulher ocorrem nos domicílios, porém o medo mora nas ruas. No fim, tudo isto é sobre liberdade e não só sobre violência. A liberdade empodera”, arremata Priscila.

tecnologia-apps-combate-violencia-mulher

Marina Kashiwagi, uma das idealizadoras do app Delas

Delas

Esse medo de usar serviços de transporte está longe de ser isolado. Sabendo que muitas mulheres compartilham essa angústia, as amigas Ana Carolina Castro, Mariana Paixão e Marina Kashiwagi (foto) – respectivamente, estudante de engenharia da computação, analista de sistemas e designer – decidiram criar o Delas, aplicativo que ajuda mulheres que precisam de um determinado serviço a encontrar outras que o prestem. Como precisavam de um foco inicial, decidiram que começariam com serviços de transporte particular. “Percebemos que a união nos fortalece e que podemos criar uma cadeia de consumo que gera empoderamento mútuo”, dizem as sócias.

Assim como o Malalai, o Delas ainda não está disponível para download, pois as desenvolvedoras estão em busca de investidoras para ajudar com os custos de produção. Porém, a previsão é que o aplicativo seja lançado ainda no primeiro semestre de 2017 tanto para Android quanto iOS. Se você for de São Paulo, não precisa ficar ansiosa: as sócias já estão colocando a ideia em prática através de um grupo de motoristas mulheres que aceitam solicitações pelo WhatsApp. Para saber qual é o número do Delas, é preciso solicitá-lo via inbox na página do Facebook da ferramenta aqui.

Safer Nudes

Enviar e receber fotos sensuais para quem você bem entende é um direito – e isso não deve ser motivo de vergonha ou julgamento. Porém, sabemos que não é o que acontece na prática. O chamado “revenge porn” (“pornô de vingança”, quando uma pessoa vaza fotos e/ou vídeos íntimos de um terceiro sem autorização) é adotado como forma de vingança principalmente em términos de relacionamento. Porém, há quem defenda que mandar nudes é não apenas um direito, mas também um ato de resistência. A organização Coding Rights – formada apenas por mulheres empenhadas no empoderamento através da tecnologia – elaborou o “Safer Nudes – Guia Sensual de Segurança Digital”. Trata-se de uma cartilha que ensina estratégias e ferramentas para enviar fotos íntimas de maneira mais segura. Para acessar, basta baixar o PDF aqui.

Guia de baladas e bares machistas

O caso de assédio em um bar da Vila Madalena, em São Paulo, foi a gota d’água para as mulheres do blog Eu, Tu, Elas, que decidiram criar um guia colaborativo de estabelecimentos machistas. O objetivo é que as próprias clientes preencham um formulário disponível no blog relatando o caso de assédio, incluindo sua data, endereço da casa e a reação do estabelecimento, caso já tenha sido feita alguma queixa diretamente. Por motivos de segurança, é preciso informar um e-mail – mas fique tranquila, pois a denúncia é anônima. Para saber mais, consultar a planilha ou registrar uma queixa, acesse o blog aqui.

Fotos: Shutterstock e Divulgação

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